Com interesse do Fenerbahçe, Fred garante permanência: "Estou muito bem no Fluminense"
Fred comemorando seu gol contra o Avaí (Foto: Divulgação/Fluminense FC)
Fred na Rádio Globo (Foto: Reprodução/Instagram)

O atacante Fred foi o convidado do programa "Futebol de Verdade", da Rádio Globo, nesta segunda-feira (23). O camisa 9 do Fluminense falou sobre diversos assuntos, entre eles: Seleção Brasileira, rivalidade com Vasco, o Botafogo campeão da Série B, o clássico espanhol entre Barcelona e Real Madrid, a temporada do Fluminense, a preparação do clube para 2016, Ronaldinho Gaúcho e o interesse do Fenerbahçe, da Turquia.

Desde 2009 no clube, Fred já recebeu diversas propostas desde que chegou. Todo ano existe especulação de que o atacante deixará as Laranjeiras. O Fenerbahçe já demonstrou interesse no atacante para substituir nada mais e nada menos do que o holandês Van Persie. Entretanto, o ano de 2015 foi, talvez, foi o ano em que o laço entre Fred e Fluminense ficou mais forte. Apesar da saída da antiga patrocinadora, a Unimed, o camisa 9 renovou com o tricolor e diz que pretende se aposentar no clube.

"Estou muito bem no Fluminense. Meus planos são de permanecer aqui para sempre", declarou o recém-casado Fred, que recentemente, em entrevista para o site oficial do clube, declarou ser tricolor de coração e que ama o clube.

"Tricolor de coração. Tenho carinho por todos os clubes pelos quais passei. Hoje posso afirmar com toda certeza do mundo que não terá nenhum onde tive a entrega, experiências, aprendizados, coisas boas e ruins, nada vai chegar perto do que passei no Fluminense. Cada pedacinho foi muito intenso. Não sei se estou exagerando quando tive esses momentos, mas nada vai se comparar ao que vivi e continuarei vivendo no Fluminense. Nada. Amo este clube", disse.

Fred ao lado de Paula Armani durante seu casamento realizado em Belo Horizonte (Foto: Reprodução/Instagram)

Se Fred tem um casamento antigo com o Fluminense, recentemente o atacante tricolor casou-se com a publicitária Paula Armani e deixou o time dos solteiros. É claro que o camisa 9 também falou sobre isso.

"Acho até que demorei muito a casar. Minha filha tá adorando. Também tenho um relacionamento muito bom com minha outra esposa. Foi uma galera do Fluminense ao casamento", comentou.

O ano de 2015 foi especial para Fred. O atacante renovou com o clube mesmo após a saída de Unimed, se manteve blindando o elenco e chamando toda a responsabilidade nos momentos de pressão como faz há anos e se consolidou de vez como grande ídolo. No último fim de semana, o camisa 9 se tornou o quinto maior artilheiro do Fluminense ao marcar contra o Avaí, chegando a 161 gols. Mas o ano de 2015 não foi tão bom para o Fluminense como foi pra Fred. O clube viveu altos e baixos. No melhor momento do ano, contratou Ronaldinho Gaúcho e, justamente após a chegada dele, caiu de rendimento e desceu na tabela do Brasileirão.

Fred e Ronaldinho juntos em campo na vitória contra o Figueirense; Gol de Fred decidiu o jogo (Foto: Divulgação/Fluminense FC)

"Ele sabe disso, o torcedor sabe disso, a gente sabe disso. Não foi da forma que a gente esperava. Não tínhamos um camisa 10. Faltava um camisa 10. A expectativa nossa é que ele iria criar, deixando a gente na cara do gol. A bola parada dele é muito forte. Ele não teve pré-temporada, não teve tempo para se preparar", disse.

Logo em seguida, perguntado sobre a possibilidade de R10 jogar pelo Flu na pré-temporada na Flórida Cup, nos Estados Unidos, Fred se mostrou contrário: "Sinceramente eu acho que não (é bom). Lá é pré-temporada pra gente. Vai ser trabalho mesmo", completou.

Perguntado sobre o ano do Fluminense, o atacante foi direto e disse que a imaturidade do elenco prejudicou o tricolor.

