São Paulo 2013: um ano para se esquecer
(Arte: Marcello Neves/Vavelcom)

O ano do São Paulo Futebol Clube foi sofrível para o torcedor. O Tricolor iniciou o ano cheio de esperanças de títulos, iria disputar várias competições (estadual, Libertadores, Recopa, Brasileiro, Audi Cup, Eusebio Cup, Suruga Banks e Sul-Americana). Mas a realidade foi uma briga contra o rebaixamento no Campeonato Brasileiro. A VAVEL Brasil trás para você torcedor, uma retrospectiva do ano são-paulino, um ano para se esquecer.

Mau planejamento

Um clube no qual tem como meta a conquista da Copa Libertadores, não poderia nunca vender o seu principal jogador e não contratar ninguém para suprir a sua saída. Lucas, foi vendido ao Paris Saint Germain- FRA, por mais de 100 milhões de reais. Juvenal Juvencio estava com dinheiro em caixa, prometeu um jogador a altura. Abriu negociação com o Napoli-ITA, pelo chileno Vargas, mas perdeu o jogador para o Grêmio, fato constante no ano Tricolor: a perda de jogadores para outros clubes.

O torcedor que sonhava com Vargas, acordou com Aloísio que vinha de um rebaixado Figueirense, e Negueba que não tinha espaço no Flamengo. Wallyson fechou o 'pacote' de Juvenal e companhia. Além desses jogadores, Lúcio veio vendendo o rotulo de “xerife”.

Esse era o time que o treinador Ney Franco tinha em mãos: jogadores renomados como Rogério Ceni, Lúcio, Paulo Henrique Ganso e Luis Fabiano. Outros em grande fase e cotados a seleção Brasileira, como Jadson, Osvaldo e Cortez.

Eliminação no estadual e humilhação na Libertadores

No Campeonato Paulista, o São Paulo foi bem na primeira fase, acabou na primeira posição. Mas o treinador Ney Franco já mostrava desgaste no relacionamento com alguns jogadores. O treinador insistia em não colocar o meia Paulo Henrique Ganso, o jogador cobrava uma seqüência, por outro lado, Jadson, o titular na posição não rendia o esperado mas tinha a confiança do treinador.

Nas semifinais do estadual, o adversário era o seu maior rival, o Corinthians. O Tricolor fez uma boa partida, mas parou no fortíssimo sistema defensivo adversário e não tirou o zero do placar, e a semifinal foi decidia nos pênaltis. Luis Fabiano parou em Cássio e Paulo Henrique Ganso chutou para fora. Alexandre Pato converteu a ultima cobrança corintiana, assim eliminando o Tricolor.

Na Libertadores, o São Paulo começou a sua caminhada na fase prévia: o rival era o Bolivar-BOL. No primeiro jogo, no Morumbi, um 5 a 0 animador. Na partida de volta na Bolívia, 4 a 3 de virada para os bolivianos, ligando o sinal de alerta Tricolor.

Na fase de grupos, Atlético Mineiro, Arsenal–ARG e The Strongest–BOL eram os adversários. Na campanha, uma derrota em Minas por 2 a 1, uma vitoria contra os bolivianos em casa e uma derrota fora de casa, empate no Morumbi e derrota na Argentina contra o Arsenal. Assim, o São Paulo chegou na ultima rodada precisando vencer o Atlético Mineiro e torcer contra o The Strongest. Na Argentina, o Arsenal venceu a partida por 2 a 1 e ajudou o São Paulo. No Morumbi, empurrado pela torcida, o São Paulo venceu a partida por 2 a 0 e assim se classificou para a próxima fase da competição.

Nas oitavas-de-final, novamente o adversário era o Atlético Mineiro, time com a melhor campanha na primeira fase. No primeiro Jogo no Morumbi, 30 minutos de futebol em alto nível do Tricolor. O time abriu o placar e aparentava que conseguiria uma boa vitória do galo mineiro. Até que Lúcio foi expulso de campo e Ronaldinho e companhia fizeram a diferença para virar a partida, 2 a 1 para o Atlético.

Na partida de volta, um massacre do galo. 4 a 1 com direito a três gols de Jô e show de Ronaldinho Gaucho. O São Paulo estava eliminado da Copa Libertadores da America.

