Roger reduz vantagem na final: "Quem sabe quando o árbitro levantar a placa de acréscimo "
Roger Machado em coletiva pré-clássico (Foto: Divulgação/SE Palmeiras)

Roger Machado vem em grande crescente no Palmeiras.
O técnico fez o time jogar bem, recuperou jogadores e deu um estilo de jogo ao time, que vêm bem na Libertadores e está na final do Campeonato Paulista de 2018, com a vantagem de 1 a 0 sobre seu rival, Corinthians.

Na última sexta-feira (06) Roger concedeu entrevista coletiva na Acadêmia de Futebol, falando sobre o pré-clássico, treino aberto, estratégias para vencer a final, além da situação física de seus atletas.

"Tenho certeza que pro Palmeiras, pro torcedor, pro grupo de jogadores e pro treinador representa muito porque é uma conquista com peso grande. Não pelo tempo que está sem conquista, mas pela importância histórica que os clubes dão pros campeonatos estaduais. Pra carreira de um treinador é importante, marca a trajetória do profissional dentro de um clube. Pro atleta e pra torcida é algo que não se esquece jamais".

O técnico alviverde valorizou a vantagem conquistada no primeiro jogo, fora de casa, mas valorizou também seu estilo de jogo:

"Nós temos uma vantagem, porém acredito que a gente não deva sentar em cima da vantagem até porque a gente vai enfrentar um adversário que, mesmo jogando fora de casa, já provou em outros momentos que pode reverter adversidades. Acho que a gente deve ter a vantagem, saber jogar com a vantagem, mas não mudar as características do nosso jogo. A partir do momento que  gente passou a executa-las dessa forma a gente conseguiu ter um ganho de qualidade no nosso jogo que a gente não pode perder. Administrar a vantagem? Quem sabe quando o árbitro levantar a placa dos acréscimos lá no final".

Para Roger, o Palmeiras está no caminho do amadurecimento. Para ele, jogadores com experiência são uma grande contribuição para esse caminho ser feito. Mas o principal é passar por jogos como a grande final do Paulistão.

"Tem os jogadores com maturidade e experiência disputada aqui ou em outros momentos com decisões importantes é um coisa. Ter uma equipe madura depois de ter passado por um processo longo de amadurecimento dentro da competição é outra. Uma coisa não tá obrigatoriamente ligada à outra. Porém nós entraremos na decisão disputando o vigésimo jogo do ano. Nosso time é um time que ainda está amadurecendo coletivamente. Só os jogos e a dificuldades dos jogos e dos adversários diferentes que a gente vai enfrentar que vai nos dar essa real dimensão. Ter jogadores experientes é o primeiro passo".

O técnico falou sobre estudar seu adversário e adequar seu estilo de jogo para conseguir a vitória, como foi no primeiro jogo:

"A gente conseguiu mapear bem e estudar o time do Carille, sem deixar de jogar. Essa pressão que a gente exerceu no começo nos permitiu sair na frente e reforçar a estratégia que a gente tinha traçado pra aquele confronto. Agora a gente fica tentando captar os fragmentos de informação que vem do outro lado, pra que a gente consiga entender. O adversário precisa vencer o confronto, então vai jogar de que forma? Vêm como? Vai voltar com os dois meias? Vai continuar com o atacante móvel na frente? E aí a gente tenta simular e se preparar pra tudo isso, mas antes trabalhar o nosso time, pra que a gente consiga repetir o que a gente fez no primeiro confronto".

"O jogo assume a característica daqueles que jogam. Se você jogar com dois meias por dentro, com dois jogadores agudos pelas pontas, se você não igualar o número de jogadores no meio, você perde o meio. O que muitas vezes parece falta de garra no jogo muitas vezes é o desencaixe, que faz com que você não consiga encaixar a marcação e isso aos olhos externos soa como falta de pegada", completou explicando sobre encaixes individuais das equipes.

