Presidente da CBF critica manifestação de árbitros em partidas do Brasileirão
Foto: Rafael Ribeiro/CBF

Presidente da CBF critica manifestação de árbitros em partidas do Brasileirão

"Eu tinha dito que não era o momento oportuno para isso", rechaçou Marco Polo Del Nero

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Luís Francisco Prates

Nesta quinta-feira (13), dia em que os árbitros se reunirão para discutir a ideia de greve, o presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, criticou a manifestação feita pela categoria na noite de quarta-feira (12). Antes do início das partidas da 18ª rodada da Série A, os juízes fizeram um minuto de silêncio e, perfilados no centro do gramado, protestaram contra o veto da presidente Dilma Rousseff ao item da MP do Futebol que permitiria aos árbitros o repasse de 0,5% dos direitos de transmissão dos jogos.

No momento em que foi feito o minuto de silêncio, o quarto árbitro levantou uma placa com os números 0 e 5, em alusão ao percentual do artigo proibido pela petista. A Associação Nacional de Árbitros de Futebol (Anaf) agora discutirá junto aos árbitros novas para manifestações, incluindo a possibilidade de paralisação das atividades, fato que poderia comprometer a rodada das quatro divisões do Brasileirão no final de semana.

Insatisfeito com o panorama, Marco Polo Del Nero rechaçou o protesto da arbitragem, embora não tenha considerado as atitudes como rebeldia. O dirigente falou sobre o ocorrido após a entrevista coletiva do técnico Dunga, que anunciou os convocados para os amistosos contra Costa Rica e Estados Unidos, a serem disputados nos dias 5 e 8 de setembro, respectivamente. "Eu tinha dito que não era o momento oportuno para isso. Mas não vejo como rebeldia", comentou.

O mandatário informou que discutirá o assunto com a diretoria da Confederação Brasileira de Futebol e com a Comissão de Arbitragem da entidade. "Vamos analisar em conjunto com a Comissão de Arbitragem", disse. Del Nero já debatera o tema com representantes dos árbitros na sede da CBF, no início desta semana.

Sérgio Corrêa, presidente da Comissão de Arbitragem da CBF, revelou que o presidente do carro-chefe do futebol brasileiro entende a manifestação como justa, mas não vê os jogos do Campeonato Brasileiro como locais apropriados para tal. "Eles estiveram aqui na segunda-feira, através do Péricles Bassols e de Marcelo de Lima Henrique (diretores da associação de árbitros), para apresentar alguns assuntos inicias e descartaram a greve. O presidente colocou para eles que é frontalmente contra a manifestação e pensamos isso após o que ocorreu ontem", afirmou em entrevista ao portal UOL Esporte.

"Não se deve misturar política com futebol ali no campo de jogo. O doutor Marco Polo deixou isso muito claro. Ele entende que a manifestação é justa, mas nos locais adequados. Se eles buscarem no Congresso ou no Senado, respeita-se o resultado. Se não conseguiram o que queriam, buscam o veto. Isso faz parte. Mas a coisa não pode ser no meio da rodada", completou.

Sobre a possibilidade de punição aos árbitros que participaram dos protestos e aos que contribuírem com novas manifestações, Corrêa foi enfático. "Não vamos punir simplesmente pela manifestação, apenas se extrapolarem a regra do futebol. Acho que não atrasaram os jogos, não causaram problemas maiores. Foi tudo dentro da legalidade. Iremos analisar depois, com calma e cabeça fria", explicou.

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