Após crise administrativa e rebaixamento, Bahia almeja título regional para reconstrução
(Fotomontagem: Rodrigo Rodrigues/VAVEL Brasil)

Os anos de 2013 e 2014 devem ser esquecidos no Bahia. O tricolor passou por problemas administrativos, eleições emergenciais e até presidente tampão. Como resultado, campanhas ruins que culminaram no rebaixamento à Série B do Campeonato Brasileiro. Na temporada 2015, o time deseja se reerguer logo para estar na elite do futebol brasileiro no ano que vem.

Contudo, antes do Brasileirão, o Tricolor da Boa Terra tem duas decisões em 10 dias. O clube disputa a final do Campeonato Baiano e da Copa do Nordeste. O começo não foi bom em ambas as competições. No Estadual, derrota acachapante por 3 a 0 ante o Vitória da Conquista. No Regional, outro revés: 1 a 0 para o Ceará diante de 40 mil torcedores na Fonte Nova.

Mesmo com a desvantagem, o elenco acredita que nem tudo está perdido. A imponência, a tradição, aliada a uma das maiores e mais apaixonadas torcidas do Nordeste podem fazer a diferença para o tricampeonato regional do Tricolor. No especial que a VAVEL Brasil publica, veja o histórico de participações do Esquadrão de Aço no Nordestão.

1994-1999: quatro semifinais, nenhum título

Como tradicional equipe da região, o retorno de uma competição voltada apenas para os clubes do Nordeste foi vista com bons olhos. Além de aumentar a rivalidade, uma boa preparação para outras competições e elevação de renda foram pontos considerados como positivos. Por isso, o Nordestão veio em 1994. E desde seu início o Bahia figurou entre os melhores.

Na edição de 1994, o Bahia disputou a primeira fase no Grupo A e ficou na segunda colocação, atrás apenas do Botafogo-PB. A campanha de três empates em três jogos foi igual ao CSA, mas o saldo de gols era o primeiro critério de desempate e o Tricolor levou a melhor, mas não foi muito adiante. Nas semifinais, a equipe foi eliminada pelo Sport nas penalidades máximas. Na disputa de terceiro lugar, o Bahia venceu o extinto Cruzeiro-AL por 6 a 0.

Em 1996, o time teve um aproveitamento melhor, mas os resultados finais não foram satisfatórios como o esperado. Na primeira fase, a equipe venceu quatro de seis jogos, ficou no topo do Grupo A. A segunda fase também foi disputada em sistema de grupos e apenas os líderes eram classificados à decisão. O Bahia ficou atrás do Vitória por dois pontos e não conseguiu chegar à final. O fato se repetiu ainda em duas edições da competição regional na década de 1990, com dois vice-campeonatos.

Em 1997, o Bahia chegou mais uma vez às fases mais decisivas do regional. Em uma edição totalmente recheada de mata-mata, o Bahia passou por CRB, Fluminense-BA e Sport para disputar mais uma decisão contra o arquirrival Vitória, a primeira em uma competição que não fosse o Campeonato Baiano. Melhor para o Leão da Barra, que venceu por 4 a 2 no placar agregado e conquistou o segundo Nordestão de sua história.

Dois anos mais tarde, o fato se repetiu. A fase de grupos voltou a ser disputada e o Bahia ficou na primeira colocação do Grupo C, com 12 pontos ganhos. No mata-mata, o Esquadrão de Aço venceu o América-RN, derrotou o CSA nas semifinais e encarou o arquirrival mais uma vez na decisão. Pela segunda vez em duas decisões entre os principais clubes do estado da Bahia, o rubro-negro levou a melhor. Venceu o primeiro jogo por 2 a 0, mas perdeu o segundo por 1 a 0 e, mesmo assim, conquistou o tricampeonato do certame.

Bicampeonato no começo da nova década

As duas últimas edições do Campeonato do Nordeste da década de 2000, interrompida pela determinação abrupta da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) em modificar o calendário brasileiro e adotar o sistema de pontos corridos para as principais divisões do Brasileirão, foram marcadas por dois títulos do Bahia, únicas conquistas regionais do Tricolor na história do torneio.

