Fluminense 2014: Crises e irregularidades marcaram a temporada
(Foto: Ale Cabral/Estadão Conteúdo)

O ano de 2014 do Fluminense foi irregular. A equipe variou entre bons jogos contra equipes grandes e péssimos jogos contra equipes pequenas. A falta de planejamento da diretoria e a briga interna entre os presidentes do clube e da patrocinadora atrapalhou o rumo do Tricolor.

Em janeiro, uma denúncia que encontrou uma irregularidade na escalação da Portuguesa na 38ª rodada, salvou o Fluminense do rebaixamento do Brasileirão de 2013. Reforços de renome como o Conca, Walter e Cícero chegaram ao Flu na temporada e o planejamento inicial foi mudado. Contudo, a equipe não vingou e o Fluminense não conquistou título nenhum pelo segundo seguido, ficou de fora da Libertadores 2015 e viu sua parceria com a Unimed chegar ao fim.

Planejamento duvidoso na pré-temporada

Após ter seu rebaixamento anulado devido à irregularidade da Portuguesa, na escalação do atacante Héverton pela 38ª rodada do Campeonato Brasileiro 2013, o Fluminense teve que mudar seus planos para 2014. O Tricolor das Laranjeiras iniciou sua pré-temporada em Mangaratiba. O técnico Renato Gaúcho foi contratado, assim como o meia Conca, que retornara ao Fluminense após ter saído em maio de 2011 para o futebol chinês. O meia-atacante Chiquinho chegava por empréstimo da Ponte Preta e o atacante Walter, um dos destaques do Brasileirão 2013, veio do Goiás após longa negociação.

Início do estadual

Com bons reforços e a base da equipe mantida, o Fluminense tinha um bom time e era um dos favoritos, mas estreou no Campeonato Carioca com derrota para o Madureira, por 3 a 2. Na segunda rodada, em seu retorno ao Maracanã, jogo que marcou o reencontro de Conca com a torcida tricolor, o Fluminense ficou no empate com o Bonsucesso, 1 a 1.

O sinal vermelho foi ligado em Laranjeiras. A base da equipe era aquela que caiu em 2013, mas com os retornos dos lesionados Bruno, Carlinhos, Jean e Fred, e os reforços de Conca, Chiquinho e Walter. Principal reforço da equipe, Conca decidiu dois jogos seguidos. Contra o Nova Iguaçu, teve grande atuação e voltou a marcar, com o Fluminense vencendo por 3 a 1. Depois, marcou o gol da vitória por 1 a 0, contra o Resende no Maracanã. O primeiro gol de Conca no estádio desde o seu retorno.

O Fluminense emplacou uma sequência de quatro vitórias seguidas e chegou forte para o clássico contra o Flamengo. Até então, o Tricolor não havia feito nenhuma grande atuação sob o comando de Renato Gaúcho. Era o primeiro grande teste da equipe. E ela se saiu bem. Grande vitória por 3 a 0, com direito a gol de Walter, com finalização estilo Romário, em sua estreia.

Após a goleada no clássico, novo placar elástico e diante do Boavista na rodada seguinte: 4 a 1. Jogo em que marcou a crise de Fred com a torcida e o bom momento de Walter. Fred perdeu um pênalti quando o Boavista vencia por 1 a 0, enquanto o centroavante vindo do Goiás marcou os dois últimos gols do jogo. Na rodada seguinte, contra o Macaé, após 196 dias, Fred voltou a balançar as redes e decidiu o jogo no triunfo por 1 a 0.

A boa sequência do Fluminense acabou contra os reservas do Botafogo, na 10ª rodada. Incrível derrota por 3 a 0. Pior atuação da equipe sob o comando de Renato Gaúcho e no ano. Na 11ª rodada, novo tropeço, desta vez contra a Cabofriense: empate por 1 a 1. Fred salvou a equipe de nova derrota com um gol no fim.

Na 12ª rodada, o Fluminense venceu o Friburguense por 5 a 1, voltou a convencer e não perdeu mais. Já classificado para as semifinais, vieram dois empates contra Duque de Caxias e Vasco, que lhe custaram a melhor campanha da 1ª fase, além de vitória sobre o Volta Redonda na última rodada. Fred marcou duas vezes nos últimos dois jogos e se tornou o 10º maior artilheiro da história tricolor, superando Magno Alves.

