Era Parmalat: Palmeiras encerra jejum e volta à hegemonia nacional
Durante os anos de ouro, o Verdão usou a icônica camisa verde com listras brancas (Foto: Divulgação / Palmeiras)

No início da década de 1990, o Palmeiras vivia um mau momento: desde 1976 não ganhava um título de expressão. O jejum marcava os torcedores palestrinos, que queriam voltar a conquistar troféus. Em abril de 92, então, a empresa Parmalat tornou-se a grande patrocinadora do Verdão, dando origem a uma bela era na história do clube.

A parceria durou oito anos, finalizando-se em 2000. No aniversário do Alviverde Imponente, a VAVEL Brasil traz um especial sobre uma das épocas mais vitoriosas do time, marcada por grandes jogadores, taças inéditas e por muitas memórias.

1993, o ano do fim do jejum

Com a patrocinadora investindo no Palmeiras, os torcedores queriam, finalmente, acabar com a sequência de campeonatos não conquistados. Assim, o elenco treinado por Vanderlei Luxemburgo chegou à final do Campeonato Paulista, que seria disputada em dois jogos.

 

Foto: Divulgação / Palmeiras
Foto: Divulgação / Palmeiras

 

Na partida de ida, o rival Corinthians ganhou por 1 a 0, com gol de Viola. A preocupação era se o Verdão conseguiria reverter o resultado, mesmo jogando como mandante no Morumbi. Em 12 de junho, mais de 100 mil pessoas presenciaram a goleada do Palmeiras, por 4 a 0, que finalizou o jejum de 17 anos sem títulos. Com gols de Zinho, Edílson e dois de Evair, o Alviverde conquistava uma taça de novo.

E não parou por aí. Há 20 anos sem ganhar o Campeonato Brasileiro, os palestrinos chegaram até a final contra o Vitória. Numa série de dois jogos, vencendo ambos, o Palmeiras se sagrou o campeão do torneio pela sétima vez. Era, definitivamente, o fim da seca.

1994, a continuação

Um ano depois, o Verdão conquistou o Campeonato Paulista e o Campeonato Brasileiro, novamente. Vencendo o estadual antecipadamente sobre o Santo André, com gol de Evair, e batendo o Corinthians para ganhar o nacional, a ideia de que a Era Parmalat seria um sucesso ganhou ainda mais força.

 

Foto: Divulgação / Palmeiras
Foto: Divulgação / Palmeiras

 

O "ataque dos 100 gols", em 1996

Um dos melhores elencos já montados na história do Palmeiras, o time de 96 foi marcante. Campeão do Paulista daquele ano, o Verdão montou uma máquina que teve um desempenho impressionante: venceu 27 e empatou dois dos 30 jogos disputados, terminando a competição com 83 pontos. Foram "simplesmente" 102 gols marcados pela equipe na competição.

Um dos jogos mais especiais da temporada foi a goleada aplicada sobre o Santos, na Vila Belmiro: 6 a 0 no Clássico da Saudade. Com gols de Rivaldo, Cafu, Djalminha, Rivaldo e dois de Cléber, a torcida palestrina fez a festa em plena casa adversária.

A escalação desse grande time, dirigido por Vanderlei Luxemburgo, era: Velloso; Cafu, Sandro, Cléber (Cláudio), Júnior (Elivélton); Galeano, Amaral (Marquinhos), Rivaldo, Djalminha; Müller e Luizão.

Mais títulos em 1998

Em maio desse ano, o Palmeiras conquistou a Copa do Brasil pela primeira vez. A decisão da final, contra o Cruzeiro, estava prestes a ir para os pênaltis. No entanto, aos 44 minutos do segundo tempo, Oséas finalizou no ângulo e garantiu o título inédito.

 

Foto: Divulgação / Palmeiras
Foto: Divulgação / Palmeiras

 

Já no segundo semestre, a Copa Mercosul começou a ser disputada. Reunindo diversos clubes espalhados pelo continente, a primeira edição do torneio teve um Verdão dominante na fase de grupos, vencendo todos os jogos. Na final, enfrentou novamente o Cruzeiro, vencendo por 5 a 3 no agregado e levantando a taça.

