Roger: volta por cima e importância no elenco do Botafogo
Vitor Silva/SS Press/Botafogo

A reviravolta do goleador. Essa é a maneira perfeita para definir Roger. Desde que fora anunciada a sua contratação, no ano passado, junto à Ponte Preta, a torcida alvinegra criticou desde o início, já que não enxergava o atacante como uma boa adição para essa posição, que, na época, possuía Sassá como um dos artilheiros do Campeonato Brasileiro.

No começo, tudo que os torcedores indagavam se confirmou. Roger não conseguia apresentar um bom futebol, não marcava gols e era taxado como um “camisa nove comum”, já que apenas permanecia isolado no terço final do campo, esperando a bola chegar para tentar converter em um gol e estava constantemente em posição de impedimento. Desse jeito, o jogador, de início, não conseguiu se encaixar no esquema da equipe, e sofreu muito com as críticas.

Jair Ventura, porém, nunca deixou de acreditar no ataque e sua evolução e aumento de entrosamento para com o esquema tático foi notável. Roger, mesmo sofrendo demais, não desistiu e permaneceu trabalhando. Atualmente, tem uma função peculiar na equipe: ele ajuda na marcação, assim como todo o time de Jair. A torcida demorou a entender a importância dele.

Mas isso mudou no segundo jogos das oitavas de final da Copa do Brasil, contra o Sport. É um jogador que tem uma trajetória parecida com a do atacante Rafael Marques, atualmente no Cruzeiro, que defendeu o Alvinegro entre 2012 e 2013, que também demorou a cair nas graças da torcida após ter um primeiro ano pavoroso com a camisa preta e branca.  

O Botafogo possuía a vantagem nesse confronto por conta de uma vitória por 2 a 1 no primeiro jogo. Na Ilha do Retiro, Roger chamou a responsabilidade para si e teve uma grande atuação, aparecendo sempre para apoiar os meio campistas e tentando ajudar na marcação como podia. Foi coroado com um lindo gol, deixando Matheus Ferraz no chão com um drible e fazendo o gol em cima de Magrão. Desde então, sua história no Botafogo passou a mudar.

A torcida começou a observar a sua função no time e o seu esforço para tentar fazê-la. Além disso, a questão com a sua filha, Giulia, que é deficiente visual, comoveu a todos os torcedores, que gritaram seu nome nos minutos que antecederam a partida contra o Avaí, pelo Campeonato Brasileiro, e ajudou o atacante a ficar mais próximo do Botafogo e dos seus fãs.

Além disso, o equilíbrio no elenco e algumas peças que Jair Ventura ganhou ao longo do ano ajudaram muito para isso. Após as saídas de Sassá e Joel, Roger ficou muito sobrecarregado e era ‘forçado’ a jogar já que não havia outra opção no elenco. Com a chegada de Brenner, porém, essa situação é revertida e o atacante titular pôde começar a descansar em alguns jogos, o que foi muito importante para o aumento do seu rendimento.

(Foto: Vitor Silva/SS Press/Botafogo)
(Foto: Vitor Silva/SS Press/Botafogo)

Todas essas situações ajudaram a confiança de Roger a chegar em um ápice. Hoje, ele é um dos jogadores mais aclamados pela torcida, por todo o seu esforço e boas atuações, e isso se reflete, principalmente, na Copa do Brasil, competição em que ele é um dos jogadores mais importantes – se não o mais – da equipe treinada por Jair Ventura.

Um exemplo disso foi o último confronto contra o Atlético-MG. Assim como todo o time, Roger não fez uma boa partida de ida. O Botafogo, com uma desvantagem de 1 a 0 no placar, deve muito ao atacante pela classificação. Ele deu caneta, drible da vaca, drible de corpo, voltou para ajudar no meio campo e o mais importante: marcou. Da cabeça dele veio o segundo gol da partida, provavelmente a melhor dele com a camisa do clube de General Severiano. Como a cereja do bolo, foi considerado, pela organização do torneio, como o melhor jogador da partida e levou esse prêmio simbólico para casa.

Atualmente, ele é um dos pilares da equipe de Jair Ventura. O atacante de 32 anos é sempre muito elogiado pelo treinador, além de ser o artilheiro da equipe no ano, com 13 gols, e o terceiro jogador que mais vezes entrou em campo nesse ano. Além disso, carrega o rótulo de “homem-clássico” por ter marcado seis gols nesse tipo de confronto e ter deixado a sua marca contra os três grandes clubes do Rio de Janeiro.

O seu primeiro gol com a camisa do Botafogo foi contra o próprio Flamengo, em um jogo válido pelo Campeonato Carioca. Desde então, Roger saiu do nível de um jogador vaiado pela torcida e passou a ser reconhecido por aplausos na saída do campo. Ele é, provavelmente, o melhor jogador do Botafogo nessa Copa do Brasil, e tudo isso é um esforço dele e da comissão técnica, que nunca deixou de acreditar no seu potencial.

Da desconfiança ao auge com os torcedores e o elenco alvinegro. Roger conseguiu reverter o “desânimo” que ele sentiu durante muito tempo, como declarou em uma das entrevistas que concedeu neste ano. Além de tudo, é um jogador humilde que preza pela união do grupo e não se promove em redes sociais e na mídia para elevar sua imagem. Giulia, a filha dele, foi grande responsável pelo carinho que os alvinegros criaram pelo atacante e junto disso, apareceram boas atuações do goleador. Ele tem uma extrema importância dentro de campo e levou o Botafogo às semifinais da Copa do Brasil, com dois gols importantes nas oitavas e quartas de final, respectivamente. Agora é aguardar se o atacante marcará mais uma vez no campeonato e será o “homem-clássico” novamente.

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