Em despedida para Al Wehda, Carille revela: "Não foi fácil pedir para sair do Corinthians"

Técnico ainda revelou que vai levar Leandro 'Cuca' como seu auxiliar, mas não descarta convidar outras peças da comissão corinthiana para ir à Arábia

Em despedida para Al Wehda, Carille revela: "Não foi fácil pedir para sair do Corinthians"
Carille esteve no Corinthians durante nove anos e meio (Foto: Divulgação/Futpress Comunicação)

Depois do comunicado de sua saída para o Al Wehda, da Arábia Saudita, o ex-técnico do Corinthians, Fábio Carille concedeu entrevista coletiva em um hotel em São Paulo, nesta quarta-feira (23)

Logo no início da entrevista, Carille agradeceu aos presidentes que passaram pelo Corinthians enquanto permaneceu por quase dez trabalhando de auxiliar e técnico.

"Quero deixar minha gratidão à toda diretoria do Corinthians. Desde a primeira passagem, Mário Gobbi, Roberto de Andrade, Andrés Sanchez, nove anos e meio de uma história de uma história que considera linda. Minha gratidão eterna a esse clube e também para o sheik que acreditou em mim e não mediu esforços para que eu vá para o país e ajude a revolucionar esse clube, um projeto grandioso, por isso a escolha", declarou.

Em seguida, o técnico esclareceu as informações que foram veiculadas pela imprensa na última semana. No último domingo, após o empate contra o Sport, Carille entrou em uma polêmica ao se mostrar irritado com as notícias que surgiam sobre um possível acerto.

"Quarta-feira da semana passada saiu uma enquete no mundo árabe. A partir do momento que um amigo meu que joga em Dubai me ligou, a princípio comuniquei algumas pessoas. Algumas delas a diretoria do Corinthians, porque se saiu lá ia sair aqui. Não houve protesto oficial, fiquei sabendo que desde o início não era a primeira opção. Se não acertassem, fariam a proposta oficial. No meio desse caminho procuraram meus empresários no final de semana, na segunda iniciaram essas conversas, foi de uma forma muito rápida, na terça de manhã ainda poucas coisas sobre isso, sobre essa equipe. As exigências que fizeram concordaram todas. Estão acreditando em mim, na ideia, nos próximos três anos querem ser uma potência no futebol" esclareceu.

Quando questionado sobre uma possível despedida no jogo de quinta-feira (24), contra o Millonarios, Carille disse que não planeja ficar à beira do gramado e explicou a coletiva fora do CT Joaquim Grava. Além disso, o técnico se mostrou indiferente quanto aos valores oferecidos, que se atraiu pelo projeto em si e não na parte financeira.

"Ou eu iria pelo que ofereceram ou ficaria pelo que estava. Ou eu vou ou fico como está, estou tranquilo disso. Sou muito emotivo, graças à Deus o Corinthians está classificado para Libertadores, mas tem jogo amanhã. Tem rouparia, porteiro, não ia me sentir bem em véspera de jogo. Falei com algumas já, mas quero ir lá e dar abraço em cada um, jogadores, funcionários, diretoria. Foi uma opção minha (a coletiva fora do CT). Se pensou em jogo de despedida, mas não, não ia conseguir, o vestiário ia ficar negativo", revelou.

Carille ainda aconselhou o futuro técnico, Osmar Loss, que vai assumir a equipe já na quinta-feira, e deve seguir no comando do clube, ao menos até a parada para a Copa do Mundo.

"Ele não deve perder, nunca. O que fazer: ganhar, sempre. Trabalhar em clubes grandes é uma pressão diária interna, de você com você o tempo todo. Um milhão de coisas para tomar uma decisão. É discutido bastante tudo para que a gente faça a melhor escolha. É isso, que ele tenha bastante luz, sabedoria. Tem um grupo maravilhoso, que respeita, que compra a ideia", aconselhou.

Com a surpresa da notícia, depois das últimas declarações do técnico que não existia nada de concreto entre os árabes e seus empresários, muitos torcedores se mostraram irritados quanto a sua saída, mas Carille se mostrou realista com relação às críticas vindas por parte dos torcedores.

"Sabia que ia acontecer. Compraram a briga junto comigo. Também tenho recebido mensagens de carinho, de obrigado, de até logo, que você seja feliz. Sabia que ia acontecer (críticas de torcedores). Vivi a cada dia o Corinthians e vou viver o próximo clube que vou trabalhar" pontuou.

O técnico ainda falou quem levará para compôr a sua comissão técnica. De início, Leandro 'Cuca', seu auxiliar é o nome certo, mas Carille ainda pensa em outros profissionais.

"Tudo aconteceu muito rápido, o único que está definido é o Leandro, que eu trouxe para o clube. Não pode ser uma conversa por telefone né. Os outros integrantes vão ser conversados nos próximos dias", explicou.

Quanto a levar jogadores do próprio Corinthians para fazer parte do elenco no Al Wehda, Carille não descartou a possibilidade, visto que na liga árabe, é possível ter sete estrangeiros na equipe.

"Não vou tomar nenhuma decisão em relação à atletas, primeiro quero ver quem está contratado. Algo que começo a fazer a partir de hoje. Devo viajar no fim de semana para encontrar o príncipe na Suíça para ver os amistosos da seleção da Arábia. Pode acontecer sim (de contratar jogadores do Corinthians)" explicou.

Ao final da coletiva, o ex-técnico alvinegro foi sincero ao dizer que tomou uma decisão difícil ao deixar o comando da equipe.

 "Pensei em tudo. Não é fácil pedir para sair de um Corinthians, ainda mais com a história que foi construída, por tudo que vivi. Ontem foi um dia muito pensativo, difícil. Manda documento, não vem documento, as horas vão passando. Quero comunicar o Corinthians se algo acontecer. Ontem foi um dia muito ruim de saber o peso, pensei em tudo, mas estou em paz com a escolha. Sei que o torcedor é paixão, entendo. Trabalhei muito no Corinthians, teria espaço para conquistar mais, mas coloquei na cabeça outro desafio. Acreditam no meu trabalho, fizeram todo o esforço para me tirar daqui", finalizou.