Ney Franco é demitido, Paulo Autuori Assume o time e Lúcio é afastado

O São Paulo não havia vencido nenhum clássico em 2013, e somado as eliminações no Campeonato Paulista e na Copa Libertadores, a diretoria demitiu o treinador Ney Franco após a derrota no primeiro jogo na final da Recopa para o rival Corinthians.

Lúcio, penta campeão com a seleção Brasileira, chegou cheio de moral, mas aos poucos foi perdendo credibilidade com o treinador Ney Franco. Na partida realizada na Argentina, contra o Arsenal pela Copa Libertadores, Lúcio foi substituído e claramente irritado, deixou o estádio e foi direto para o ônibus da equipe.No primeiro jogo das oitavas de finais, Lúcio foi expulso em lance infantil, lance no qual foi crucial para a eliminação da equipe na competição.

Com a chegada de Paulo Autuori, o jogador foi afastado do elenco e convidado a treinar em horários diferentes ao do grupo. O treinador alegou que Lúcio subia muito para o ataque, fato que deixava o sistema defensivo desorganizado e frágil. Em meio a crise, o São Paulo foi derrotado novamente pelo Corinthians e eliminado da Recopa.

Adalberto Batista x Rogério Ceni e a excursão na Europa

Adalberto Batista, diretor de futebol do clube, abandou a equipe e não foi a uma viagem para a Bolivia, em um jogo importante contra o The Strongest, para poder participar de uma corrida de porsche em Portugal.

O ambiente, que já estava abalado pelas brigas entre Lúcio e Ney Franco, ficou ainda pior com a infeliz ideia do diretor. Para completar, Adalberto ainda acusou Rogério Ceni de estar jogando com dores no pé e com dificuldades na reposição de bola.

Adalberto ainda demitiu o criador do Reffis (Reabilitação Esportiva Fisioterápica e Fisiológica), Luis Rosan, e planejou uma viagem para a Europa. Os destinos eram Alemanha, para a disputa da Audi Cup, e Portugal para a disputa da Eusebio Cup. Além da Copa Suruga no Japão, que o time ganhou a vaga devido a conquista da Copa Sul-Americana.

O São Paulo conquistou apenas a Eusebio Cup, vencendo o Benfica-POR pelo placar de 2 a 0. E acumulou derrotas para Bayern de Munich-ALE e Milan-ITA, na Audi Cup e para o Kashima Antlers-JAP na copa Suruga. A vitória em Portugal, no entanto, pôs fim ao pior jejum de vitórias da história do São Paulo Futebol Clube.

São Paulo entra na zona de rebaixamento, Ceni perde pênaltis e Paulo Autuori é demitido

Rogério Ceni, maior ídolo do clube, estava muito bem debaixo das traves. Porem, nas cobranças de pênaltis, um de seus pontos fortes, o capitão Tricolor perder quatro cobranças consecutivas (contra Bayern, Portuguesa, Criciúma e Corinthians). Os erros abalaram a confiança não só do capitão como de todo o elenco, e Aloísio passou a ser encarregado pelas penalidades. Ceni pôs fim a seqüência negativa diante do Flamengo.

Paulo Autuori comandou o São Paulo durante 17 partidas. Acumulou dez derrotas, quatro empates e três vitorias. Um aproveitamento de 25%. Tricolor chegou a temida zona de rebaixamento, acumulou 12 jogos seguidos sem vitorias, e após a derrota para o Coritiba na ultima rodada do primeiro turno, Paulo Autuori foi demitido. AO mesmo tempo, o atacante Luis Fabiano afundou numa crise que parecia não ter fim.

Muricy, Ganso e Aloísio salvam o São Paulo do rebaixamento

Quando Muricy Ramalho assumiu a equipe, o clima era péssimo: jogadores e diretoria abatida, e um time dado como virtualmente rebaixado. Na estreia, uma vitoria contra a Ponte Preta que voltou a dar esperanças aos torcedores. Muricy conseguiu fazer Paulo Henrique Ganso voltar a ter lampejos de craque. Com boas atuações, o meia reencontrou o bom futebol e se tornou o maestro da equipe, sendo o principal atleta tricolor no fim da temporada.

