Que seja o pontapé inicial
Que seja o pontapé inicial

Reza a lenda que o Índio Vitorino Condá foi o responsável pela paz entre indígenas e colonizadores na região de Chapecó. Se é apenas uma lenda ou não, não se sabe. Mas que foi ele, através da Chapecoense, o responsável por um momento considerado impossível, isso é inegável. Na tarde deste domingo, 4 de dezembro, as quatro torcidas dos grandes rivais paulistas se reuniram na Praça Charles Miller para homenagear os campeões imortais da Chapecoense.

Em um momento sem precedentes na história, toda a rivalidade entre as torcidas foi deixada de lado e elas (juntamente com as organizadas de Santo André e XV de Piracicaba) se uniram em prol de um único objetivo: agradecer àqueles que tanto nos ensinaram sobre a vida e o verdadeiro espírito do futebol nesses últimos seis doloridos dias.

O que o eterno Pacaembu presenciou na tarde ensolarada de domingo pode ser o pontapé inicial pra um novo futuro. Um futuro aonde as torcidas representem o verdadeiro espírito do futebol. Em que as rivalidades permaneçam só e somente dentro das quatro linhas.

A praça Charles Miller foi, mesmo que por um par de horas, o futebol em essência. Rivais lado a lado, celebrando o esporte, agradecendo àqueles que nos deixaram e convivendo na mais absoluta paz. Amigos com camisas diferentes se abraçando. Torcedores de Palmeiras e Corinthians conversando um com os outros e rindo, assim como tricolores e santistas. Crianças disputando pequenas partidas representando os seus clubes, brigando por cada bola enquanto ela rolava, mas se abraçando e se divertindo juntas enquanto ela estava parada.

Que a lenda do Índio Condá se transforme em verdade e que a tragédia sirva para abrir os olhos de quem se mata por um esporte. E que eles percebam que, apesar da rivalidade, juntos são mais fortes e podem alcançar o que quiserem. E que nada é mais fiel ao futebol e ao seu clube do que o aconteceu nessa histórica tarde de quatro de dezembro de 2016.

Texto publicado por Guilherme Sacco em Medium.com

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