Dedé se revolta com ofensas a Tinga e diz que não quer mais voltar ao Peru
Dedé se comoveu com a dor do companheiro, vítima de racismo no Peru (Foto: Reprodução / Associação Press)

Os atos racistas da torcida peruana contra o volante Tinga, na última quarta-feira, em Huancayo, deixaram o zagueiro Dedé indignado. Segundo Dedé, essa foi a primeira vez que ele se desestabilizou dentro de campo por um motivo externo. O zagueiro do Cruzeiro disse que não pretende mais nem voltar ao Peru.

”Se todos conhecessem o Tinga, se ajoelhariam, pediriam autógrafo e pediram benção a ele”. A frase do zagueiro Dedé enfatiza claramente dois pontos-chave: o quanto o beque admira o meio-campista como pessoa e profissional, e reforça a indignação pelo comportamento racista dos torcedores do Real Garcilaso. Às vésperas do clássico de domingo, o camisa 26 se diz preparado, apesar de ainda recordar o fatídico episódio de quarta-feira.

”Por tudo que ele (Tinga) é, e por tudo que conquistou, merecia respeito. Conseguiu amizade no Inter e no Grêmio, onde jogou, o que é muito difícil. Se não é o melhor atleta aqui no grupo (do Cruzeiro), é um dos melhores. Quando preciso de um conselho, converso com ele. Ele não merecia passar por isso. Já era muito fã do Tinga. E depois da declaração dele, virou master para mim.”, disse Dedé.

"Não tenho ódio, mas é um lugar onde eu jamais gostaria de pisar de novo"

Dedé revelou que ficou descontrolado com o fato e que chegou a chorar após do confronto: "Fiquei revoltado. Foi o único jogo, em que me vi descontrolado por essa situação. Fiquei com os olhos cheios de lágrimas. Não consegui dormir no avião. Lembrei de palavras do Tinga sobre família e filhos. Estou bem mexido com isso”.

”Já me perguntaram se estou bem. Também sou negro. Somos todos iguais, sou brasileiro. Respeitamos todos os peruanos, mas, no jogo, a torcida, quando fez aquilo, manchou muito o povo peruano. Não tenho ódio, mas é um lugar onde eu jamais gostaria de pisar de novo”, completou.

Tinga afirmou ainda que torcedores cuspiram nos atletas do Cruzeiro na entrada no campo. 

“Não tinha água no nosso vestiário, picharam coisas sobre altitude na parede, para nos intimidar, eu não quis nem ler. Cambada de bobo. A entrada para o campo era perigosa, se um jogador tropeça, poderia acontecer algo grave. O que tomei de cuspe não foi brincadeira, tinha que passar de guarda-chuva no caminho para o campo. Lamentável.”, finalizou.

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