Torcida Organizada do São Paulo vai à final da Champions e busca melhorias no Brasil
Dragões da Real já esteve em outros jogos na Europa (Foto: Allan Brito / Terra)

Na final feminina da UEFA Champions League, na última quinta-feira (22), duas faixas da torcida organizada do São Paulo, Dragões da Real, estavam estendidas sobre a arquibancada do Estádio do Rostelo, em Lisboa. Uma das faixas continha "não ao racismo"  em inglês. O fato de uma torcida organizada do Brasil estar em outro Continente é no mínimo curioso, mas por trás destas faixas existe um grande projeto da Dragões, que busca retratar a postura das Organizadas (ou "ultras", como são chamadas na Europa) no Velho Continente.

O presidente da torcida organizada, André Azevedo, conta que o projeto não é recente e recebe o apoio de autoridades das Secretarias da Juventude de três estados (São Paulo, Rio de Janeiro e Fortaleza) e do Ministério do Esporte: "Nossa ideia é documentar tudo e levar ao Brasil para mostrar mitos que existem no futebol europeu e algumas verdades que podem melhorar lá", explica André Azevedo.

André diz que a torcida já esteve em clássicos, como Schalke 04 e Borussia Dortmund, maior clássico da Alemanha, para documentar a atuação das torcidas organizadas e garante que, no Brasil, os torcedores tem uma visão muito superficial sobre o que realmente acontece nas torcidas da Europa.

"Dizem que aqui na Europa não tem violência, mas é uma grande mentira. A gente viu o clássico na Alemanha, visitou as torcidas e viu como eles têm problemas lá também. Dizem que aqui estão todos sentados, mas, no Campeonato Alemão eles mantiveram a tradição para os ultras (como são chamados muitos torcedores organizados na Europa) ficarem em pé", conta o presidente da Dragões da Real.

Sobre os ideais do projeto, André se mostra muito objetivo e declara que no Brasil a violência entre as torcidas poderia ser evitada se cada torcedor e torcida tivesse a devida punição em relação as brigas entre elas. O presidente da torcida conta que na Alemanha a justiça é muito severa e todos são punidos, enquanto no Brasil nada se faz e isso gera mais desentendimentos. 

O assunto sobre as organizadas e seus times está sendo muito discutido no futebol brasileiro e para André, a proximidade entre o time e a torcida faz com que a equipe e os torcedores se sintam unidos e todas as partes serão beneficiadas. "Na Europa quem é das ultras tem um plano de sócio diferente, porque eles vão sempre, puxam os gritos e podem fazer a diferença para o time" , sugere André que deixou claro que não exige privilégios só por ser de uma torcida organizada e apoia a proximidade entre a torcida e o clube como um todo.

A Dragões da Real estará presente na final da Champions League neste sábado (24), entre Atlético de Madrid e Real Madrid, e o grupo pretende entrar com faixas para divulgarem o projeto da torcida brasileira.

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