Grêmio 2015: de Felipão a Roger, o resgate da temporada e o desejo de continuidade
Grêmio 2015: De Felipão a Roger, o resgate da temporada e o desejo de continuidade

O Grêmio termina o 2015 como terceiro colocado do Campeonato Brasileiro, com vaga na próxima Copa Libertadores da América. Quem dos gremistas imaginaria tal colocação no torneio por pontos corridos, quando jogam todos contra todos, se levarem em consideração o início catastrófico da temporada?

Nessa retrospectiva, a VAVEL Brasil relembra todos os principais pontos do ano do Tricolor gaúcho, destacando os melhores e os piores jogos e jogadores. Acompanhe como foi a jornada gremista de Luiz Felipe Scolari a Roger Machado. Do receio de um rebaixamento ao sonho de voltar a conquistar a Libertadores.

Começo do ano terrível e estagnação com Felipão

Felipão não conseguiu aumentar seu número de títulos com Tricolor (Foto: Lucas Uebel/Grêmio)

Desde os amistosos de preparação, com placares magros, os prognósticos já se desenhavam ruins. Ao iniciar o Gauchão, então, tudo piorou e a aproximação com o inferno já queimava os mais pessimistas. Foram derrotas para equipes do interior, como Aimoré, fora de casa, e Veranópolis, dentro da Arena. Na iniciada política de conter gastos, proposta pelo presidente Romildo Bolzan Jr, a fragilidade de elenco gritava com as saídas do capitão e artilheiro Hernán Barcos, do também delantero Marcelo Moreno e do xerife da defesa, Rhodolfo.

As vindas foram do volante, que acabou consagrando-se na lateral-esquerda do ano, Marcelo Oliveira, além do retorno do meia Douglas, contestado mas dono da camisa 10. Ele já havia jogado no Grêmio no biênio 2010-2011. Ex-Flamengo, pintou na equipe o zagueiro equatoriano Frickson Erazo, para fazer dupla com Geromel. Alguns atacantes chegaram, como Braian Rodríguez e Vitinho, que não corresponderam. O meia uruguaio Cristian Rodríguez foi bastante saudado pela Geral do Grêmio e nem sequer completou 90 minutos em campo com a camisa tricolor.

Apesar da reação no Campeonato Gaúcho para terminar a fase de classificação com a segunda melhor campanha, exorcizando as chances de ficar fora das fases finais, o Grêmio não conseguiu superar um Internacional que vivia seu melhor momento na temporada.

O Colorado vinha bem na Copa Libertadores e aproveitou o contexto situacional para conquistar o Gauchão mais uma vez, para desilusão do torcedor gremista, que, mesmo sabendo que o estadual não leva a lugar algum senão ele próprio, também sente falta desse caneco.

A Copa do Brasil, competição de boas recordações aos tricolores, estava ainda nas fases iniciais e o destino pela frente, com a entrada dos clubes participantes da Libertadores, dificultava completamente o sonho do pentacampeonato. O Brasileirão veio com a largada em seguida e, sob o comando de um desconfiado Luiz Felipe Scolari, a saída do grid demonstrava a sequência de maus resultados.

Logo na estreia, um empate diante da Ponte Preta por 3 a 3, após ter aberto diferença de 2 a 0 e sofrendo gol no último minuto, na primeira da série de partidas a serem disputadas às 11h. Na segunda rodada, talvez a pior atuação do ano e que levou à perda total de paciência com a equipe: 2 a 0 para o Coritiba, no Couto Pereira, sem esboçar qualquer reação dentro do jogo. O jogo tornou-se o último do esgotado Luiz Felipe Scolari no comando gremista. Mudanças no vestiário e no rendimento da equipe estavam por vir. Um campeonato menos maçante e com mais vitórias do que derrotas.

Novos ares com o ídolo Roger Machado

Roger Machado chegou demonstrando estar a par do futebol moderno (Foto: Lucas Uebel/Grêmio)

A primeira vitória foi conquistada com o interino James Freitas sobre o Figueirense, em apertado 1 a 0, em tento marcado por Braian Rodríguez, centroavante contratado junto ao Huachipato do Chile e que somente nesse duelo rendeu na temporada.

A chegada de um novo técnico estava anunciada: Roger Machado. Ex-lateral do próprio Grêmio, com diversas conquistas como Copa do Brasil, Libertadores e Brasileirão nos anos 1990, Roger já havia comandado ao Tricolor na condição de interino e participou do Gauchão 2015 como treinador do Novo Hamburgo.

Jovem ao cargo, com apenas 40 anos e promissor, Roger trouxe o imaginário na cabeça dos torcedores de que pouco havia a piorar e apostar nele era bastante válido. Com isso, a partir da estreia com empate fora diante do Goiás, o ex-lateral começou uma caminhada para reestabelecer qualidades no grupo, em atletas e confiança a todos.

