Com o Corinthians em qualquer lugar: 107 anos de fidelidade
Foto: Diego Luz/Editoria de Arte/VAVEL Brasil

“Não é brincadeira. Vou vestir meu manto, o manto do alvinegro... Vou com o Corinthians em qualquer lugar”. Um dos cantos mais entoados pela torcida corinthiana retrata muito bem a sua torcida. A história mostra que não existem limites no planeta para os torcedores apaixonados, integrantes do bando de loucos, empurrarem o time em busca das vitórias e das conquistas. Nesse especial feito em homenagem aos 107 anos de fundação do Sport Club Corinthians Paulista, relembre três episódios que a Fiel se orgulha de fazer parte. As invasões que ficaram na história e enriqueceram o que houve dentro das quatro linhas.

1976 – Invasão ao Maracanã

No dia 5 de dezembro de 1976, Corinthians e Fluminense disputaram a semifinal do Brasileiro daquele ano em jogo único. Por melhor campanha, a Máquina Tricolor comandada por Roberto Rivellino decidiu em casa, no Maracanã. O Timão, apesar de saber que as peças tricolores eram mais qualificadas, era otimista pelas boas atuações como visitante na edição do torneio, a reação do elenco em jogos decisivos e o retrospecto de cinco vitórias consecutivas.

A expectativa da imprensa carioca era de uma maciça presença alvinegra, mas não se esperava tantos torcedores. Prova disso foi o relatado pelo Jornal do Brasil em 30 de novembro daquele ano. “O chefe da torcida afirma que a previsão inclui a de 500 ônibus e 20 aviões fretados, além de automóveis e caminhões, somando um total de 50 mil pessoas. Mas a euforia corinthiana – que há 22 anos não veem seu time ganhar um título expressivo – se choca com a realidade, pois seriam necessários 1.500 ônibus, além de outros meios de transporte, para transportar os 50 mil torcedores”. Os ingressos se esgotaram em menos de três horas.

O movimento nas rodovias foi intenso e o relativo desdém dado pelos cariocas resultou em uma surpresa das autoridades, que promoveram uma gigantesca operação para atender a demanda. Ao todo, foram 146.043 pagantes, além de 12 mil menores de 14 anos, que não pagavam ingresso.

Como se sabe, a invasão deu resultado. Pintinho abriu o placar aos 18 minutos de jogo, enquanto Ruço empatou aos 29. O jogo se estendeu até as penalidades máximas. Neca, Ruço, Moisés e Zé Maria marcaram pelo Corinthians, mas Rodrigues Neto e Carlos Alberto Torres perderam as cobranças. O Timão venceu por 4 a 1 nos penais e garantiu a vaga na final.

2000 – Primeiro Mundial

O Corinthians já tinha feito boas atuações no começo do ano 2000. No reformulado formato do Mundial de Clubes da Fifa, o Alvinegro de Parque São Jorge já tinha vencido Raja Casablanca e Al-Nassr, além de ter empatado com o Real Madrid na primeira fase. Como foi o melhor do grupo, avançou com o Vasco da Gama, líder da outra chave, para a disputa da final do torneio. A disputa mais uma vez seria no Maracanã.

E não foi diferente do que ocorrera pouco mais de duas décadas depois. Romário e Edmundo lideravam o time cruzmaltino com 100% de aproveitamento na competição, mas o estádio estava com presença gigantesca da Fiel. Quase 300 ônibus deixaram a capital paulista rumo ao Maracanã. Muitos sem ingresso, mas o importante era ajudar o Corinthians a faturar um título inédito.

Aconteceu como esperado. Após tempo normal e prorrogação sem gols, as penalidades máximas decidiram e o outrora maior do mundo mais uma vez foi cenário para a festa de milhares de alvinegros fiéis.

2012 – Timão no Japão

O amor dos torcedores pelo Corinthians foi evidenciado ainda mais em 2012. Após acabar com provocações, piadas e zoações com a conquista da Taça Libertadores da América diante do Boca Juniors, o Timão rumou ao Japão em busca do segundo título mundial e do fechamento de um ano perfeito. A distância não importou. Torcedores fizeram sacrifícios – alguns considerados insanos pelo senso comum – e acompanharam o Corinthians em terras asiáticas.

Tanto na semifinal contra o Al-Ahly, quanto na final diante do Chelsea, os torcedores dos adversários eram tremenda minoria, mesmo geograficamente mais perto. A Fiel trouxe o jeito brasileiro e único do corinthiano de apoiar os 90 minutos. E foi premiado. Paolo Guerrero marcou o histórico gol aos 24 minutos do segundo tempo e garantiu o bicampeonato mundial.

Independente das eras, das competições e dos lugares, a Fiel age ao pé da letra e empurra o Sport Club Corinthians Paulista em façanhas históricas. Um fato que ninguém ousa contestar.

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