Agora na política, George Weah enaltece Arsène Wenger: "Era como um pai para mim"

Ex-jogador deu entrevista ao The Guardian e falou sobre sua motivação em campo e na vida política; candidato à presidência na Libéria jogou com Wenger no Monaco

Agora na política, George Weah enaltece Arsène Wenger: "Era como um pai para mim"
George Weah mostra seu título de eleitor (Foto: Issouf Sanogo/AFP)

George Weah foi um dos maiores jogadores da história do futebol. Títulos individuais, coletivos e muitas lembranças em grandes clubes da Europa marcam a carreira do africano, que tem um lugar garantido entre as lendas do esporte.

Em entrevista ao portal britânico The Guardian, o ex-atacante falou um pouco sobre sua trajetória no mundo da bola, onde desenvolveu uma mentalidade de 'nunca desistir'. Segundo ele, trabalhar duro foi o que o ajudar a ser o que foi.

“Quando eu comecei a jogar futebol, nunca pensei que poderia vencer o Ballon d’Or e me tornar o melhor jogador do planeta. Eu só tinha uma paixão pelo jogo e trabalhei duro. Todo dia. Para mim, era preferível treinar do que comer ou dormir."

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"Quando eu me mudei para Monte Carlo [para jogar pelo Monaco, em 1988], eu não joguei por seis meses. Mesmo assim, estava determinado a mostrar o meu talento e provar para meus parentes, que pensavam que a ida para a Europa era um desperdício de tempo, que eu era um bom jogador.”

Foto: Stuart Franklin - FIFA/FIFA via Getty Images
Foto: Stuart Franklin - FIFA/FIFA via Getty Images

Na época, o treinador da equipe francesa era Arsène Wenger, hoje comandante do Arsenal. Segundo o ex-atleta, a relação entre os dois era algo especial, diferente do que se vê com outros técnicos e jogadores espalhados pelo globo.

“Ele era um pai para mim, e me considerava como um filho. Quando o racismo estava em seu ápice, foi ele quem me mostrou amor. (...) Um dia, quando estava cansado do treino, ele me disse: 'George, eu sei que é difícil, mas trabalhe duro. Acredito que, com seu talento, possa se tornar um dos melhores do mundo.'

Essa foi uma das relações mais benéficas de Weah no mundo dos esportes, e é por isso que afirma: "Além de Deus, acho que eu não teria tido sucesso na Europa se não fosse por Arsène".

Recentemente, o ex-atacante decidiu ingressar no mundo da política. Agora, concorre à presidência da Libéria, seu país natal. Ele quer suceder a atual governante, Ellen Johnson Sirleaf, primeira mulher no poder de um Estado no continente africano.

"Sinto que, nessa posição, poderei fazer mais pelo meu povo", afirmou antes de rebater os críticos, que afirmam que Weah não tem experiência. "Eu sei que muitos perguntam porque um ex-jogador procura a presidência de um país, mas ninguém perguntaria se fosse um advogado ou empresário."

Weah é candidato pelo Congresso por Mudanças Democráticas - CDC (Foto: Joel Saget/AFP/Getty Images)
Weah é candidato pelo Congresso por Mudanças Democráticas - CDC (Foto: Joel Saget/AFP/Getty Images)

O político concorreu para o principal cargo de seu país em 2005, mas sem sucesso, sendo derrotado no segundo turno. Um dos problemas que impediram sua eleição foi a falta de educação apropriada - o que conseguiu solucionar obtendo diploma de ensino médio um ano depois, se formando na universidade em 2011 e cursando mestrado logo em seguida.

Os votos serão realizados nesta terça-feira (26), após a eleição ter sido adiada devido à um recurso apresentado pelo candidato que ficou em terceiro lugar no primeiro turno.