Em 1999, o Palmeiras conquista a América

Em fevereiro, os palestrinos começaram a disputar uma das únicas competições que ainda não haviam ganhado: a Copa Libertadores. Na fase de grupos, o Verdão já teve que enfrentar o rival Corinthians duas vezes - vencendo uma e perdendo outra -, demonstrando que não seria fácil ser campeão. 

Avançando para as fases de mata-mata, o Palmeiras passou pelo Vasco, mesmo empatando o primeiro jogo. Na volta, Alex marcou três vezes e garantiu a classificação para as quartas de final, em que enfrentariam, novamente, o Corinthians.

A decisão foi para as penalidades. No gol, Marcos, que se tornaria o Santo palmeirense. O jovem arqueiro tinha a grande responsabilidade de substituir Velloso - e correspondeu às expectativas. Ele defendeu a cobrança de Vampeta e viu seu companheiro Zinho marcar o quarto gol, levando o time para a semifinal.

Na semifinal contra o River Plate, o Palmeiras brilhou e conseguiu a vitória no agregado por 3 a 1. Chegava a hora de disputar a tão sonhada final da Libertadores: somente dois jogos contra os colombianos do Deportivo Cali separavam o Verdão da inédita taça.

O primeiro jogo foi sofrido. Com um gol de Bonilla ainda no primeiro tempo, o adversário conseguiu uma vantagem para a volta, que seria disputada no mítico Palestra Itália. Em São Paulo, Evair abriu o placar, e Zapata empatou, mas, aos 30 minutos do segundo tempo, Oséas marcou o gol que levaria a disputa para os pênaltis. 

Logo na primeira cobrança, o palmeirense Zinho mandou no travessão. A angústia percorreu o estádio. As batidas seguintes foram convertidas, até que, no quarto pênalti dos colombianos, Bedoya chutou na trave e o placar se igualou. Euller converteu e, por último, Zapata chutou para fora. O Palmeiras conquistava a América!

Comandado por Felipão, o grande elenco formado por Marcos, Arce, Roque Júnior, Júnior Baiano, Júnior, César Sampaio, Rogério, Alex, Zinho, Paulo Nunes e Oséas levantou o troféu mais importante do continente, colocando em festa a torcida alviverde.

Principais jogadores da Era Parmalat

É totalmente inevitável associar a década de 90 a atletas que se destacaram. Desde goleiros até atacantes, o Palmeiras montou grandes elencos, cheios de craques em todas as posições. Mesmo não sendo possível citar todos, alguns dos principais jogadores dessa era de ouro foram:

Alex: o meia jogou entre 1997 e 2000, e de 2001 a 2002. Em 243 jogos, marcou 78 gols.

Arce: lateral paraguaio, jogou entre 1998 e 2002. Entrou em campo 241 vezes.

Cafu: lateral, jogou entre 1995 e 1997. Foram 99 jogos e 13 gols no período.

Djalminha: meia, atuou em 1996 e 1997. Ele jogou 88 vezes com a camisa alviverde, marcando 47 gols. 

Edmundo: o atacante jogou no Palmeiras entre 1993 e 1995, e 2006 e 2007. Marcou 99 gols em 223 jogos.

Evair: o atacante jogou entre 1991 e 1994, e também em 1999. Em 245 jogos, marcou 127 gols, o sétimo maior artilheiro da história do Verdão.

Marcos: ídolo o goleiro estava no clube desde 1992 e nunca saiu, aposentando-se em 2012. Foram 532 jogos disputados pelo Palmeiras.

Oséas: atacante, atuou entre 1997 e 1999. Jogou 172 vezes e marcou 65 tentos nesse período.

Paulo Nunes: também atacante, jogou entre 1998 e 1999. Em 133 jogos, marcou 60 gols.

Rivaldo: o meia jogou de 1994 a 1996, marcando 67 gols em 127 partidas.

Roberto Carlos: um dos maiores laterais da história do futebol, ele jogou no Verdão entre 1993 e 1995. Foram 185 atuações no total.

Zinho: teve três passagens pelo time, totalizando seis anos. Nesse período, jogou 333 vezes e marcou 56 gols.

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