Eliminação para o Vasco e derrota para o Horizonte-CE

Na semifinal, o adversário era o Vasco, com quem havia empatado na primeira fase. No jogo de ida, novo empate pelo mesmo placar: 1 a 1. Fred marcou novamente e chegava ao seu quinto gol no estadual, mesmo número de Wagner, ambos com um gol a menos que Walter, artilheiro da equipe na competição.

Na semana que separava o jogo que valia a vaga na final do estadual, tinha a estreia na Copa do Brasil contra o modesto Horizonte-CE. O técnico Renato Gaúcho era cobrado por muitos pelas más atuações de sua equipe, apesar de muitos resultados positivos. Vencer o Horizonte era mais que obrigação e ir à final do estadual fazia parte dos planos. O Fluminense, contudo, teve atuação patética e foi derrotado por 3 a 1 no Ceará. Dias depois, acabou derrotado para o Vasco por 1 a 0, sendo eliminado do estadual.

Brigas entre Peter e Celso, demissão de Renato e contratação de Cristóvão

Renato Gaúcho havia sido contratado contra as vontades do presidente do Fluminense, Peter Siemsen. Com a derrota vexatória na Copa do Brasil e a eliminação para o Vasco no estadual, Peter demitiu Renato, o que não agradou ao presidente da patrocinadora do clube, Celso Barros, que bancou a contratação do treinador.

Durante a queda de braço entre os dois, Cristóvão foi anunciado como treinador do Fluminense, e Celso Barros deixou claro que não bancaria nada e isso seria obrigação do clube, em meio à crise financeira. Em sua estreia, Cristóvão tinha a missão de reverter o resultado da ida contra o Horizonte. Como marcou gol fora, o Fluminense precisava de no mínimo 2 a 0. A equipe brilhou e goleou por 5 a 0, garantindo a classificação para a próxima fase.

Bons resultados no Brasileirão, Copa do Brasil e pausa para a Copa do Mundo

O Fluminense estreou no Campeonato Brasileiro vencendo o Figueirense por 3 a 0, no Maracanã. Depois, a equipe viajou à Juiz de Fora, onde enfrentaria o Tupi-MG. Apesar de visitante, a torcida tricolor estava empolgada com o início de Cristóvão e se fez presente em grande número. O Tricolor não desapontou e novamente venceu por 3 a 0, eliminando o jogo de volta. Fred era o destaque da equipe, tendo marcado quatro gols em três partidas e a equipe de Cristóvão jogava o fino da bola até então.

A série de vitórias continuou contra o Palmeiras, no Pacaembu, pela 2ª rodada do Brasileirão. Vitória por 1 a 0, com gol de Sóbis. A empolgação era grande e 52 mil tricolores marcaram presença no Maracanã para o jogo contra o Vitória. Entretanto, o primeiro tropeço da equipe sob o comando de Cristóvão Borges: derrota por 2 a 1.

O Fluminense se recuperou ao vencer o Flamengo, por 2 a 0. Mas, na rodada seguinte acabou derrotado para o Grêmio, no Sul, por 1 a 0. O Tricolor das Laranjeiras se recuperou em grande estilo, goleando o São Paulo por 5 a 2, no Maracanã, e vencendo o Bahia, fora de casa, por 1 a 0. Depois disso, não venceu mais. Derrota para o Atlético-MG, em Minas, e empate contra o Internacional, em Macaé. Sendo assim, o Fluminense ia para a Copa do Mundo na vice-liderança com 16 pontos, três a menos que o Cruzeiro (19).

Retorno da Copa e de Fred com as chegadas de Cícero e Henrique

A Copa do Mundo acabou, o Campeonato Brasileiro voltou e o Fluminense, vice-líder, se reforçou. O zagueiro Henrique, ex-Bordeaux, da França, e o meia Cícero, ex-Santos, que já tinha passagem pelo Tricolor em 2007 e 2008, chegaram ao clube. Apesar disso, o Flu retornou perdendo para o Criciúma, por 3 a 2, em Santa Catarina. Mas, depois do susto, a equipe emplacou uma sequência de bons resultados e bom futebol jogado. Venceu o Santos por 1 a 0 em Volta Redonda, o Atlético-PR por 3 a 0 na Arena da Baixada, e o Goiás por 2 a 0 no Maracanã, jogo que marcou o retorno de Fred a equipe.

