Após caso de racismo, presidente do Botafogo não vê risco de eliminação: "Não há preocupação"
Vitor Silva/SS Press/Botafogo

Apesar de Botafogo e Flamengo terem jogado uma semifinal de Copa do Brasil na noite da última quarta-feira (16), o fato mais marcante aconteceu nas arquibancadas, antes da partida começar, quando um torcedor da equipe Alvinegra fez gestos racistas na direção da família de Vinícius Júnior, jogador da equipe rubro-negra.

Sobre esse ocorrido, Carlos Eduardo Pereira, presidente do Botafogo, deu uma declaração, em entrevista coletiva na manhã dessa quinta-feira(17): “O Botafogo não possui em sua centenária existência nenhum caso de racismo, pelo contrário. Sempre acolheu a diversidade entre cor da pele, não diria nem raça, pois somos todos da raça humana. Não gosto de divisões, até porque elas são todas ilusórias. Apesar de eu ter cara de europeu, minhas avós eram duas índias amazonenses. Então sou um branco fake, tenho orgulho em dizer isso. Não vai manchar nossa história centenária. Foi o ato de uma pessoa.”

“Qualquer crime será tratado como o de ontem: identificado e conduzido às autoridades, para que tomem todas as medidas cabíveis. Foi o ato de uma única pessoa, ninguém mais apoiou essa atitude. Importante deixar isso muito claro. Que a gente trate o clássico que ocorreu com o futebol com o principal elemento. Estamos muito tranquilos, convictos que cumprimos nossas obrigações.” – completou o homem-forte da equipe de General Severiano.

Esse caso lembrou um que ocorreu na Copa do Brasil de 2014, quando o Grêmio foi eliminado da competição por alguns torcedores terem direcionado xingamentos racistas ao goleiro Aranha, na época no Santos. Sobre uma possível eliminação, o presidente disse: “De forma alguma, o Botafogo não concorda no sentido que haja qualquer paralelo no que ocorreu com o Grêmio. O CBJD indica caso a infração seja praticada simultaneamente por considerável número de pessoas, o que não ocorreu, Foi um ato isolado. Essa pessoa já está identificada e estamos bloqueando o acesso dela ao check-in. Não há preocupação.”

Sobre o atleta do clube rival que teve a sua família atingida por essa repudiável atitude, Carlos declarou que não conseguiu falar com os parentes dele: Não tivemos essa possibilidade até porque o tempo decorrido é muito pequeno. “Queríamos posicionar o clube, não tenho nem as imagens ainda do camarote. Vi pessoas mostrando dinheiro para torcida do Botafogo, atirando latas, partindo dos camarotes. Não tenho como identificar, mas as imagens estão disponíveis.”

Sobre uma possível polêmica com os dirigentes do Flamengo, o presidente do Botafogo disse: “O que eu ouvi e falei essa semana foi no sentido de clássico de paz. Nenhuma declaração polêmica de parte à parte, nenhuma colocação que pudesse deixar uma rixa, pelo contrário. O fato de existirem divergências comerciais e jurídicas entre dois clubes não significa que vá passar para as arquibancadas.”

Ainda sobre o assunto envolvendo os homens da diretoria da equipe da Gávea, CEP falou sobre quem era o possível culpado disso tudo: “Não deixaria só por conta dos dirigentes, não. Todos nós, inclusive a imprensa, temos responsabilidade grande ao tratar o assunto. Com palavras mais duras o assunto pode repercutir. Se colocar mais gasolina, amplifica isso. Deve haver um esforço conjunto de todos trabalharmos.”

Pimpão pede desculpas a Berrío

Durante a partida, Rodrigo Pimpão acertou um carrinho no tornozelo do colombiano Orlando Berrío, que teve ser substituído por conta desse contato. O atacante do Botafogo colocou, em uma rede social, uma declaração pedindo desculpas ao companheiro de profissão:

“Ontem, no clássico com o Flamengo, pela Copa do Brasil, houve uma disputa de bola com o Berrío, na qual eu acabei chegando um pouco atrasado no lance e, no contato, ele acabou sentindo e espero que não tenha sido nada grave. Gostaria de deixar claro a todos que em momento algum fui com intenção de machucá-lo, até mesmo por não querer levar o cartão, pois sabia que mesmo um amarelo iria me deixar de fora da próxima partida. Infelizmente isso é coisa de futebol, acontece coisas do tipo. Em nove anos de carreira nunca agredi/machuquei nenhum companheiro de trabalho, nunca foi do meu feitio. Quem me conhece, sabe a forma que me entrego dentro de campo e não desisto de uma bola sequer. Um exemplo claro é o meu último gol, que marquei na Libertadores.

Explano também que, após o jogo, procurei o Berrío para me desculpar e explicar o lance; Ele concordou e me entendeu, ficando assim tudo resolvido entre nós.

Na próxima quarta, dia 23, será o jogo decisivo e estarei na torcida pelo Fogão e pela paz entre as torcidas, dentro e fora do Maracanã.”

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