Editorial: sem apontar culpados, Brasil tem ótima chance de realizar ciclo com geração promissora

Comando da CBF deve renovar com Tite e fazer com que treinador possa concluir um ciclo a frente da Seleção Brasileira

A Seleção Brasileira caiu diante da Bélgica na Copa do Mundo da Rússia. Contra de uma geração adversária muito qualificada, os comandados de Tite ficaram pela primeira vez  atrás do placar em uma partida na Rússia e não conseguiram reverter a situação desfavorável. O gol de Renato Augusto no fim do segundo tempo até deu um animo para os jogadores, mas o Brasil acabou desperdiçando algumas chances e se despediu do Mundial nas quartas de final.

Foto: FIFA/Getty Images
Foto: FIFA/Getty Images

O momento é totalmente diferente do vivido em 2006 ou 2014, por exemplo, hoje a Seleção Brasileira é respeitada internacionalmente. Foi eliminada por outra grande equipe que chega muito gabaritada até para ser campeão mundial. A situação não é de apontar o dedo para culpados ou procurar erros cometidos por jogadores, comissão técnicas ou dirigentes. Claramente que aconteceram situações que devem ser discutidas pelos próximos quatros anos para fazer com que o Brasil volte à Copa do Mundo forte novamente.

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A primeira escolha para o ciclo que se inicia é a renovação do treinador Tite e sua comissão técnica. Não há motivos para o trabalho ser interrompido. A CBF já deixou claro que deseja sua permanência e isso é um ponto a se elogiar.

Foto: FIFA/Getty Images
Foto: FIFA/Getty Images

A manutenção de um bom trabalho é essencial para os resultados continuarem em uma constante. Essa nova fase nos reserva escolhas a serem feitas também. Jogadores como Thiago Silva, Miranda, Daniel Alves, William e Marcelo são jogadores que ainda podem fazer parte das convocações pelos próximos dois anos, mas não devem chegar até a Copa de 2022 entre os 23 escolhidos. A geração 2022 pede passagem.

O terceiro ponto deste ciclo é saber preparar a seleção de forma que a renovação não seja traumática. Os mais experientes ainda podem ser utilizados na disputada da Copa América do ano que vem e devem ajudar os novos a buscar seu espaço com a camisa amarelinha.

Jogadores jovens como Arthur (Barcelona), Paquetá (Flamengo), Vinícius Júnior (Real Madrid), Malcom (Bordeaux), David Neres (Ajax) e Richarlison (Watford) são favoritos para conquistar espaço nos próximos meses e se juntar a remanescentes como Alisson, Ederson, Marquinhos, CasemiroDouglas Costa, Neymar, Firmino, Coutinho e Gabriel Jesus.

Foto: Gilvan Souza/Flamengo
Foto: Gilvan Souza/Flamengo

Um fato que os dirigentes da CBF deveriam explorar é a aproximação da torcida com os jogadores. O “Movimento Verde Amarelo” deu um show dentro dos estádios por onde o Brasil jogou e também em solo russo recepcionando a delegação nas cidades por onde passou. Já passou do momento dos amistosos voltarem a ser disputados majoritariamente nos estádios brasileiro. Todas as outras seleções sul-americanas se utilizam do fator casa para disputar suas partidas internacionais e a Seleção Brasileira talvez seja a única que joga fora de sua casa.  

Foto: Lucas Figueiredo/CBF
Foto: Lucas Figueiredo/CBF

Os próximos compromissos brasileiros serão amistosos nos Estados Unidos, em setembro - um jogo contra o time da casa e outro contra a Argentina. O torneio mais importante no radar da CBF passa a ser a Copa América de 2019, a ser jogada em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador e Porto Alegre.