Ainda no primeiro turno, três vitórias mostraram o potencial e como o ano poderia ser salvo. 3 a 1 sobre o futuro campeão Corinthians, na Arena. Jogo aberto, de intensidade e diversas chances, culminando em um belo placar em Porto Alegre.

Pela 17ª rodada, o Gre-Nal que mudou recordes. Na Arena, um Grêmio em situação de crescimento no campeonato, lutando pelo G-4. Já o Internacional recém havia caído na semifinal da Libertadores e a diretoria tomou a decisão de derrubar o técnico Diego Aguirre.

Dentro da Arena, um verdadeiro massacre, uma patrola do time azul sobre o vermelho. Tudo começou ainda com a lamentação do pênalti errado por Douglas. Mesmo assim, Giuliano, em um golaço, e Luan, também de fora da área, abriram 2 a 0 no primeiro tempo. No segundo, novamente Luan, Fernandinho, após driblar Alisson, e Réver, mandando contra, finalizaram a goleada acachapante por 5 a 0. Superando os 4 a 0 do Grêmio no Beira-Rio em 1977, foi a maior goleada da história do clássico Gre-Nal em campeonatos brasileiros. Além disso, na época, foi a maior do campeonato de 2015.

Na rodada seguinte, outra prova de fogo: o vice-líder Atlético-MG, em Belo Horizonte. O Tricolor defendeu-se com seguridade e aproveitou belas combinações de passes para chegar aos dois gols da vitória. Placar de 2 a 0, nos chutes certeiros feitos por Douglas e Luan. Com o resultado, o Grêmio consolidava o terceiro lugar e permanecia na briga pelo título brasileiro.

Em um dos duelos derradeiros, os comandados de Roger Machado enfrentaram o Corinthians e fizeram, na opinião de muitos, juntamente com os treinados por Tite, o melhor do Campeonato Brasileiro 2015. No Pacaembu, pela 24ª rodada, a diferença entre o líder Timão e o Tricolor era de apenas seis pontos. Ela permaneceu ao fim do embate, uma disputa de belas combinações em jogadas, intensidade, inteligência tática e que ficou na igualdade de 1 a 1.

Superação de expectativas no Brasileiro, mas é preciso mais pra 2016

Jogadores comemoram bons resultados na Arena (Foto: Lucas Uebel/Grêmio)

Apesar da grande campanha na Arena, as derrotas fora de casa dificultaram a vida da perseguição ao líder do certame. Por antecipação, o título estava garantindo-se ao alvinegro paulista e a briga do Grêmio foi pela manutenção do terceiro posto e pela confirmação da vaga em sua 16ª participação em Copa Libertadores da América.

No outro caminho possível, a Copa do Brasil, os azuis do sul alimentavam a esperança pela conquista, principalmente pelo fato de serem os melhores do Campeonato Brasileiro ainda vivos na fase quartas de final. Na competição de mata-mata, a campanha passou por eliminar o Campinense, o CRB, o Criciúma nos pênaltis, o Coritiba com duas vitórias e, finalmente um enfrentamento com o Fluminense.

O Tricolor das Laranjeiras surpreendeu na Arena após o empate na ida por 0 a 0. Fred marcou de cabeça, Cavalieri fechou o gol e o Grêmio, no máximo, chegou ao empate em tento marcado por Bobô. Com o gol qualificado, o marcado fora, o Fluminense avançou à fase semifinal do torneio. O time de Roger, porém, não desanimou no Brasileirão e mostrou competência para segurar a classificação à Libertadores através de vitórias em seu estádio. Na reta final, bateu Avaí, Flamengo, vingou-se do Fluminense e Atlético Mineiro em seus domínios.

Apesar do grande trabalho de resgate à temporada apresentado por Roger Machado, a ausência de um título de expressão permanece aos últimos anos. Para o Grêmio, que passou por todo o enxugamento da folha salarial no 2015, existe a possibilidade de voltar a sonhar com conquistas.

O ano de 2016 trará três competições de maior porte: a Libertadores, em busca do tri, o Brasileirão, também pelo terceiro título, e a Copa do Brasil, na qual a procura incessante tem sido pelo penta, em caneco que não vem desde 2001. Além delas, a Liga Sul-Minas-Rio ganhou força nas organizações e deve ocorrer no início da temporada, possibilitando disputas contra outros grandes clubes desde os primeiros jogos e aumentando o leque de opções de Roger Machado, que afirmou também estar sedento por conquistas.

Os voos já têm sido altos, falta a confirmação de um lugar no ponto mais alto do pódio. Nisso, o Grêmio tem deixado a desejar nas últimas temporadas, falhado ao escapar, por entre os dedos, torneios em jogos decisivos. O trabalho na formatação de um 2016 vencedor passa pela montagem de um elenco um pouco mais forte. Foi notável a ausência de um bom ataque em alguns jogos, assim como as laterais são preocupações há anos pelos gremistas. Sem a segurança de Pedro Geromel, lesionado em setembro, partidas exigiam muito do torcedor para aguentar os sustos e, em um deles, a Copa do Brasil 2015 se foi. Portanto, nomes para fortalecer ainda mais o grupo mostram-se necessários por objetivos maiores que a classificação à Libertadores.