Em 2001, a competição foi disputada em sistema de pontos corridos. Depois, as quatro melhores colocadas disputavam as semifinais. O Bahia encerrou a participação como segundo lugar, dois pontos atrás do Náutico. Nas semifinais, o adversário foi o Fortaleza, em jogo único: vitória por 2 a 1 e o adversário na decisão seria o Sport. No confronto ante um oponente de edições anteriores, o Tricolor manteve o bom retrospecto e conseguiu impor mais um triunfo. Ao vencer por 3 a 1 na Fonte Nova, o Bahia conquistou o primeiro título regional de sua história.

No ano seguinte, o time naturalmente foi posto como um dos favoritos para conquistar o bicampeonato. A fórmula de disputa foi a mesma de antes. O time novamente ficou na segunda colocação, mas dessa vez oito pontos atrás do arquirrival Vitória. Nas semifinais em dois jogos, o Bahia levou a melhor ao vencer o Náutico no placar agregado por 1 a 0. Na final, novamente o Leão da Barra e o maior clássico baiano seria disputado pela terceira vez na história da competição. Enfim, o time pôde dar o troco. Com vitória por 3 a 1 e empate por 2 a 2, o Tricolor da Boa Terra conquistou o bicampeonato.

Duas eliminações na primeira fase no retorno da competição

Após uma união de mandatários, a Copa do Nordeste foi disputada de forma experimental em 2010. Um bom retorno, tanto por críticas como em aspecto financeiro e visibilidade, foram determinantes para que o Nordestão fosse realizado de forma consecutiva, com o mesmo propósito de fortalecer os clubes e a rivalidade estadual e regional no começo das temporadas. Foi assinado um contrato de 10 anos ininterruptos para a realização do principal torneio da região, e os resultados são vistos com a boa repercussão nacional.

Para o Bahia, porém, as campanhas não foram boas. Eliminações consecutivas na primeira fase ajudaram a criar um ambiente turbulento e tenso no clube. Em 2013, o clube esteve no mesmo grupo que Ceará, ABC e Itabaiana. O Tricolor somou oito pontos em seis jogos, com dois empates, duas vitórias e duas derrotas. Como as equipes alvinegras do grupo somaram 10 pontos, a eliminação ainda na fase de grupos foi considerada como uma zebra.

No ano seguinte, a situação se repetiu. Sorteada no Grupo B, a equipe teve confrontos contra equipes tradicionais e não se deu bem. Em uma chave composta por CSA, Santa Cruz e Vitória da Conquista, o Azulão e o Tricolor do Arruda avançaram com 11 pontos. O Bahia, após começar a competição derrotado por uma goleada sonora e atuação apática e irreconhecível por 4 a 1 ante o CSA em Maceió, oscilou consideravelmente. Quando esboçou uma reação, foi tarde demais.

2015: recomeço

A campanha em 2015 foi diferente dos anos anteriores. Ainda que combalido, o time totalmente cercado de dúvidas e críticas fez valer a tradição conquistada ao longo de sua história para fazer uma boa campanha até chegar na decisão. No torneio que contou com o retorno de equipes do Maranhão e do Piauí, o que não acontecia desde a Taça Nordeste, em 1971, o Tricolor disputou a primeira fase no Grupo E, com CRB, Campinense e Globo.

Na primeira fase, os 12 pontos somados classificaram o Esquadrão com uma rodada de antecedência na liderança absoluta da chave. Nas quartas de final, mais dois confrontos contra os paraibanos, adversários da primeira fase. Em partidas equilibradas, disputadas e difíceis, o Esquadrão levou a melhor ao vencer no placar agregado por 1 a 0.

Nas semifinais, mais um encontro diante do Sport. Muita disputa, como esperado. Após um empate sem gols no primeiro confronto, realizado na Ilha do Retiro, a Fonte Nova recebeu mais um duelo cheio de polêmicas e muita discussão. Em campo, um jogo acirrado e movimentado terminou com triunfo tricolor por 3 a 2, o que garantiu mais uma decisão ao Bahia.

Na decisão, o primeiro confronto contra o Ceará foi realizado na Arena Fonte Nova, com 40 mil pessoas. Ainda assim, o Alvinegro de Porangabuçu foi arisco e conseguiu largar na frente ao vencer por 1 a 0, com gol de Ricardinho. O segundo confronto entre as equipes será realizado às 22 horas desta quarta-feira (29), na Arena Castelão. O Bahia terá que se desdobrar e surpreender para conquistar o tricampeonato e voltar a ter a hegemonia regional.

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