Fim da fila: Evair entra pra história, Palmeiras goleia Corinthians e conquista Paulistão de 1993
Divulgação/SE Palmeiras

"Pênalti para a equipe do Palmeiras bater, Evair ajeita na cal. É a chance do Palmeiras levantar o título! Atenção, partiu gol do título! Evair, Evair, Evair, toma impulso pra bater o pênalti. No meio do gol o goleiro Wilson. [...] Atenção Evair, longa distância. Vai pra bola Evair, autorizado, perna direita... pro GOOOOOOOOOL do Palmeiras! Evair no pênalti!", com essas palavras, o narrador Oscar Ulisses eternizava o momento de Evair, o quarto e último gol palmeirense naquela noite. Era o fim da fila. Fim de 16 anos de jejum. O Palmeiras voltava a ser campeão, na histórica final do Paulistão de 93.

Jejum de taças, início da parceria com a Parmalat e grande campanha até a final

Como já mencionado, o torcedor palmeirense não sabia o que era ver o time campeão há 16 anos. Os mais jovens deles, nunca sequer comemoram um taça alviverde. A década de 90, porém, trazia sinais de uma esperança de virada ao Palmeiras.

Em 1992, começava a Era Parmalat. No primeiro ano de parceria, o grito de campeão ainda não veio, mas já tinha início o projeto de fortificar o elenco palmeirense. Chegaram nomes até então inimagináveis antes da parceria com a empresa italiana, como os de Evair, Zinho, César Sampaio e Mazinho. Veio então 1993, junto de mais reforços de grande quilate para o plantel alviverde, a exemplo de Edmundo, Roberto Carlos e Edílson, além da chegada do então promissor treinador Vanderlei Luxemburgo para o comando da equipe da Barra Funda.

Sérgio, Mazinho, Antônio Carlos, Tonhão, Roberto Carlos, César Sampaio, Daniel, Edílson, Zinho. Edmundo e Evair eram os onze nomes que formavam o time titular palmeirense no Paulistão daquele ano. Com a força de seu esquadrão, o Palmeiras terminou a primeira fase do campeonato com folga na liderança. Na segunda fase, os oito melhores times do campeonato se dividiram em dois novos grupos de quatro times cada, onde os líderes de cada um fariam a grande final. Palmeiras e Corinthians terminaram na liderança de seus grupos. Teríamos um Derby na grande final.

Primeira final: Favoritismo verde acompanhado por uma derrota amarga

Em tempos que os Derbys ainda aconteciam no Morumbi, por conta da grande capacidade do estádio, o palco das duas finais não poderia ser outro. 93.736 torcedores encheram as arquibancadas na primeira decisão.

Antes da final, o Palmeiras era apontado como favorito. O forte elenco e excelente campanha do time formentavam essa ideia. Mas isso não anulava o fato de o Corinthians também possuir um grande time, que contava com jogadores como o goleiro Ronaldo, Viola e Neto.

Ainda no primeiro tempo, Viola marcou o único gol do jogo, o da vitória corintiana. Mas mais emblemático que o gol em si, foi a comemoração do atacante, que imitou um porco, em gesto de provocação ao rival. Ao ironizar o Palmeiras, no entanto, Viola não imaginava que daria um gás a mais aos jogadores da equipe alviverde. Para a segunda decisão, prometiam voltar mais fortes.

Ao mesmo tempo, todavia, que a derrota no primeiro jogo poderia servir de motivação aos palmeirenses, ela trouxe também à tona antigos fantasmas que assombravam o Palmeiras nos últimos 16 anos. A equipe ficaria mais tempo na fila? Para os jogadores, isso não era opção.

Segunda final: Redenção com direito a goleada. O Palmeiras enfim voltava a ser campeão

Naquele 12 de julho de 1993, dia dos namorados, o público no Morumbi passou de 104 mil pessoas. O regulamento da época definia que o Corinthians, por ter vencido o jogo de ida, tinha a vantagem do empate para ser campeão, enquanto o Palmeiras, para erguer a taça, precisava vencer no tempo normal e na prorrogação.

Jogando de meias brancas, por superstição de Luxemburgo, o Palmeiras pôs-se ao ataque em busca da vitória. Zinho abriu o placar no primeiro tempo e na segunda etapa, Evair e Edílson aumentaram a vantagem palmeirense. O 3 a 0 não era, entretanto, suficiente. O campeonato seria decidido no tempo extra.

Com as forças quase esgotadas, os jogadores do Palmeiras, que davam tudo de si em campo, buscavam suas últimas forças na prorrogação para levar a taça ao Parque Antártica. Eis então que Edmundo é derrubado na área. Pênalti. Categoricamente, Evair desloca Wilson e marca o gol do título. Era o fim do jejum. A redenção de 16 longos e sofridos anos. Era também apenas o início de anos de ouro da parceria entre Palmeiras e Parmalat. Hoje, 25 anos depois, o gol de Evair segue vivo na memória dos palmeirenses.

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