Repercussão do rebaixamento do Internacional no Brasileirão 2016
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O Internacional está rebaixado para a segunda divisão do futebol brasileiro. O fato foi consolidado após a término da 38ª rodada, quando os resultados determinaram a mancha mais negra da história do clube. Campeão mundial e da Libertadores, o clube era um dos que jamais haviam caído de divisão em solo nacional. Mas, o que aconteceu de errado?

Neste especial, a VAVEL Brasil separa o 'Jogo dos 7 erros' que determinaram o rebaixamento do Internacional. Desde a saída de D'alessandro até a insistência em Celso Roth, muito água passou por baixo da campanha colorada no Campeonato Brasileiro. Confira!

Maior ídolo recente da história do clube, D'alessandro deixou o Internacional para voltar ao River Plate, da Argentina. No entanto, sua saída deixou uma lacuna sem precedentes no clube. Além da ausência de um camisa 10, criou-se uma discussão interna sobre os reais motivos de sua partida.

D'alessandro era insistentemente criticado por Piffero, onde o estopim foi a pergunta sobre "quando foi a última vez que ele jogou bem fora de Porto Alegre?". O estopim para sua saída foram as críticas a Primeira Liga, torneio disputado em 2016, onde ouviu do então diretor de futebol Carlos Pellegrini que "jogador é pago para jogar futebol, não para opinar sobre o que o clube está decidindo".

Foram quatros técnicos durante a temporada 2016. E, muitas mudanças, indicam um clube sem norte e com ausência de um planejamento eficaz. Mas não apenas isso. Além das mudanças, foram quatro técnicos que não conseguiram mudaram o patamar do Internacional em qualquer momento durante a temporada.

A insistência em Argel Fucks já era contestada desde o início do ano. Mesmo com o título gaúcho, o time não engranava e sua queda teve sinais de alivio. O Inter precisava de uma chacoalhada e chegou Falcão, de estilo totalmente oposto. O último tiro foi com Celso Roth, que acumula fracassos recentes por onde passou. Lisca veio para salvar, mas já era tarde demais.

Argel Fucks tinha prazo de validade e isso era de consenso geral. No entanto, não era esperado que tivesse passado tanto tempo além no cargo. Campeão gaúcho e líder do campeonato até a oitava rodada do Campeonato Brasileiro, parecia que o técnico teria vinda longa durante a temporada. Triste engano.

Pouco tempo depois de assumir a liderança, o Inter ficou 14 partidas sem vencer. Argel ainda seria criticado por um áudio de whatsapp vazada por um amigo. Nele, o técnico avisava que "iria passar o trator" no Grêmio. Perdeu o clássico e foi demitido pouco tempo depois. O suficiente para desencadear uma forte crise interna no Inter.

Celso Roth ficou à frente do Internacional por 16 jogos, praticamente por um turno inteiro. Tempo demais para quem passou anos acumulando trabalhos ruin nas equipes por onde passou. Mas, para o presidente do Internacional, o então técnico chegaria para arrumar a casa. Precisando desesperadamente de vitórias, apostou no estilo retranqueiro do novo contratado.

O resultado foi visível, imediato e determinante para a queda. Roth enfrentou seis dos oito piores times do Brasileirão em casa e conquistou apenas 17 pontos, um total de 35% de aproveitamento. A zona de rebaixamento virou o lar do Internacional que, de lá, não sairia mais.

A crise interna entre os jogadores do Internacional ficou evidente após o episódio envolvendo Anderson e Willian. Na ocasião, durante o último treinamento antes da partida contra o Flamengo, os atletas discutiram dentro de campo e literalmente saíram no soco. Anderson desferiu um gancho em seu companheiro e a confusão só não foi maior graças aos companheiros que separaram a briga.

Resultado: o lateral foi informado sobre uma advertência formal. O meia recebeu como punição uma multa de 15% do salário. Ambos voltariam a ser titulares pouco tempo depois, mas tal confusão era sinal do clima pesado que vivia o Internacional.

O Internacional perdeu parte de seu elenco e não teve peças suficientes para repôr. Para não ser injusto, a única contratação eficiente foi a de Danilo Fernandes, vindo do Sport, para substituir Alisson que transferiu-se para a Roma, da Itália. Mas se olhar para outras posições, os erros de planejamento ficam evidentes.

Réver e Juan deixaram o Colorado e Leandro Almeida chegou como solução. Destaque em 2015, Aránguiz foi para o Bayer Leverkusen e Fernando Bob fico responsável por substituí-lo. Nilmar foi outro que saiu e não teve reposição. Ariel e Nico López chegaram no meio do ano, mas ambos sem brilho. Ceará e Eduardo também completam a lista de reforços que pouco somaram.

Carvalho é tido como um herói no Internacional. Piffero, atual presidente, também carregava simpatia da torcida. No entanto, 2016 marcou o ponto final para a trajetória de ambos dentro do clube. As crises internas escancaras acima neste texto mostra que não há mais clima para ambos seguirem nos cargos atuais.

A torcida do Internacional pensa igual e, nas urnas, manifestou sua oposição com a atual gestão. Não à toa que Marcelo Medeiros venceu a eleição colorada e será o novo presidente durante o biênio 2017/2018 com sonoros 94,8% dos votos válidos. É o fim de um ciclo.

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