Pior jogador: Braian Rodríguez

O uruguaio veio do Huachipato no início do mês de março para se tornar uma das maiores decepções entre os atacantes que já vestiram a camisa do Grêmio. Com números bastante abaixo durante a carreira, com o Tricolor gaúcho não foi diferente. Balançou as redes somente diante do Figueirense, no Campeonato Brasileiro.

Em um lance inacreditável, perdeu a chance de fazer o gol da vitória sobre a Ponte Preta, na primeira rodada do returno do torneio. O jogo ficou em um frustrante 0 a 0 sob forte calor.

Braian Rodríguez entra para longa lista de decepções em atacantes contratados
(Foto: Lucas Uebel/Grêmio)

Melhor jogador: Luan

Em 2015, Luan disputou 57 jogos, marcou 18 gols e deu 12 assistências para o Grêmio chegar ao balanço das redes. Artilheiro da temporada, também é justamente o maior finalizador e driblador da equipe. Presença marcante nos melhores momentos do Tricolor na temporada, Luan tem dois gols no histórico Gre-Nal dos 5 a 0, além de tentos importantes, como os marcados diante do Atlético-MG, nas vitórias no primeiro e no segundo turno.

Luan foi o artilheiro gremista na temporada. Ao todo, já são 26 gols com a camisa gremista.
(Foto: Lucas Uebel/Grêmio)

Revelação do ano: Éverton

Aos 19 anos, Éverton, o Cebolinha, foi um dos destaques do Grêmio na temporada de 2015, aparecendo fortemente em alguns jogos decisivos do Campeonato Brasileiro, competição na qual marcou cinco gols. Marcou gol, por exemplo, nas vitórias sobre Goiás, Flamengo e Atlético-MG. Meia-atacante de velocidade vindo da base gremista, e com boa finalização nas chances que apresenta, Éverton tem potencial para lutar por espaço no time e trazer novas alegrias ao torcedor do Grêmio. Olho nele!

Éverton, o "Cebolinha" mostrou potencial na temporada (Foto: Lucas Uebel/Grêmio)

Pior jogo: Coritiba 2-0 Grêmio

Pelo primeiro turno do Campeonato Brasileiro, a derrota para o Coritiba ocorreu em 16 de maio e os esmeraldinos aproveitaram lambanças da defensiva gremista para chegar aos 2 a 0 muito cedo no jogo. Um gol contra em trapalhada inacreditável entre os zagueiros do gremistas virou motivo de piada em gol contra assinalado por Erazo. O placar do primeiro tempo permaneceu. O Grêmio não apresentava iniciativa e pouco fez para assustar a meta rival.

O resultado do jogo foi simbólico como divisor de águas no ano dos gaúchos. Felipão saiu do comando técnico após mais uma negatividade e deu lugar a Roger Machado. Foi fundamental a troca de treinador para o Grêmio alavancar a boa campanha que lhe rendeu vaga na Copa Libertadores da América.

Melhor jogo: Grêmio 5-0 Internacional

17ª rodada do primeiro turno do Brasileirão. Um Gre-Nal que superou recordes e fica na história como a maior goleada em clássicos entre Grêmio e Inter nos campeonatos brasileiros. O Grêmio vinha em uma crescente no torneio, lutando por G-4. Já o Inter viveu o drama da eliminação da Libertadores e havia demitido o técnico Diego Aguirre, indo a campo com o treinador interino Odair Hellmann.

O baile da partida começaria em comemoração cedo, mas Douglas desperdiçou o pênalti cometido por Alisson. O camisa 10 chutou para fora. Sem pânico, o Grêmio seguia melhor no jogo e conseguiu a abertura do placar com Giuliano, de fora da área: golaço. Ainda no primeiro tempo, Luan, em chute rasteiro, fez o 2 a 0.

No início da etapa complementar, novamente Luan apareceu para conferir troca de passes precisos e ampliou o score em 3 a 0. O ingressante Fernandinho superou expectativas e fez seu melhor jogo com a camisa gremista. Primeiro, driblou Alisson para chutar ao gol desprotegido: 4 a 0.

Por fim, o mesmo Fernandinho recebeu pela direita, fez o cruzamento rasteiro e o zagueiro Réver entrou de carrinho para selar o placar em gol contra. 5 a 0 para o Tricolor, em mais de 45 mil gremistas comemorando na Arena. O resultado de cinco gols não acontecia ao Grêmio sobre o Inter desde 1912 e tornou-se a maior goleada do clube na recente Arena.

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