Após as três vitórias seguidas no Brasileirão, o Fluminense viajou à Natal, onde enfrentaria o América-RN pela Copa do Brasil. Casa cheia, festa nas arquibancadas, provocações ao Fluminense e principalmente à Fred. Após o vexame da seleção canarinho na Copa, o camisa 9 do Fluminense foi apontado por muitos como o principal vilão ao lado do técnico Luiz Felipe Scolari. O Fluminense deixou isso tudo de lado e com boa atuação e Fred de titular, venceu por 3 a 0.

Sequência de resultados negativos e eliminação na Copa do Brasil

Depois de quatro bons resultados seguidos, o Fluminense entrou em crise. Tudo começou contra o Coritiba, no Maracanã, após empatar por 1 a 1. O Fluminense saiu na frente, assumia a liderança do Brasileirão, mas após levar o empate no fim, perdeu a oportunidade e ficou para trás.

O próximo adversário era o América-RN no Maracanã. O Fluminense tinha a vantagem do jogo de ida onde venceu por 3 a 0. Até o intervalo na partida do Maracanã, o Fluminense vencia por 2 a 1. Mas a equipe voltou diferente para os 45 minutos finais. Disposta a fazer tudo de errado. O América-RN fez 4 gols, venceu por 5 a 2, e se classificou. A pior atuação da equipe no ano. Dias depois, veio à tona que o pagamento do "bicho" dos atletas estava atrasado, e este teria sido o motivo de "corpo mole".

As notícias do "bicho" e a eliminação vexatória da Copa do Brasil acabaram em protestos. Diego Cavalieri, Fabrício e Fred eram os principais alvos. O zagueiro chegou a ser barrado da equipe. Nessa situação, o Fluminense viajou para Brasília, onde enfrentaria o Botafogo no Mané Garrincha. No único estádio em que balançou as redes na Copa, Fred perdeu pênalti, e o Fluminense perdeu o jogo por 2 a 0. A crise aumentava nas Laranjeiras. E o seu ápice foi a derrota para a Chapecoense, na rodada seguinte, em Chapecó, por 1 a 0. O futebol bonito do Fluminense havia sumido de uma hora para outra.

Renovação de contrato de jogadores e relação do clube com a Unimed

O buraco era mais fundo do que se imaginava. Internamente, jogadores tinham dívidas de direitos de imagem atrasados, alguns jogadores como o goleiro Diego Cavalieri, os volantes Diguinho e Valencia, e o lateral-esquerdo Carlinhos, cobravam a renovação de seus contratos, cujo vínculo terminara em dezembro. Cavalieri teria pedido R$ 500 mil, enquanto Carlinhos R$ 100 mil a menos que o goleiro mais luvas. A pedida foi considerada alta, o goleiro aceitou diminuir a pedida em R$ 100 mil e foi aceita.

O problema era que eles queriam contratos longos de 4 a 5 anos, e o presidente da Unimed, Celso Barros, queria apenas entre 2 a 3 anos, no máximo. Isso emperrava as negociações, que se estenderam pelo resto do ano. E a relação entre Peter e Celso só piorava, colocando em risco o contrato da parceria que já durava 15 anos.

Eliminação na Sul-Americana e sequência de empates

O Fluminense deu fim a sua sequência negativa ao vencer o Sport, no Maracanã, por 4 a 0. Fred marcou dois gols e começava a almejar a artilharia do Brasileirão. O Fluminense tinha pela frente quatro jogos decisivos em duas semanas, que definiria seu futuro. Dois deles eram válidos pela Copa Sul-Americana, contra o Goiás. Na ida, o confronto era no Maracanã, e o Fluminense venceu por 2 a 1. O Fluminense viajou para São Paulo, onde enfrentaria o Corinthians, na Arena Corinthians, pela 18ª rodada do Brasileirão. As equipes ficaram no empate por 1 a 1.