"(O Fluminense) foi um time que tinha que agredir mais o adversário, lutar pelo espaço no campo. Pelo espaço você tem que lutar, duelar e buscar sempre. Pela imaturidade dos nossos jogadores, principalmente os mais jovens, o nosso perfil foi esse. Vários jogos a gente ganhando e para matar o jogo, a gente tomava um gol e era um desespero. Ontem o jogo estava muito fácil. Fizemos um gol de bola parada que definiu. Ao invés de continuar, demos a bola para o Avaí. Eles cresceram e perdemos a confiança. Pra recuperar, nosso perfil falha muito nisso. Falta jogadores de peso. Se está ruim para ganhar, vamos pra pancada", disse.

O camisa 9 disse também que o Fluminense precisa de mais jogadores experientes para que nos momentos difíceis possam brigar, discutir e proteger os mais jovens da pressão.

"Eu tenho uma relação lá muito forte. Tenho um pouco de liderança que olham pra mim e confiam um pouco. Jogamos contra o Vasco e vencemos dando chocolate. O que mais pesa é ter uma referência. Olham para mim e tem, não só como centro-avante, mas personalidade. Quando está bem, eles fazem coisas abusrdas, os jovens, mas quando está mal é pouco mais complicado. Por isso tem que ter mais da gente, os mais velhos, deixar eles um pouco mais do lado. É hora da gente chamar. E nessas horas não tivemos tantos desse tipo de jogadores. Hoje olhamos para o Fluminense e vemos muitos jovens", afirmou.

A grande relação entre Fred e Fluminense ao longo desses anos transformaram o atacante numa peça fundamental no planejamento da temporada do clube. Após a saída de Cristóvão Borges e Ricardo Drubscky no Campeonato Carioca, o camisa 9 foi responsável pela contratação do técnico Enderson Moreira, cujo qual tem uma amizade, para o início do Campeonto Brasileiro. Fred comentou sobre as trocas de treinadores do Fluminense na temporada (Eduardo Baptista é o quarto treinador no ano, média de um técnico a cada 3 meses).

"Só existe a troca quando não dá certo na visão de quem comanda o clube. Então os resultados não estão aparecendo. Isso é do Brasil Quando aperta, troca treinador. A gente não tinha constância. Partida lá em cima, partida lá embaixo. Nos momentos mais cruciais, mais decisivos, a gente sempre pecava nos detalhes e isso faz diferença. É do perfil do nosso plantel. Hoje temos quase todos os jogadores chegaram como aposta e muitas apostas criadas em Xerém. Muitos deram certo. Foi bom pra gente, mas dentro do que estava programado, da expectativa do ano para o nosso time, nosso ano foi bom, analisando de fora para dentro. Mas o que vivi no primeiro turno e terminar assim não foi bom, foi preocupante e eu fico muito triste", comentou.

É difícil de imaginar o time do Fluminense sem Fred. Desde 2009 no clube, a equipe se acostumou a jogar para o camisa 9. Então, quando o atacante não joga, fica a incógnita de como escalar o time sem Fred. Mas, ele é mais do que o centroavante da equipe, é o capitão, tem uma relação e uma responsabilidade muito grande no vestiário. Faz falta fora de campo também. Contra o Vasco, sem o centroavante, o esquema de Eduardo Baptista deu certo e o Fluminense saiu vitorioso. Fred assistiu o jogo do camarote e chegou a marcar presença no vestiário para apoiar os companheiros.

"Algumas vezes mudou. Deu certo contra o Vasco, um jogo especial nosso, muito bom. O que eu sinto dentro do nosso vestiário, e eu posso expor, é o perfil de jogador. A gente não tinha. Se tiver errado, deixava. Até tentava, o Gum tentava, mas eles não têm esse perfil de falar muito. A gente tem que discutir lá dentro, o que está dando errado, dando certo. Se baterem o escanteio e alguém subir sozinho, chama atenção, discute. É o jeito do nosso time, que aceitava tanto pro bem quanto pro mal. Faltava alguém para fazer uma gritaria lá", disse.

