Taça de prata: um título na história do Juventus da Mooca
Juventus, campeão da Taça de prata de 83 (Foto: Reprodução)

Neste domingo (20), o Juventus da Mooca, tradicional clube da cidade de São Paulo, completa 90 anos de muita história. Nos tempos de hoje, o Moleque Travesso, apelido dado por ter aprontado muito diante dos grandes, vive em uma terrível crise dentro e fora de campo. Atualmente, o Juventus disputa a série A-3 do Campeonato Paulista.

A fase atual está longe dos áureos tempos, porém, na década de 80, o clube paulista conquistou o que seria até hoje o maior feito desde sua fundação. A Taça de prata de 1983, título este que ganhou uma frase em uma das músicas da torcida, que diz: "Taça de prata, para os modernos...", e desperta a nostalgia no torcedor juventino.

Regulamento distinto

Com fórmula diferente, as divisões do futebol nacional eram divididas em três: Taça de ouro, Taça de prata e Taça de bronze. Com bons resultados em 1982, o Juventus conquistou a vaga para disputar a primeira divisão de 83, ou seja, a Taça de ouro. Com 40 clubes, a divisão principal era dividida em 8 grupos com 5 times cada. Na primeira fase, os times de cada grupo se enfrentavam em turno e returno, eliminando o último colocado de cada e mandando à repescagem os quartos colocados.

A Taça de prata era disputada simultaneamente à Taça de ouro. Os clubes eliminados da primeira divisão iriam para a segunda, não ficando na "geladeira" pelo resto da temporada. Foi exatamente isto que aconteceu com o Juventus. A equipe da Mooca foi eliminada na repescagem, com a campanha de 1 vitória, 3 empates e 4 derrotas.

Campanha campeã

Com a eliminação na Taça de ouro, o Juventus foi disputar a segunda divisão, a Taça de prata. Entrando na terceira fase, a equipe enfrentou logo um bom time, o Itumbiara, de Goiás. Na primeira partida, em casa, o time Grená foi muito bem e venceu por 3 a 1, levando um bela vantagem para Goiânia. 7 dias depois, o empate por 1 a 1 deu a vaga na quarta fase e a esperança do título.

A quarta fase, como não poderia deixar de ser, foi bastante tensa. Enfrentando o Galícia, da Bahia, o Juventus foi superior nos dois jogos, mas sofreu para vencer em ambos. No primeiro, fora de casa, vitória simplesmente incrível por 3 a 2, deixando a torcida esperançosa e confiante. Na volta, vitória também sofrida por 2 a 1 e classificação garantida.

Joinville, de Santa Catarina. Esse foi o adversário da semifinal. Com sangue, suor e lágrimas, o Juventus mostrou sua força e passou com alma. A primeira partida, fora, um 0 a 0. A segunda, dentro de casa, um jogaço: 2 a 1, na raça, com vontade. O Moleque Travesso aprontava de novo e se classificava para a grande final.

As finais

O adversário da grande final foi o CSA, de Alagoas, talvez o melhor time da competição. Primeiramente estavam marcados dois jogos para decidir o campeão. No entanto, caso houvesse empate nos dois ou uma vitória para cada lado, haveria uma partida desempate, que aconteceria no mesmo estádio do segundo jogo.

A primeira partida aconteceu no Rei Pelé para mais de 14 mil pessoas. Aos 41 da primeira etapa, Rômel fez 1 a 0 para a equipe de Alagoas. No segundo tempo, aos 18 minutos, Zé Carlos fez 2 a 0, enlouquecendo a torcida. Um pouco mais tarde, Josenílton fez 3 a 0 e deixou a torcida do Juventus se perguntando se o time teria capacidade para vencer a segunda partida e forçar uma terceira. No final do jogo, Llo diminuiu: 3 a 1.

A segunda final aconteceu no Parque São Jorge. O público foi de 2.467 pessoas. Jogando muita bola, o Juventus venceu por 3 a 0 tranquilamente, com gols de Gatãozinho, Bira e Trajano, forçando, assim, uma terceira e definitiva partida também na Fazendinha.

O pênalti, o gol, a explosão e o título

Terça-feira. 3 de maio de 83. Noite fria. Mais de 3 mil pessoas no estádio. Era o jogo mais importante da história do Juventus. A partida foi muito tensa, com muitas jogadas violentas. Na arquibancada, torcida do Juventus e delegação do CSA se estranhavam. Aos 26 minutos da segunda etapa, Nelsinho Baptista carregou a bola, invadiu a área e foi derrubado. O pênalti estava marcado.

O lance do pênalti (Foto: Reprodução)

Nas arquibancadas, o ainda jovem dirigente do CSA, Fernando Collor, presidente do Brasil anos depois, protestou muito contra o pênalti marcado. Após muitas reclamações, Paulo Martins foi para a bola, bateu e fez o gol. Explosão na Fazendinha! Depois do tento, a pressão do CSA foi grande, mas não suficiente para conseguir tirar o primeiro título brasileiro do Juventus.

Jogadores do Juventus com a taça (Foto: Reprodução)

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