Análise: Alberto Valentim aplica "nó tático" em Carpegiani e sacramenta vitória do Botafogo
Foto: Vitor Silva/SS Press/Botafogo

Precisando de uma vitória num clássico para afirmar de vez seu trabalho à frente do Botafogo, o técnico Alberto Valentim conseguiu armar muito bem a equipe alvinegra e solucionou, pelo menos em parte, alguns dos problemas que o time vinha apresentando nas últimas partidas.

Desde o momento em que a bola rolou, foi possível perceber que o Botafogo, ao contrário do que muitos poderiam imaginar, não tinha a intenção de se esconder do jogo. Pelo contrário, as primeiras oportunidades foram criadas pelo Alvinegro. Mesmo tendo menos posse de bola, Luiz Fernando ameaçou aos 10 minutos, roubando bola com pressão no campo de ataque.

Com a bola nos pés, a equipe se organizava num 4-2-3-1. Foi comum ver Renatinho atuando como um meia mais ofensivo, quase um camisa 10. Marcelo Santos saia mais para o ataque (mesmo que, por vezes, recuasse para jogar ao lado de Lindoso), enquanto o capitão era o responsável pela armação de jogadas mais recuado. Brenner, centralizado, foi tático. Prendeu a bola, segurou o jogo, deu tempo para que as transições acontecessem e ajudou imensamente, ainda que pouco tenha aparecido para finalizar.

Moisés e Marcinho, como de costume, deram bastante amplitude, avançando em profundidade no campo de ataque e sendo opções para jogadas como a que gerou o gol alvinegro. Lindoso recebeu pelo meio, Marcinho atacou as costas de Éverton e cruzou para Luiz Fernando, centralizado, marcar.

Defensivamente, Botafogo não deixa o Flamengo jogar e acaba vencedor

Em termos defensivos - ponto onde o Botafogo vinha apresentando maior dificuldades - Valentim conseguiu dar um "nó tático" em Paulo César Carpegiani. Com o jogo aéreo reforçado pela presença do argentino Joel Carli, a recomposição dos meias abertos - Luiz Fernando e Valencia - foi fundamental para que Marcinho e Moisés não ficassem sobrecarregados.

Marcinho, que se destaca por ser melhor atacando do que defendendo, teve a ajuda de Luiz Fernando e, por alguns momentos, de Marcelo Santos para segurar as investidas da dupla Éverton-Lucas Paquetá, já que o camisa 22 rubro-negro atuou como lateral no clássico.

Pelo centro, Rodrigo Lindoso, Marcelo Santos e Renatinho faziam uma trinca de meio-campistas, barrando jogadas de Diego, Arão e Jonas pelo setor. Henrique Dourado, sem condições de fazer o pivô, acabou isolado entre os zagueiros. No segundo tempo, Valentim chegou a alternar o esquema. Depois de iniciar com o 4-3-3 citado, recuava Lindoso e promovia um 4-1-4-1, com o camisa 5 entre as linhas e Renatinho, Marcelo Santos, Luiz Fernando e Valencia formando uma nova linha à frente do capitão.

Ao rechear o meio de campo, Valentim forçava o Flamengo a abrir o jogo pelas laterais, o que já é uma característica da equipe que contava com Vinicius Jr e Paquetá. Entretanto, os levou a absurdos 45 cruzamentos. Apenas seis foram corretos.

Apesar do número, as melhores chances do Flamengo vieram por lá, em jogadas onde a defesa do Botafogo acabou por falhar em acompanhar. Dourado acertou uma bola na trave e, ainda no primeiro tempo, Arão quase conseguiu marcar após a bola "pipocar" de um lado a outro da área. Questão de promover ajustes e tais chances são comuns, considerando-se o volume de "chuveirinhos".

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