Relembre: Botafogo retorna ao palco da partida que o confirmou na Libertadores
FOTO: LUCAS UEBEL/GREMIO FBPA

A partida contra o Grêmio, nessa quarta-feira (20), será especial ao Botafogo por dois motivos: o primeiro, obviamente, por ser uma partida de quartas de final de Taça Libertadores e o segundo por o Glorioso retornar ao palco de uma partida essencial, já que a última rodada do Campeonato Brasileiro do ano passado foi disputada na Arena do Grêmio.

O campeonato

Com Ricardo Gomes no comando da equipe durante o primeiro turno, o Botafogo apresentava uma inconstância gigantesca, já que nunca conseguia ter uma sequência positiva de resultados e viveu, durante grande parte do campeonato, na zona de rebaixamento. A equipe Alvinegra, porém, não jogava mal, mas realmente era refém de uma equipe com um nível técnico baixo.

As coisas pareciam ficar piores quando o treinador, ao fim da 19ª rodada, assinou com o São Paulo. Era um péssimo cenário: a equipe numa situação ruim na tabela, brigando para não cair e perdendo aquele que tentava fazer tudo funcionar. Naquele momento, tudo parecia que iria desabar e que o Botafogo retornaria, logo após subir, à segunda divisão do Campeonato Brasileiro.

Quando o auxiliar Jair Ventura foi efetivado no cargo de treinador, os torcedores passaram a desconfiar mais ainda - por conta do episódio envolvendo Eduardo Húngaro, que fora técnico da equipe em 2014. Funcionário do clube desde 2008, o filho do eterno Furacão da Copa de 70 esperava muito por essa chance. 

O cartão de visitas seria o melhor possível: sua estreia seria, ironicamente, contra o São Paulo. Mesmo jogando no Morumbi, o Botafogo se impôs e foi coroado no fim da partida, quando Diogo Barbosa driblou Buffarini com a sua velocidade e cruzou para Sassá completar o gol. Naquele momento, muitos ficariam surpresos com o resultado, outros não acreditariam que o Botafogo, na zona de rebaixamento, iria derrotar o São Paulo fora de casa. Menos Jair. Ele sabia que muita coisa estava por vir.

O início de segundo turno do Botafogo seria monumental. O que era medo de permanecer na zona de rebaixamento se tornou esperança de uma possível vaga na Libertadores. Apesar de muitos empates durante a campanha, o Botafogo dependia apenas de si na última rodada pra alcançar aquilo que parecia inalcançável no início. O adversário? O Grêmio, adversário na Taça Libertadores.

A última rodada

Em dia de homenagens à Chapecoense por conta do trágico acidente, o Botafogo tinha pela frente um Grêmio recheado de reservas por conta do recente título da Copa do Brasil. Nada disso importava. Qualquer um que estivesse ali pra enfrentar o Glorioso estaria sujeito a estragar uma possível festa pela classificação.  Não deu.

Era um jogo sem muitas chances. De um lado, um Botafogo um pouco nervoso, tendo em mente que qualquer erro poderia ser fatal. Do outro, um Grêmio desentrosado por conta da grande quantidade de reservas, mas com muita vontade de mostrar que poderiam ser aproveitados em um futuro próximo – Arthur, hoje jogador da Seleção Brasileira, esteve presente na partida.

Aos 16 minutos, suspiro: Camilo cobrou escanteio do lado direito, Carli desvia para o meio e Bruno Silva, atualmente um dos nossos principais jogadores, dominou com a perna direita, levantou a bola e, num movimento acrobático, chutou com a esquerda no cantinho do gol para abrir o placar. Naquele momento, o Botafogo estava em quinto lugar, classificado para a Pré-Libertadores.

Com 46 minutos, aflição: após uma dura entrada de Negueba em Victor Luis, Sassá correu até o meio de campo para questionar Airton, os dois se desentenderam, trocando empurrões e xingamentos. Vendo a situação, o juiz deu cartão amarelo para os dois atletas – como o volante já havia levado um, foi expulso. Em uma ação totalmente boba, o resultado esteve em jogo.

No segundo tempo, Jair retornou com Rodrigo Lindoso no lugar de Sassá para reforçar o meio de campo. Com superioridade numérica, o Grêmio cresceu e passou a atacar mais, mas parou em uma atuação inspirada de Sidão – assim como todas que fez no ano passado defendendo a camisa do Glorioso. Naquele momento, nada seria capaz de tirar a felicidades de jogadores e torcedores: a Taça Libertadores estava por vir. O resto é história.

O futebol e as suas voltas: último adversário do memorável Campeonato Brasileiro de 2016, o Grêmio reencontrará o Botafogo. Dessa vez, porém, o buraco é mais embaixo: jogo de volta de quartas de final de Libertadores. A pressão será ainda maior. A Arena estará mais cheia. O jogo, com certeza, terá um clima diferente, mas não apenas para o Grêmio. O Botafogo também tem boas lembranças de lá. 

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