Cristóvão Borges detona 'pobreza' da imprensa e afirma: ''Fluminense joga futebol brasileiro''
Cristóvão Borges diz que esquema da Alemanha não inspirou o Fluminense (Foto: Divulgação/Fluminense)

Aos 55 anos, Cristóvão Borges tem pouco tempo de estrada como técnico de futebol. Entretanto, tem apresentado bons trabalhos e impressionado a todos pela humildade e competência. Foi assim no Vasco, em 2011, quando começou sua carreira como treinador e levou a equipe cruzmaltina ao segundo lugar do Campeonato Brasileiro e às semifinais da Copa Libertadores.

Após fraca passagem pelo Bahia, em 2014, Cristóvão Borges foi confirmado como treinador do Fluminense no ínicio de abril, momentos após a demissão de Renato Gaúcho, que deixou o clube após a eliminação da equipe nas semifinais do Campeonato Carioca. Há apenas quatro meses nas Laranjeiras, o treinador passou a ser uma das sensações do futebol brasileiro.

Em pouco tempo de clube, o treinador conseguiu implantar um padrão tático ao time, que hoje joga com apenas um atacante fixo. Sobre isso, Cristovão disse que se preparou, após sua saída do Vasco. ''Quando saí do Vasco, eu me preparei para realizar o que penso e sonho sobre o futebol. Recebi uma proposta melhor, mas aceitei a do Fluminense porque sabia o quanto o time era bom. Quando cheguei, vi que tudo seria melhor, pelo ótimo nível intelectual dos jogadores. Minhas ideias foram rapidamente absorvidas.''

''Meu time é compacto, joga com a defesa avançada, é técnico, inteligente e tem organização tática. Treinamos passe diariamente. Mas, no futebol brasileiro, a compactação não é boa e erra-se muito passe. A gente vê a evolução de outras escolas. Em 2011, o Universidad de Chile, do (Jorge) Sampaoli, já tinha um jogo de intensidade'', completou.

Comparado ao futebol jogado pela Alemanha na Copa do Mundo, Cristóvão afirmou: ''É semelhante, porque tem essas características, mas vamos ter cuidado. Há quem diga que a Alemanha nos inspirou, mas o Fluminense já está fazendo isso desde o começo do Brasileiro, antes da Copa. Não foi por causa da Alemanha. No meu primeiro jogo, contra o Horizonte, pela Copa do Brasil, o time deu 16 toques na bola antes de o Wagner marcar. No Brasileiro, a gente deu 17 toques até o Sóbis marcar. E, contra o Atlético-PR, Jean marcou após o time tocar 18 vezes sem que o adversário roubasse a bola.''

A partida contra o Goiás, no Maracanã, marcou a volta de Fred após a Copa do Mundo. Segundo o comandante, o centroavante foi 'injustiçado' no Mundial: ''Ele está ótimo. Fizeram uma injustiça absurda. Por que a Copa ficou na conta do Fred se, quando ele não jogou (contra a Holanda), o Brasil tomou de três? A pior coisa naquele Brasil x Alemanha ninguém falou. Eu e o Ricardo (Gomes) trocamos mensagens durante o jogo. Não vou dizer o que foi. Para quem é treinador, foi muito claro. Mas o que se dizia é que a culpa era do Fred e que ele era um poste.''

Quem estava contra [o Fluminense], agora está se encantando.

''O que dizem é que o Fred foi o grande problema do Brasil na Copa. Sempre tem que haver alguém para pagar o pato. Na quarta-feira, lá em Natal, quando o Fred pegava na bola, vaiavam ele. Mas a gente vai mudar isso. O Fluminense virou adversário de todo mundo. Mas isso vai mudar. Quem estava contra, agora está se encantando'', completou.

Orgulhoso com as atuações do Flu, Cristóvão Borges diz ter inspirações. Elas não vem de um único time ou forma de jogar. O importante, segundo ele, é o resgate do futebol praticado no Brasil, tão copiado mundo afora, mas que perdeu a força nos últimos anos. ''Minha inspiração é o resgate do futebol brasileiro, a valorização da qualidade técnica. Adoro o trabalho de um monte de gente: Bielsa, Guardiola, Mourinho, Ancelotti. Quando você vê o Cruzeiro jogar, poxa, aquilo é futebol brasileiro. O Fluminense joga futebol brasileiro.''

Sobre se viu novidades na Copa, o treinador afirmou que houve mais variedades de jogo: ''Novidade tática, eu não vi. Vi variações. A Alemanha tem boa movimentação e qualidade técnica, joga marcando sob pressão, roubando a bola no campo adversário.'' Após saída do Vasco, Cristóvão procurou se informar bastente durante o periodo em que esteve em inatividade: ''Sem a menor dúvida, estou melhor. Lá no Vasco, falavam que meu trabalho era bom. Mas vi que podia melhorar e fiquei sete meses estudando.''

Sobre como convenceu o camisa 9 a ficar no banco de reservas, o técnico usou como argumento o Juninho Pernanbucano e Felipe, ambos ex-jogadores do Vasco: ''Olha, no Vasco, em todas as coletivas eu tinha que responder se o Juninho e o Felipe podiam jogar juntos. Aquilo me dava uma tristeza, pois parecia o assunto mais relevante, mesmo nas vezes em que o Vasco fez partidas maravilhosas. Agora, eu pensei que tinha me livrado disso, mas em todas as coletivas são seis ou sete perguntas sobre o Fred. Ele é o grande ídolo, mas as perguntas são de uma pobreza absurda. O Fred não jogou porque precisava se condicionar, ora.''

Se a discussão não mudar, a gente vai continuar tomando de sete.

Indagado sobre se Felipe não ficava emburrado com a reserva, Cristóvão rebateu criticando a imprensa: ''Mas quem fomenta isso? Quem faz isso virar notícia? Quem faz enquete instigando a torcida? Metem o pau, dizem que estamos atrasados, mas a imprensa também precisa se preparar. Se a discussão não mudar, a gente vai continuar tomando de sete. No futebol, discute-se pouco as coisas essenciais. As não relevantes ocupam mais espaço. A gente só discute quando há uma tragédia como a da Copa do Mundo. Aí, todo mundo quer revolucionar tudo, e nada presta. A discussão é que está errada.''

Perguntado sobre a volta de Dunga para a Seleção Brasileira, o comandante se esquivou: ''Não quero falar sobre seleção. É um perigo. Sou um peixinho, um aprendiz.''

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