Fred comemorando a vitória do Fluminense contra o Vasco; atacante estava machucado mas marcou presença no camarote para torcer pelo Flu (Foto: Reprodução)

O ano de 2015 aumentou a rivalidade entre Vasco e Fluminense. Desde o início do ano, quando Eurico Miranda retornou a presidência em São Januário, houve discussão com o Tricolor sobre a questão do lado da arquibancada no Maracanã. Os vascaínos, por sua vez, ainda tiveram o apoio do presidente da FERJ. Agora, sem risco de queda no Brasileirão, o Fluminense pode ser responsável pelo destino do Vasco. Na última rodada, o Tricolor enfrenta o Figueirense em Florianópolis. Fred, um dos grandes alvos dos vascaínos, principalmente do capitão Rodrigo, falou sobre comentarem que o Fluminense pode entregar o jogo para prejudicar o rival.

"Quem está acostumado a ganhar, quem tem caráter, com certeza não vai entrar para entregar um jogo. É nossa honra. Nós, que representamos milhões de torcedores, a camisa do Fluminense, não vamos entrar para beneficiar alguém. Esquecemos os nosso problemas em campo... Ontem (domingo) o Corinthians aplicou 6 a 1 no São Paulo com o time reserva e antes do jogo vários críticos diziam que não podia dar férias, que pode prejudicar e vai facilitar pro São Paulo. É reflexo de muita coisa do Brasil de forma geral. Ninguém vê o que está errado em seu próprio clube. Estou dependendo de outro, então se não fizer o que me favorece estão agindo de má fé. Isso existe muito. Ai vem mala branca, mala preta..."

A situação do Vasco na tabela é complicada. Com grande risco de rebaixamento, a situação lembra a do Fluminense de 2009. Fred foi um dos grandes responsáveis por manter o Flu na Série A e reverter aquela situação. O atacante comentou sobre as situações serem parecidas.

"Bem parecida (com a situação do Flu em 2009). A situação geralmente é igual. O time nessa situação de brigar lá embaixo e faz uma força enorme para sair. Quando você ganha, seus adversários ganham. Você vem numa sequência de três resultados bons, aí perde uma e volta. Vi os melhores momentos e foi bem complicado. Dos quatro que brigam para não cair, a situação do Vasco é a mais difícil. Lembra muito nossa situação. Fizemos um campeonato muito ruim. Eles têm uma sequência boa, o que dificulta é que antes dessa sequência foi muito ruim", lembrou.

Se a situação do Vasco não é nada boa, a situação do Botafogo é. O alvinegro conquistou o título da Série B antecipadamente e Fred se mostrou feliz pela conquista, principalmente por ter amizade com alguns jogadores do plantel botafoguense.

"Feliz pela campanha do Botafogo, mais feliz pelo Ricardo Gomes, profissional diferenciado e como ser humano exemplo para muitos. Feliz pelo Jefferson, vemos ele lutando pelo Botafogo, se entregando de corpo e alma. Parabenizar a todos, principalmente os destaques, que para mim foram o Neilton e o Willian Arão", declarou.

Saindo do assunto do futebol nacional, o jogador foi perguntado também sobre o futebol internacional. Quando questionado sobre "Barcelona ou Bayern de Munique?", o camisa 9 escolheu o clube catalão e explicou a escolha.

"Prefiro o Barcelona porque tem quatro jogadores impossíveis de marcar, gênios. Iniesta, Suárez, Neymar e Messi."

Amigo de Neymar, Fred já atuou com o craque na Seleção Brasileira, e comentou sobre o sucesso do craque na Europa: "Neymar sempre foi craque. No Santos, na Seleção e no Barcelona, mas está muito mais coletivo no Barcelona. A evolução do Neymar tá absurda. E a maior estrela é o Messi e é o que joga mais simples e objetivo possível, então não tem como fazer diferente dessa simplicidade. O Neymar evoluiu muito, sempre foi craque, mas no Barça está muito mais coletivo", disse.

Sobre a goleada do Barcelona no Real Madrid no último fim de semana, Fred comentou e comparou com a tragédia contra a Alemanha na Copa do Mundo.

"Ouvi entrevista de jogares, o Marcelo, dizendo que a tática do Real não deu certo. Optaram por pressionar o Barcelona. Num espaço de dois metros, o Barcelona se livra de 20 marcadores. Foi uma tática suicida. Na Copa, contra a Alemanha pensamos: estamos em casa, vamos pra dentro. Não dá. Em campo, nós jogadores tínhamos que ver. A posse de bola é deles, deixa eles jogarem", afirmou.

