Análise: Tite não surpreende e convoca Seleção Brasileira na confiança e talento individual

Com nomes de confiança e jogadores de lado de campo, Brasil é convocado sem grandes divergências

Análise: Tite não surpreende e convoca Seleção Brasileira na confiança e talento individual
Foto: Lucas Figueiredo/CBF

O Brasil não tem quase 200 milhões de treinadores, como diz a célebre frase. Mas a Seleção Brasileira, convocada de forma oficial nesta segunda-feira (14), na sede da CBF para a Copa do Mundo da Rússia 2018, tem o mais preparado profissional para comandar a amarelinha na caminhada para o Hexa.

E esse preparo se nota nas poucas - no máximo duas - dúvidas da população em relação a lista final de Tite. E a VAVEL Brasil traz uma análise completa, por setores, dos 23 nomes da comissão técnica para o sonhado hexa no futebol.

Confiança e ótimos nomes no gol

Todo time campeão começa com um grande goleiro. E toda convocação começa com três goleiros de confiança, e Tite prezou por isso para fechar uma de suas dúvidas. Cássio foi o goleiro que fechou a lista após incerteza e concorrência com Neto na lista anterior. Alisson e Ederson fecham a lista, mas ambos já sabidos que seriam chamados. 

Qualquer que seja a preferência de Adenor para assumir a meta brasileira, ela estará bem-servida.

Confirmação e setor de incertezas

O Brasil tem as melhores opções de laterais no mundo. Na esquerda, Marcelo Filipe Luis foram os convocados, mas ainda deixando Alex Sandro, Alex Telles e outros bons nomes escanteados. Mas foi na direita a verdadeira dor de cabeça na formulação.

Isso porque Daniel Alves, possível capitão e melhor lateral-direito do mundo, se contundiu de forma grave e está fora da Copa. O reserva mais chamado foi Fagner, atualmente em fase final de recuperação, mas muito contestado pela torcida brasileira. Danilo, lateral do Manchester City, foi convocado e deve iniciar como titular no Mundial, apesar da instabilidade no Real Madrid e também no time inglês. Rafinha, outro nome que poderia aparecer, ficou de fora. No meio de muitas contestações, Fagner tem a confiança de Tite por ter trabalhado e campeão com o treinador atual do Brasil.

Surpresa agradável e merecida na zaga

A defesa brasileira, tão questionada em mundiais passados, segue a linha e postura recente e parece incontestável e muito forte. Miranda, Marquinhos e Thiago Silva confirmaram sua presença e estão garantidos por Tite. A dúvida final ficou por conta de Rodrigo Caio e Geromel, que ganhou a última vaga e fechou a lista defensiva. Justo e merecido pelo momento em que vive o gremista.

Novamente o Brasil contará com um sistema defensivo forte, com alguns dos melhores zagueiros do mundo aliado ao poder tático que Tite pode dar. À princípio, Marquinhos e Miranda começam como titular, mas Thiago Silva corre por fora em busca da titularidade.

Força física, polivalência e chegadas ofensivas no meio-campo

A convocação do meio brasileiro talvez foi o setor onde mais podemos discutir os nomes chamados. Não pelo já tradicional e conhecido de todos, como Casemiro, Fernandinho e Paulinho, volantes com poder de marcação, mas enorme poder de construção (Fernandinho) e chegada ofensiva (Paulinho). 

Já Renato Augusto se mantém na lista e é um dos trunfos de Tite para fazer mais de uma função em campo. O meia segue muito bem na China, mas perdeu espaço na Seleção dentre os titulares. Ainda assim, segue importante pela liderança, leitura de jogo, inteligência e até mesmo por atuar mais à frente na linha de meio, ou até dar suporte aos volantes, liberando um companheiro mais ao ataque.

Só que o nome mais contestado nesse trecho do campo, sem dúvida nenhuma, é Fred. O meio-campista do Shakhtar Donetsk aparece na convocação e é questionado mais pelo desconhecimento do que por seu futebol. Arthur, jovem do Grêmio, é o nome mais falado para uma possível troca, mas fato é que Fred faz uma campanha irretocável no futebol ucraniano e foi publicamente desejado por Pep Guardiola para atuar no Manchester City. Versátil, habilidoso e com muita técnica e chegada, pode fazer as funções de segundo volante, meia por dentro e até mesmo jogar aberto para desafogar a saída de jogo. 

Fecha a lista Philippe Coutinho, incontestável por todos, mas que deve jogar numa função diferente, mais por dentro, para dar liberdade nas pontas e ter a criatividade e a intensidade por dentro do camisa 14 do Barcelona.

Muito talento individual e velocidade no ataque

Os responsáveis pelos gols na lista de Tite não teve tanta dúvida. Neymar, Gabriel Jesus, Willian, Roberto Firmino e Douglas Costa são nomes cravados e certos, ainda que Tite tenha confirmado a titularidade de Gabriel Jesus, ao menos no começo. A fase de Roberto Firmino no Liverpool é merecedora de titularidade na Seleção.

O que chama a atenção no ataque brasileiro é a quantidade de atacantes de lado, o alto talento individual e a extrema velocidade que eles possuem. Tite talvez comece a Copa com Neymar na esquerda e Willian na direita, e dentre seus atacantes, talvez apenas Firmino seja o mais físico deles, além do enorme poder de sair da área e ajudar no combate da marcação ofensiva.

Quem fecha a lista é o nome mais contestado dentre todos. Taison, formado na base do Internacional, atualmente no Shakhtar Donetsk, foi convocado e criou a maior polêmica. Também jogador de lado, de velocidade e certa habilidade, ganhou a vaga que Luan poderia ocupar. Ainda assim, a confiança e a intensidade que Taison já demonstrou parece ter sido o diferencial em relação ao atacante do Grêmio.

Time-base

Dentro da lista final e daquilo que Tite definiu nos últimos amistosos, a Seleção Brasileira deve começar a Copa com Alisson; Danilo, Marquinhos, Miranda, Marcelo; Casemiro; Willian, Paulinho, Coutinho, Neymar; Jesus. O sistema 4-1-4-1 deve ser mantido inicialmente, mas podendo sofrer alterações como o 4-2-3-1, com Paulinho mais recuado e Coutinho com maior liberdade por dentro.

A transição, velocidade e força coletiva do grupo de Tite é muito alta, mas apenas o campo e o merecimento, palavra tão utilizada por Tite, dirão se esses 23 nomes estarão na história do futebol mundial como campeões da maior seleção do mundo.