Dez anos do Estádio Nilton Santos: altos e baixos da casa alvinegra
Foto: Vitor Silva/SS Press/Botafogo

De Estádio João Havelange a Estádio Nilton Santos, de Campeonato Carioca a Libertadores, de Pan-Americano a Olimpíadas, de amistosos a clássicos. Em dez anos o - carinhosamente apelidado por - Engenhão sofreu grandes mudanças e foi palco de muitas competições importantes. Foram anos de obras e muita espera para a inauguração da primeira construção feita para o Pan-Americano de 2007.

O estádio foi a primeira construção iniciada para a disputa do Pan de 2007. Suas obras começaram no dia 16 de dezembro de 2003. Por conta de muitos problemas, sua data de conclusão, inicialmente prevista para 2006, foi adiada quatro vez e ficou pronta somente no ano seguinte. Ao todo, a obra custou R$ 380 milhões.

Porém, em 2013 o estádio passou por uma fase ruim de sua história, quando foi interditado pela prefeitura do Rio de Janeiro por conta de defeitos em sua cobertura. Desse jeito, em junho, as empresas Odebrecht e OAS fecharam um acordo para reparar nos possíveis defeitos do estabelecimento, arcando com todos os custos. Anos depois, foi concluído pela DFA Engenharia que o estádio não apresentava nenhum significante problema, e que os problemas nos arcos de sustentação eram apenas falta de manutenção na pintura. O estádio foi reaberto apenas em fevereiro de 2015.

Com a chegada das Olimpíadas em 2016, o Engenhão passou pela suas primeiras mudanças “produtivas”. Com o intuito de embelezar e revitalizar não só o estádio, mas o entorno dele: as ruas em volta dele receberam obras de drenagem, enterramento de fios, revestimento do asfalto e mudança de iluminação. Além disso, inaugurou-se a Praça do Trem e a estação da SuperVia de Engenho de Dentro teve uma significante obra, tendo sua capacidade ampliada de 28000 passageiros por hora para 40000.

Como o Botafogo conseguiu a classificação para a Libertadores desse ano, a diretoria propôs singelas mudanças no estádio, começando pela pintura de todas as cadeiras dos setores Leste, Oeste e Sul com as cores alvinegras, formando a palavra BFR (alusão ao nome do time) e o símbolo nos dois setores superiores, respectivamente. Além disso, o Setor Norte teve suas cadeiras retiradas e tornou-se “popular”, por conta do barateamento dos preços de ingressos. O plano de sócio-torcedores, intitulado de SouBotafogo, teve seus preços remodelados, que se tornaram acessíveis para grande parte da torcida, que tem a opção de comprar um pacote para assistir a todos os jogos do Glorioso no estádio. Por outro lado, a diretoria havia prometido colocar o nome do torcedor nas cadeiras do estádio se o mesmo pagasse R$50 pelo serviço. Até hoje, as cadeiras estão inalteradas e sem o nome de ninguém que adquiriu essa promoção.

Apesar de todos esses problemas, como o do fechamento do estádio e das muitas obras, a identificação dos torcedores do Botafogo com o Estádio Nilton Santos é enorme. O pedido de mudança do nome, ocorrido em 2015 e confirmado esse ano, é uma das provas disso: o Engenhão vive e faz parte da instituição Botafogo.

Principal artilheiro

Um dos mais icônicos atacantes que vestiram a camisa do Botafogo no século, o uruguaio Loco Abreu é o maior goleador da história do Estádio Nilton Santos. Entre 2010 e 2012, anos que o jogador representou a camisa do Glorioso, ele marcou 41 gols em 63 jogos no estádio. Seu primeiro tento ocorreu contra o América-RJ, pelo Campeonato Carioca. Confira, a partir dos 5 segundos:

Um dos jogos mais marcantes do uruguaio com a camisa do Botafogo no Engenhão ocorreu em 2012, na semi-final da Taça Rio contra o Bangu, o segundo turno do Campeonato Carioca, sendo a primeira partida que o atacante marcou três gols. Na ocasião, ele foi essencial para a vitória por 4 a 2 em cima do adversário. Confira os gols dessa partida:

