Recordar é viver: relembre confrontos entre Cruzeiro e Villa Nova

Equipes tem quase 100 anos de histórias em confrontos. No entanto, uma decisão cheia de emoções e recorde de público marcou todo este período

Recordar é viver: relembre confrontos entre Cruzeiro e Villa Nova
Foto: Reprodução

Não existem muitos confrontos marcantes entre Cruzeiro e Villa Nova em toda a história. Porém, mais uma história será escrita neste sábado (17), às 16h30, no Estádio Mineirão, valendo por mais uma rodada do Campeonato Mineiro. 

O número de jogos entre Cruzeiro e Villa Nova é grande, mas sem jogos marcantes ou que ficaram na memória das duas torcidas. Desde 1921, ano do primeiro embate, foram 240 jogos, com ampla vantagem celeste. Os cruzeirenses venceram 123 vezes e perderam 45 jogos. 

Acompanhe aqui na VAVEL Brasil, aquele que, para as duas torcidas, foi o encontro mais emocionante entre Cruzeiro e Villa Nova.

Cruzeiro x Villa Nova - Final do Campeonato Mineiro de 1997

- Villa Nova 2 x 1 Cruzeiro - Primeiro jogo

A final do Campeonato Mineiro de 1997 foi, talvez, a mais improvável daquele período. A afirmação se deve pela classificação e o campeonato que os dois times realizaram. O Villa Nova passou para a fase de mata-mata em oitavo - e último - lugar. Já o Cruzeiro passou várias partidas na competição jogando com um time alternativo, e que foi apelidado por muitos de "expressinho". 

Histórias a parte, as duas equipes chegaram a decisão do Campeonato Mineiro com intenções muito interessantes. O Villa Nova não sabia o que era um título mineiro desde 1951. Por outro lado, o Cruzeiro tentava o bicampeonato, fato que aconteceu pela última vez em 1973, além de estar com vistas para a disputa da Copa Libertadores da América. 

No primeiro jogo, no Castor Cifuentes, muita festa por parte dos torcedores do Villa Nova e da cidade de Nova Lima, que acreditavam ser aquela decisão que poderia dar o título mineiro ao Leão do Bonfim. E o time alvirrubro mostrou que merecia o Estadual durante os 90 minutos. 

No primeiro tempo, Vander cobrou falta, e Alemão subiu mais alto que a defesa para cabecear. O placar de 1 a 0 para o Villa Nova deixou os torcedores eufóricos. Na etapa final, Guiba deu passe para Milton fazer o segundo gol do Leão do Bonfim. A aquela altura, o resultado dava ao time de Nova Lima o direito de perder por um gol de diferença, que ficaria com o título.

O Cruzeiro teve que sair para o jogo, fato que não ocorreu em nenhum momento durante o jogo. O prejuízo era grande demais para aceitar. Porém, na bola disputada por Alex Mineiro, o atacante Cleisson pegou a sobra e finalizou contra Cláudio para fazer o primeiro gol celeste. Ao final, vitória do Villa Nova, fez alvirrubra, mas ainda tinha 90 minutos a serem jogados no Mineirão.

- Cruzeiro 1 x 0 Villa Nova - Segunda partida - Cruzeiro campeão! 

O dia 22 de junho de 1997 ficaria na história no futebol mineiro, mas nem o mais fanático por futebol pensaria que fosse tanto. Há muitos anos, o Mineirão não recebia mais de 100 mil torcedores. O que era muito normal nos primeiros anos do estádio da Pampulha, ficou escasso a partir dos anos 1990.

O torcedor do Cruzeiro acreditou no título mineiro de 1997, e foi para as bilheterias do Mineirão mostrar seu amor pelo clube. A torcida do Villa Nova também não deixou por menos. Uma legião de novalimenses deixaram a cidade com destino ao Gigante da Pampulha, marcando uma presença muito forte no estádio. 

No final das contas, 74.857 torcedores pagaram ingresso. Outros  57.877 presentes - mulheres e crianças não pagaram bilhete, prática comum naquela época -, além de convidados e profissionais estiveram no estádio. No total, 132.834 presentes no Mineirão. O maior público da história em Belo Horizonte. 

Dentro de campo, o Cruzeiro, sabedor de sua condição, foi para cima do Villa Nova, e não demorou muito para fazer o que precisava. Aos 10 minutos, Palhinha lançou Marcelo Ramos. Este, nas costas da marcação teve tempo de dominar e bater cruzado, no canto direito de Cláudio. Cruzeiro, 1 a 0.

A festa no Mineirão se prolongou. O Villa Nova, diferentemente do primeiro jogo, ofertava pouco perigo ao goleiro Dida. O Cruzeiro poderia ampliar, mas também não tentou. No final, festa cruzeirense em campo e a torcida, que fez sua parte, participou das festividades do bicampeão mineiro. 

Foto: Osmar Ladeia