Outro destaque fora Aloísio: jogador limitado, porém com uma raça incrível, que conquistou parte dos torcedores. Ajudou o São Paulo dentro e fora de campo com seus gols e brincadeiras -- suas "voadoras" viraram moda e ajudaram a melhorar o clima. E, com alguns gols, foi parcialmente decisivo. Ajudou o São Paulo a fugir da zona de rebaixamento e foi o artilheiro da temporada ao lado de Luis Fabiano, com 22 gols.

São Paulo é eliminado pela Ponte Preta na Sul-Americana

Com a chegada de Muricy, o tricolor deu uma boa arrancada no Brasileiro se livrando do rebaixamento, e viu na Sul-Americana a chance real de um titulo para salvar o ano e conquistar uma vaga na Copa Libertadores de 2014. O Tricolor passou pelo Atlético Nacional-COL, e pelo Universidad do Chile, em jogo memorável de Rogério Ceni na partida fora de casa.

Nas semifinais veio uma surpresa: a Ponte Preta. Mas o baque maior foi perder para a macaca por 3 a 1, em pleno Morumbi, em uma partida irreconhecível do tricolor após a chegada de Muricy. No jogo de volta, uma missão quase impossível. O Tricolor não saiu do empate por 1 a 1 e assim acabou com o sonho de um titulo no ano de 2013.

Planejamento 2014

Com Gustavo Oliveira, sobrinho do ídolo Raí, na gestão de futebol, o tricolor espera um 2014 diferente. Luis Ricardo, lateral ex-Portuguesa já chegou para a próxima temporada, sendo oficialmente o primeiro reforço. Rogério Ceni e Muricy Ramalho renovaram os seus contratos, e comandarão a reformução do time. As eleições do clube acontecem em abril, e uma mudança da diretoria deve animar mais os torcedores.

Melhor jogo: São Paulo 5x0 Bolivar-BOL

Em um dos poucos jogos perfeitos do ano, o Tricolor atropelou os bolivianos no Morumbi e encaminhou a vaga para a fase de grupos da Copa Libertadores da America.

Pior jogo: São Paulo 1x3 Ponte Preta

O São Paulo foi derrotado pela Ponte Preta em pleno Morumbi, praticamente dando adeus às chances do bi campeonato na Sul Americana.

Os Melhores de 2013

Aloísio: aos poucos foi buscando o seu espaço. Sua raça compensa a limitação técnica, e terminou o ano em alta. Rejeitou proposta da China no meio do ano para não abandonar a equipe na zona de rebaixamento. Com 22 gols, foi um dos artilheiros da equipe.

Ganso: Com a chegada de Muricy Ramalho voltou a jogar o seu bom futebol. Com mais confiança, passou a arriscar jogadas de efeito e foi o maestro da equipe no fim de ano, gerando grande expectativa para 2014.

Muricy Ramalho: O herói do São Paulo no ano. Pegou o time na zona de rebaixamento, motivou a equipe e levou a equipe até a nona colocação.

Os piores de 2013

Lúcio: Chegou para ser o xerife e acabou sendo o vilão. Expulsões bobas, partidas horríveis e atitudes piores ainda. Foi afastado e não deve voltar a vestir a camisa do São Paulo.

Osvaldo: após a convocação para a seleção nunca mais foi o mesmo. Lesões e longo jejum de gols, não chegou nem perto do Osvaldo de 2012. Seu último tento foi marcado em fevereiro, pela Libertadores, e desde então não teve atuações sólidas.

Denílson: Um péssimo ano para o volante Denílson. Não deu a proteção necessária para o sistema defensivo, erros infantis e faltas bobas, gerando situações de perigo. Após um bom 2012, volta a ser visto com desconfiança pelos torcedores.

Análise final

Realmente foi um ano para se esquecer. Nenhuma vitória em clássicos, drama de um possível rebaixamento e a má fase da maioria de seus jogadores. Tudo isso se juntou com a péssima administração da diretoria fora de campo. Rogério Ceni e Muricy renovaram, e as eleições em abril possam animar a torcida. Que em 2014 Muricy Ramalho e o novo presidente consigam colocar de vez ordem na casa.

(Fotos: Site oficial São Paulo FC, Lancenet, Globoesporte.com, Rubens Chiri)

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