Outro grande jogo de Abreu com a camisa do Glorioso no Nilton Santos ocorreu pela Taça Guanabara de 2011. Em um jogo marcado por duas expulsões, o Botafogo derrotou o Fluminense por 3 a 2. Loco foi o jogador central da partida porque perdeu um pênalti após tentar uma cavadinha, foi provocado por Diego Cavalieri, mas na outra oportunidade que teve na marca da cal, deu outra cavada e guardou para selar uma das mais vibrantes vitórias da equipe de General Severiano no estádio. Os gols dessa partida movimentada:

Jogos marcantes

Botafogo 2 x 1 Fluminense: o primeiro jogo da história do estádio foi um clássico. Apesar do tricolor ter aberto o placar com Alex Dias, que levou o prêmio de “consolação” por ter marcado o primeiro gol do Engenhão, o Botafogo saiu vitorioso daquela partida graças a dois gols de Dodô, que garantiu a virada.

Botafogo 4 x 0 Ceará: provavelmente a primeira vez que a torcida ocupou praticamente todos os lugares do estádio. O Botafogo, que na época brigava por vaga na Libertadores, contou com 42 mil pessoas presentes, dois gols de Herrera, um de Loco Abreu e um de Cidinho para confirmar a goleada e, na ocasião, colocar a equipe de General Severiano na quarta colocação do Campeonato Brasileiro de 2011.

Botafogo 4 x 0 Bonsucesso: após ficar dois anos interditado, o reencontro da torcida com o estádio deu-se nessa partida, válida pelo Campeonato Carioca de 2015. Com muitas homenagens à Nilton Santos, que,na época, começou a campanha pela mudança do nome do estádio. Na ocasião, os poucos mais de 11mil presentes comemoram os gols marcados por Diego Jardel, Bill, Thiago Carleto e Fernandes, que selaram a goleada Alvinegra.

Pan-2007 e Rio-2016: principais acontecimentos

Construído para a disputa da competição de 2007, o Engenhão foi palco de 4 jogos da fase de grupos do futebol masculino, que teve o Equador como grande campeão, e 8 jogos da fase de grupos do futebol feminino, que consagrou a seleção brasileira como grande campeã. No atletismo, todas as provas foram disputadas no estádio, com exceção da maratona e da marcha atlética, e as mais marcantes foram o salto com vara, que deu a medalha de ouro a Fabiana Murer, e o salto a distância, que consagrou Mauren Maggi no lugar mais alto do pódio.

Já na última edição das Olimpíadas, o estádio foi responsável por ser o palco de 4 jogos da fase de grupos no futebol masculino e de mais 4 partidas na mesma fase do futebol feminino. No atletismo, o estádio foi palco da história sendo escrita: Usain Bolt sagrou-se como o primeiro atleta na história a vencer três medalhas de ouro nas três principais provas da modalidade em três Olimpíadas seguidas. Além disso, Thiago Braz, contrariando a lógica, conquistou uma medalha de ouro inédita para o Brasil no salto com vara.

Libertadores e Engenhão: deu onda

Grande razão para as reformas nas arquibancadas do estádio, a Libertadores é a grande competição disputada em 2017 pelo Botafogo, que sabe que, se depender da atmosfera do Engenhão, será um dos fortes candidatos ao título da torcida.

Até agora, em 5 jogos, apenas uma derrota – contra o Barcelona-EQU – e quatro vitórias, sendo duas pela fase preliminar do torneio, contra Colo-Colo e Olimpia. A atuação da torcida nas arquibancadas é algo impressionante e a equipe comandada por Jair Ventura transforma-se quando joga com as arquibancadas lotadas.

Com uma média de mais de 30 mil torcedores por jogo, que são marcados por mosaicos, mensagens de incentivo, apoio incondicional e uma grande festa, o triângulo amoroso entre Botafogo, Estádio Nilton Santos e Libertadores até agora vem sendo um sucesso e é uma das razões para o grande ano da equipe de General Severiano.

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