No meio da semana, confronto decisivo contra o Goiás. Era a oportunidade do Fluminense dar um "chega pra lá" na crise que batia nas portas das Laranjeiras, mas a equipe perdeu por 1 a 0, resultado que o Goiás necessitava, já que havia marcado um gol no Maracanã. A eliminação na Sul-Americana, um mês depois da eliminação na Copa do Brasil, piorou a situação do clube, que tinha pela frente um jogo contra o líder e atual campeão do Brasileirão: o Cruzeiro. Dos males, o menor. O Fluminense jogou bem e, em um dos melhores jogos do campeonato, empatou por 3 a 3.

O Fluminense manteve a sequência de empates no Brasileirão na 20ª rodada ao empatar contra o Figueirense em Santa Catarina. Depois de três empates seguidos, venceu o Palmeiras por 3 a 0 no Maracanã. Mas, depois de cinco jogos sem perder no Brasileirão, acabou derrotado para o Vitória, em partida que gerou bastantes críticas.

As críticas voltaram e as vitórias não. O Fluminense empatou com Flamengo e Grêmio no Maracanã e chegava a marca de três rodadas sem vencer. Até que enfrentou o São Paulo no Morumbi e fez uma partida grande. Venceu por 3 a 1, e além disso, convenceu. Parecia que o Flu voltaria a crescer, mas empatou com Bahia, no Mané Garrincha, e Atlético-MG, no Maracanã, e ficava parado na tabela, vendo todos andarem.

Sequência de vitórias e G-4

Com seis empates nos últimos dez jogos, o Fluminense viajou até Porto Alegre, onde perdeu para o Internacional. Após a derrota para os Colorados, o Tricolor emplacou uma sequência de quatro vitórias seguidas. A primeira vítima foi o Criciúma no Maracanã: 4 a 2. A segunda, o Santos, na Vila Belmiro: 1 a 0. A terceira, o Atlético-PR, no Maracanã, por 2 a 1. Por fim, o Goiás, que eliminou o Flu da Sul-Americana, no Serra Dourada, em jogo este em que Fred chegou a marca de 100 gols na história do Brasileirão por pontos corridos.

Com essa arrancada, o Fluminense retornou ao G-4. A equipe brigava por Libertadores e um tropeço poderia dificultar as coisas. Contra o Coritiba, no Couto Pereira, o tropeço veio: derrota por 1 a 0. Mas o Flu se recuperou na rodada seguinte, ao vencer o Botafogo por 1 a 0, afundando o rival na zona do rebaixamento rumo à segunda divisão.

Tropeços no fim que custaram a vaga na Libertadores

Depois de vencer o clássico e seguir vivo na briga pela Libertadores, o adversário do Fluminense era a Chapecoense. A torcida tricolor compareceu em grande número ao Maracanã. O que parecia ser festa, terminou em protestos. A Chapecoense goleou por 4 a 1. Matematicamente o Fluminense ainda tinha chance de Libertadores, mas as chances eram pequenas.

As chances matemáticas acabaram na 36ª rodada, contra o Sport, na Arena Pernambuco. O Fluminense empatou por 2 a 2 e deu “tchau” ao G-4. Mesmo sem pretensões, a equipe tinha mais dois jogos pela frente. O primeiro, contra o Corinthians, já garantido na Libertadores 2015. E o Fluminense não teve piedade. Saiu atrás, mas venceu por 5 a 2. Mas nem tudo são flores. Ao fim da partida, Fred declarou que muitos jogadores tinham futuro incerto, alguns já haviam se despedido do grupo, e que ele tinha 20 meses de direitos de imagem atrasado – e que outros jogadores também tinham dívidas. O atacante reclamou também de um protesto feito nas Laranjeiras dias antes do jogo, em que torcedores pediram a morte do camisa 9, e da imprensa. Por fim, na 38ª rodada, o Fluminense perdeu para o bicampeão Cruzeiro, no Mineirão.

Melhor jogo: Fluminense 5x2 São Paulo, 6ª rodada do Brasileirão

Na 6ª rodada do Campeonato Brasileiro, o Fluminense buscava se recuperar de uma derrota para o Grêmio, no Rio Grande do Sul, na 5ª rodada. Diante do São Paulo, um adversário direto na tabela, o tricolor carioca surpreendeu o paulista e goleou o rival, com Walter sendo o destaque.

Pior jogo: Fluminense 2x5 América-RN, oitavas de final da Copa do Brasil

Após vencer a partida de ida em Natal por 3 a 0, o Fluminense, acomodado, tinha uma vantagem a administrar no Maracanã. Foi para o intervalo vencendo por 2 a 1, aumentando sua vantagem construída em Natal, mas na etapa final o Tricolor viu o América dominar, levou quatro gols e terminou eliminado. A crise rondava as Laranjeiras.

