Rafael Moura vê Micale com mesmo perfil de Roger e diz que filosofia do Atlético-MG mudou
Conhecido como 'He-man', Rafael Moura marcou dez tentos contra o Flamengo (Foto: Bruno Cantini/Atlético-MG)

Autor do gol da vitória do Atlético-MG sobre o FlamengoRafael Moura chegou à marca de dez gols contra o rubro-negro, tornando-se o jogador que mais marcou contra a equipe carioca neste século. Em entrevista nesta segunda-feira (14) ao programa "Bate-Bola", da ESPN Brasil, o jogador comemorou a fama de carrasco do Urubu.

"Meus dois maiores números e gols em equipes da Série A são contra o Flamengo e Cruzeiro. Fico feliz por marcar novamente contra o Flamengo em um dia muito especial, já que foi a primeira vez que entrei com meu pai dentro de campo. Eu quero agradecer ao Atlético e a toda a logística feita para trazer todos os pais, foi muito emocionante. [...] Nós precisávamos dar uma resposta imediata após a eliminação [na Libertadores] e começar um segundo turno muito melhor do que foi o primeiro, pensando na obrigação de chegar ao G-6", disse.

Com o resultado, o Galo quebrou uma sequência de quatro derrotas em casa – Santos, Bahia, Vasco e Corinthians. A última vitória em casa foi no clássico contra o Cruzeiro, pela 11ª rodada do Campeonato Brasileiro, no dia 2 de julho. O centroavante alvinegro exaltou a presença da torcida na Arena Independência.

"A gente estava muito pressionado com os números, nós temos a melhor campanha da história do Atlético jogando fora de casa e a pior dentro de casa. Nós vinhamos de cinco resultados negativos e nosso torcedor já estava inconformado, mas mesmo assim foi lá ontem e em grande número, para nos ajudar e apoiar. A gente precisava vencer e foi o que a gente fez, mas precisamos aumentar o número de gols, a confiança e nossa autoestima para manter os bons resultados", comentou.

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Conhecido pelo estilo 'Galo Doido', o Atlético encantou o país com seu futebol e viradas históricas em 2013 e 2014. No entanto, o desequilíbrio entre ataque e defesa sempre foram questionados por torcedores e imprensa. Nessa temporada, a diretoria alvinegra propôs uma reformulação no estilo de jogo da equipe.

"Tudo faz parte de um planejamento, que foi feito pela diretoria, para mudar a cara do Atlético, por ser um time que fazia muitos gols, mas também levava muitos. O Atlético em 2013 e 2014 conquistou grandes títulos, mas passou um pouco pela loucura e pela qualidade dos jogadores que passaram por aqui, com muita velocidade e troca de função tática, algo que não se encontra no perfil da nossa equipe", ressaltou.

Foto: Bruno Cantini/Atlético
No domingo, Micale conquistou primeira vitória em casa sob o comando alvinegro (Foto: Bruno Cantini/Atlético-MG)

Em novembro do ano passado, o Atlético anunciou a contratação de Roger Machado, técnico que foi destaque no Grêmio. Após a derrota para o Bahia, em casa, o treinador deixou o cargo e Rogério Micale, comandante do ouro da Seleção Olímpica, assumiu a equipe alvinegra.

"Com a contratação do Roger, o planejamento da equipe era se tornar um time com mais posse de bola, com mais cadência e mais estrutura em cada setor, com o equilíbrio que faltava. A gente ganhou o Campeonato Mineiro, fez a melhor campanha da Libertadores, mas em alguns momentos oscilava. Para mim, com a chegada do Micale não houve a troca de filosofia. Ele é um cara muito estudioso, entende muito de tática e é muito parecido com o Roger, mas para executarmos todo esse trabalho de troca de posições e funções táticas, nós precisamos de estar com a cabeça boa e o Micale entra na tentativa de recuperar nossa autoestima", avaliou. 

Alvo de críticas da torcida, Rafael Moura pediu paciência com a diretoria e comissão técnica alvinegra. O centroavante ainda elogiou a qualidade técnica de seus companheiros de equipe.

"O torcedor precisa entender a nossa diretoria e comissão técnica, porque mudou o perfil do clube. Não adianta o torcedor querer que a gente acelere o jogo, que a gente mostre aquela loucura em campo porque o nosso time mudou. É um time que tem qualidade, mas não tem essa pegada que o torcedor quer, a gente está implementando essa característica junto a qualidade dos nossos jogadores. Como atleticano, sei como o torcedor se sente, mas fora da torcida é preciso comprar a ideia do planejamento da diretoria e de que nós estamos fazendo o que a comissão técnica nos passa", concluiu.

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