Roger brincou sobre poder dar pistas de sua equipe e comentou sobre a situação física da equipe: 

"Nada (risos). Eu espero ter todo mundo no campo hoje, sei que a gente tem alguns pequenos problemas. Ontem a gente deixou lá dentro da acadêmia o Dudu, Moisés, o Keno, o Antônio saiu antes, o Miguel. Ontem foi 48 horas depois do jogo contra o Alianza, era um dia perigoso. Aqueles que se desgastaram mais, ontem eu falei: "não, tu vai ficar aqui dentro (da acadêmia)." se tiver todo mundo no campo, hoje é o dia que a gente define e monta a estratégia pro domingo".

"O fato de ter jogado bem, atuado com consistência na Libertadores, leva confiança para próximo jogo. Ainda mais para jogo de final. Te preveniu de sentir isso por um período grande. Até ontem era pós-jogo daqueles que jogaram a Libertadores. Hoje vou ter todos os atletas no elenco, não sei se terei todos ainda. Mas hoje que a gente, de fato, começa a montar a estratégia para a partida do final de semana. Agora talvez seja o período suficiente pra entrar numa decisão como essa. Se envolver mais próximo do jogo e estar focado mais próximo da partida", completou o comandante palmeirense, falando sobre o jogo contra o Alianza e como ele influenciou no físico dos atletas.

O técnico palestrino valorizou a presença do torcedor no treino pré-final, onde serve de apoio para a equipe entrar com mais força na final.

"A gente faz questão de valorizar presença do nosso torcedor nesse momento importante, a gente deu uma condensada nesses dias pra que a gente pudesse abrir o treino. Ontem ao final teve penalidades, pois não vou poder bater no sábado. A bola parada vou poder bater no sábado, mas se eu fizer vou entregar minha escalação. Aí amanhã fazer um treino mais de reconhecimento, porque eu acho que toda e qualquer informação que a gente puder negar nessa decisão ela pode ser decisiva".

Roger Machado respondeu também sobre sua escolha por Jailson como titular da equipe e como pode chegar até essa decisão.

"O que me levou (a escolher Jailson como titular) foi a avaliação técnica da pré-temporada, as conversas com o Oscar e o Danilo (treinadores de goleiro), na medida que o Oscar e o Danilo me posicionaram dizendo que nós tínhamos 3 goleiros do mesmo nível e que eu poderia confiar e escolher aquele que tivesse melhor preparado ou num melhor momento eu poderia tranquilamente utilizar, e a opção foi pelo dia a dia. Se a gente lembrar, o primeiro amistoso foram 3 tempos de 30 minutos. O primeiro a sair foi o Weverton, posteriormente o Prass e posteriormente o Jailson. Esses movimentos o treinador também usa, para saber se o goleiro que tá entrando por terceiro vai manter a conduta dele".

O comandante alviverde terminou a coletiva com uma analogia para explicar a importância da tática e desse estudo no futebol, que é uma coisa que Roger demonstra, em suas coletivas, gostar muito.

"Pra mim o jogo de futebol é a simbologia de uma batalha de um exército contra outro. Cada exército tem uma estratégia pra defender sua base e pra atacar a base do adversário. Dependendo da característica dos jogadores que vão a campo, isso gera movimentos diferentes. A gente no futebol brasileiro costuma analisar muito o jogo em cima da individualidade dos jogadores. Gosto de fazer essa analogias: dá a bola pro habilidoso e deixa ele decidir. Não consigo entender isso. Transferindo pra uma batalha: eu tenho o melhor sniper.

Qual a estratégia pra proteger o sniper? Não, joga ele no campo de batalha e deixa ele atirar, é bom atirador, ele sabe se virar bem. Por isso eu valorizo essa questão de elementos táticos.  Se eu tiver bem preparado para isso eu posso antecipar alguns movimentos e passar isso pros jogadores. Nós jogos eu procuro por comportamentos. Quando um jogador pega na bola 10 vezes  ele fez esse movimento, então é comportamento. Pode ser treinado como pode ser qualidade do jogador".

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