Melhores jogadores

Conca: Sempre regular, esteve presente em quase todos os jogos do Fluminense no ano. Sempre com muita dedicação, Conca mostra porque é ídolo do clube jogo a jogo. Em alguns jogos brilhou, em outros não muito, mas sempre é fundamental no meio campo do Fluminense. Além das assistências, em todos os torneios foi um dos principais artilheiros do clube. No estadual, marcou quatro vezes, ficando atrás de Wagner e Fred (5) e Walter (6); na Copa do Brasil, marcou três vezes, mesmo número de Cícero, e um gol a menos que Fred (4); no Brasileirão, marcou nove vezes, atrás somente de Fred (18).

Wagner: Camisa 10 da equipe, Wagner começou a temporada sendo reserva, muitas vezes utilizado como o 12º jogador da equipe. Com muita vontade de boas atuações, foi um dos artilheiros da equipe no estadual com cinco gols - mesmo número de Fred - e ambos atrás somente de Walter (6). No Brasileirão, o meia jogou quase todos os jogos e marcou sete gols. Ganhou a vaga de titular após a chegada de Cristóvão Borges, tornando-se um dos mais regulares e peça fundamental na equipe.

Fred: Começou o ano mal após longo período lesionado, mas se recuperou, principalmente depois da chegada de Cristóvão antes da Copa. Após o Mundial, foi o artilheiro da equipe na Copa do Brasil com quatro gols, e do Campeonato Brasileiro com 18 gols, dando a volta por cima na temporada. Foram 27 gols no ano.

Piores jogadores

Fabrício: Foi contratado na metade da temporada, mas não vingou. Teve péssima atuação num dos maiores vexames do time na temporada, na goleada sofrida contra o América-RN, no Maracanã, em que causou a eliminação do clube. Foi alvo de muitas críticas e chegou a ser afastado do elenco. Sempre que jogou, foi inseguro.

Carlinhos: Lateral-esquerdo titular no início da temporada, foi perdendo espaço com a chegada de Cristóvão Borges. Com as lesões sofridas, viu Chiquinho ser improvisado na posição e cair no gosto do treinador. Além disso, o jogador fez corpo mole em algumas partidas devido ao futuro incerto de seu contrato com o clube. Antes do fim do Brasileirão, já tinha anunciado sua saída do clube no fim da temporada. Foi uma das maiores decepções, já que em quatro anos de Fluminense sempre foi titular absoluto.

Elivélton: Outro que começou a temporada de titular, perdeu o espaço com a chegada do zagueiro Henrique na janela do meio do ano. A contratação do zagueiro foi justamente porque a zaga não estava segura com ele de titular. Em outras oportunidades que jogou durante o ano, não mostrou boas atuações e viu Marlon, outro cria de Xerém, crescer e mostrar mais segurança.

Rompimento entre parceria Unimed e Fluminense após 15 anos

A Unimed chegou a estampar a sua marca nas camisas do Fluminense ainda em 1998, no jogo que marcou o rebaixamento do Fluminense à Série C, que foi conquistada em 1999. O tricolor Celso Barros, presidente da empresa de planos de saúde, tinha em mente em levantar o seu clube do coração e a sua empresa. O negócio era como se fosse uma troca em que ambas as partes ganhavam. E deu certo.

O contrato dizia que o término da relação era para terminar em dezembro de 2016, mas todo fim de ano a parceria era avaliada e o fim chegou um ano antecipado. Em meio à crise financeira, a Unimed sofria pressão de opositores, e a possibilidade de permanecer no Fluminense e outro patrocínio ocupar espaço na camisa chegou a ser cogitada, já que aliviaria os cofres da empresa. Algo raro, já que desde 1999 a empresa era o patrocinador máster do clube e nunca aceitou outro patrocinador ocupar a camisa. Entretanto, houve um impasse: Celso queria 50% do valor do novo patrocínio máster do clube.