Após a tragédia do 7 a 1 da Alemanha sobre o Brasil na Copa do Mundo, Fred terminou como um dos grandes vilões para a torcida. O camisa 9 comentou como se recuperou dessa difícil situação.

"Eu peguei minha esposa e fui para os Estados Unidos. Fiquei 10 dias. Pedi ao Fluminense no mínimo 20 dias para me recuperar mentalmente. Fiquei muito mal. Minha família sentiu muito. Tive sensação de que aqui no Brasil tinha acabado para mim. Ouvi muito isso. Fiquei 7 dias fora, 3 dias na roça. O treinador e o presidente disse que era para eu voltar quando estivesse bem. Com 10 dias ja estava desesperado para voltar a treinar. Parecia que eu era filho do Fluminense, quando eu voltei. Depois teve aquelas lembranças quando eu ia ao estádio, me chamando de cone. Foram muitas pancadas, tiveram muito críticas a mim. Mas consegui assimilar as pancadas. Sou muito grato ao Fluminense", disse.

Fred foi um dos "vilões" do Brasil na Copa do Mundo (Foto: Getty Images)

Fora da lista de Dunga desde quando o técnico assumiu o comando da Seleção após a Copa do Mundo, Fred disse que preferia o Tite, atual técnico do Corinthians, no comando da canarinho.

"Na minha opinião era para ser ele logo depois da Copa, quando criou-se uma discussão entre ele e o Muricy. O Tite taticamente demonstra que evolui demais as equipes dele", explicou.

Centroavante clássico, Fred comentou sobre a situação dos camisas 9 no Brasil, elogiou o artilheiro do Brasileirão, mas disse que a situação para os centroavantes, no momento, não é boa.

"Hoje o Ricardo Oliveira tá muito bem fazendo gols. Ele jogou contra a Argentina, o time do Brasil não jogou e fica parecendo que a culpa foi dele. Eu sinto que o momento não está muito bom para centroavante", disse.

Confira mais trechos da entrevista de Fred:

Sacrifício contra o Palmeiras na Copa do Brasil

"Tive muita dor. Foi um trabalho sensacional do DM. Mas quem me viu, viu que eu tava mancando e sem condições. Estava com muita dor. Tentei anestesiar o joelho, mas com 10 minutos do segundo tempo estava com muita dor, sem apoio nenhum. Minha perna atrofiou muito. Fiquei uma semana sem fazer nada e pela lesão eu perdi muita força"

Preocupação com rebaixamento neste ano

"Eu estava muito preocupado ontem porque a gente tava tentando tirar alguma coisa a mais do nosso time e a gente não conseguia. Eu tava desesperado, mas era uma forma de querer tirar algo a mais de alguém. Quando subimos, tivemos 15 rodadas muito fortes. Quando a gente caiu, não ganhamos mais. Não temos essa maturidade de fechar, esperar aparecer um gol. A gente ficou muito pouco com a bola nesse campeonato"

Mais quanto tempo de carreira?

"Acho que meu corpo suporta bem mais 3 ou 4 anos. O desgaste é muito grande, principalmente emocional. Até mais que físico. Tenho como meta mínimo de 25, 30 gols por ano. Acho que é uma média boa"

Reforços para 2016

"Precisamos de alguns reforços pontuais. O Corinthians é campeão e vai fazer no mínimo 4 reforços pontuais. A gente nesse situação é impossível não fazer. Precisamos de jogadores mais calejados. Tivemos o Scarpa que foi revelação, Marcos Junior, Marlon, Léo Pelé. Mas acho que precisamos de reforços pontuais para não sofrermos tanto em momentos decisivos como nesse ano"

Copa Sul-Minas-Rio

"A ideia me agrada muito. Vimos no carioca algumas coisas que desagradaram muito a todos, que não tinham a ver com futebol, mas com interesses pessoais. A gente estacionou numa situação precária, que deixou nosso campeonato desprestigiado. Não só o Fluminense foi prejudicado. O campeonato foi prejudicado. Se você prejudica duas grandes equipes que seguram o campeonato também, você prejudica o campeonato. Foi uma falta de manejo muito grande da parte de quem organiza o carioca"

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