Vasco abre as portas de São Januário para debater a respeito do racismo
(Foto: Paulo Fernandes/Vasco da Gama)

Vasco abre as portas de São Januário para debater a respeito do racismo

Conferência, que teve a presença do presidente Eurico Miranda, também contou com o apoio dos jogadores Thalles e Jomar e armador do basquete Nezinho

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João Viana

Mais uma vez o Clube de Regatas Vasco da Gama está apoiando a luta contra o racismo. No início da tarde desta segunda-feira (10), o time da Colina Histórica abriu as portas para um debate sobre a discriminação racial no futebol.

A reunião que foi organizada pelo próprio clube e o movimento Observatório da Discriminação Racial no Futebol. Estiveram presentes o presidente do Vasco, Eurico Miranda, o atacante Thalles e o zagueiro Jomar, além do armador do basquete cruz-maltino Nezinho. Marcelo Carvalho, integrante da equipe Fim de Jogo Beira Rio, foi um dos idealizadores do debate.

O Observatório da Discriminação Racial no Futebol busca monitorar e divulgar, através de seus canais, os casos de racismo no futebol. Outra atitude da ONG é publicar ações informativas e educativas que visam eliminar qualquer tipo de intolerância.

Foi colocado em pauta as punições que os clubes recebem quando seus torcedores comentem esse tipo de infração. Como foi o caso do goleiro Aranha, quando ainda atuava pelo Santos e foi chamado de “macaco” em uma partida contra o Grêmio por parte da torcida tricolor, pela Copa do Brasil de 2014. Naquela ocasião, o time de Porto Alegre foi punido em R$ 50 mil mais a perda de três pontos no torneio mata-mata, o que culminou na eliminação do time sem realizar o jogo da volta, que havia perdido no primeiro confronto.

“Eu acho que se deve punir o clube pelo o ato de um torcedor. Porque se punem um clube quando arremessam um objeto em campo, por que não punir também no caso de racismo? Vale a punição para os dois lados. A grande mudança que se deu nos objetos jogados nos gramados foi isso, a punição aos clubes. Hoje em dia, um torcedor arremessa, o resto da torcida já identifica quem arremessou para que o clube não seja punido. Então, eu acho que o caminho a respeito do racismo é o mesmo. Se puni o clube, até que o clube tome medidas cabíveis ou possíveis de identificar”, disse Marcelo Carvalho.

Marcelo Carvalho no debate (Foto: Paulo Fernandes/Vasco da Gama)

Marcelo também comentou a respeito de campanhas que os clubes brasileiros podem fazer para tentar combater o racismo. Ele também cobra da CBF uma posição mais efetiva para fazê-lo e deu exemplo de Jomar, que durante o debate citou um caso, onde o mesmo sofreu um ato de injuria racial, mas não quis levar para frente.

“A CBF tem como campanha a frase: 'Somos Iguais'. Existem placas de publicidade escritas 'somos iguais'. A campanha tem que ser mais efetiva, tem que desenvolver isso aqui. Tem que desenvolver debate, tem que desenvolver ações em campo com os atletas de posicionamento e pedir para que atleta denuncie o caso, porque o Jomar foi bem claro: 'Eu não levo o caso adiante', acho que a mudança tem que acontecer aí.”

“A CBF tem que ajudar os atletas, para que eles trabalhem no combate. O que acontece, o Aranha foi um dos poucos que teve coragem de fazer o enfrentamento e ele passou de vítima a culpado. Quando saiu do Santos para o Palmeiras, foi xingado, dessa vez pelos torcedores do antigo clube nas redes sociais. E se ele reclamar vão falar: 'ah, esse cara de novo reclamando sobre isso'. Mas tem que ser assim, vamos falar sobre o racismo, até que o racismo acabe”, completou Marcelo.

No final do debate, Jomar falou sobre o que foi passado no relatório. Para o zagueiro, isso é assunto que deve ser levado a sério e acha que irá abrir os olhos de outros clubes.

“Nós temos que continuar sempre lutando contra o racismo e creio que esse evento abriu os olhos de muita gente. Somos todos iguais e, para mim, o evento foi maravilhoso”, disse a prata da casa vascaína.

Lugar para todos

(Foto: Paulo Fernandes/Vasco da Gama)

Ao longo do evento, inúmeras vezes o Vasco foi lembrado por ser um clube pioneiro no combate ao racismo. Eurico Miranda reforçou a ideia de que o time de São Januário é um lugar para todos, e que irá sempre apoiar nesta causa.

“O Vasco fez história ao se negar jogar um campeonato onde não permitiam negros. O clube foi tão importante que foi convidado novamente para jogar este mesmo campeonato, dessa vez com os negros e pessoas do subúrbio. Vamos sempre apoiar esta causa”, fomentou Eurico.

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