O impasse atrapalhou as negociações. Em crise financeira, a ideia era investir entre R$ 15 milhões a R$ 25 milhões no clube. Já estava decidido que Celso ajudaria na contratação de reforços. Sua responsabilidade seria apenas honrar os pagamentos que já faz aos medalhões, casos de Fred e Conca, cujo Celso pagava entre 50% a 80% do salário e direitos de imagem.

A parceria entre Unimed e Fluminense rendeu bons frutos. Foram quatro títulos nacionais: Série C (1999), Série A (2010 e 2012) e a Copa do Brasil (2007) e três estaduais (2002, 2005 e 2012), além dos vice-campeonatos na Copa do Brasil (2005), Libertadores (2008) e Sul-Americana (2009). Jogadores de nomes como Romário, Edmundo, Washington "Coração Valente", Deco, Belletti, Thiago Silva, Fred e Conca, foram contratados, além de treinadores como Parreira, Muricy Ramalho e Abel Braga.

Jogadores com fim de contrato em dezembro

Sem a Unimed, o Fluminense se prepara para perder alguns jogadores. Carlinhos, lateral-esquerdo, que estava no clube desde 2010, acertou sua transferência para o São Paulo. O jogador tem seu vínculo terminado em dezembro, assim como Diguinho e Valencia, que deixam o clube para procurar espaço em outro lugar. Outro que deixou o clube foi o lateral-direito Bruno, que fará companhia a Carlinhos no tricolor paulista.

O Fluminense busca agora renovar com o goleiro Diego Cavalieri e o zagueiro Gum. O contrato de ambos termina agora em dezembro. O goleiro tem mercado e vários clubes estão monitorando a situação do camisa 12.

Jogadores com contratos em vigor com a Unimed

Celso Barros garantiu que, apesar da parceria com o Fluminense ter chegado ao fim, honrará os pagamentos com os jogadores que tem contrato com a empresa até o fim do vínculo. Casos dos medalhões como Conca, Fred, Wagner, Cícero, Sobis e Walter. Entretanto, existe a possibilidade de que alguns desses jogadores deixem o clube. Rafael Sobis busca uma rescisão contratual amigável com o clube e Fred tem sido procurado e monitorado por muitos clubes.

Expectativa para 2015

A expectativa do Fluminense para 2015 será sobreviver em um ano que promete ser um caos. Com a saída da Unimed antes do fim do ano, a diretoria tricolor já acertou com um novo patrocínio master, a empresa Viton 44, dona das marcas Guaraviton e Guaravita, que pagará cerca de R$ 14 milhões. São R$ 11 milhões a menos do que a Unimed estava disposta a pagar. O Fluminense ainda busca patrocínios para colocar na manga, ombros, números e calção, tudo isso para superar o que a Unimed investiria no clube.

Sem a Unimed, jogadores como Conca, Fred, Wagner, Cícero, Sobis e Walter correm o risco de deixar o clube a qualquer momento, mesmo que a empresa tenha garantido que vai honrar os contratos dos atletas.

Carlinhos, que não renovou o contrato, acertou com o São Paulo em transferência gratuita. Outro que deixou o clube e fará companhia a Carlinhos é o lateral-direito Bruno. Ambos foram os laterais da conquista do tetracampeonato brasileiro do Fluminense em 2012. Diguinho e Valencia também deixaram o clube, pois não tiveram os seus contratos renovados. Em meio a esse vai e vem, o Fluminense já acertou a renovação do técnico Cristóvão Borges.

Análise final

Faltou organização e um planejamento melhor ao Fluminense em 2014. Contratou bons jogadores, casos de Conca, Walter e Cícero, que se juntaram a bons jogadores como Cavalieri, Wagner, Fred e Sobis, mas a equipe não vingou. Em um momento no ano parecia que vingaria e o Fluminense brigaria por coisas grandes, mas no final da temporada ficou sem tudo que almejou.

Brigas internas entre o presidente do clube e da patrocinadora atrapalharam. Queda de braço para contratar e demitir treinador, para renovar ou não contratos, inúmeras trocas na direção do clube, uma verdadeira bagunça devida a falta de planejamento da diretoria. Toda essa falta de organização atrapalhou o trabalho de Cristóvão Borges, que em certo momento, havia conseguido organizar a equipe e fazê-la jogar um futebol de grande nível, fazendo com que o Fluminense fosse apontado por muitos como um dos favoritos. Atrasos no pagamento dos atletas também atrapalhou.

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