Retrospectiva VAVEL: Um ano para o Sport (nunca) esquecer
(Arte: Rodrigo Rodrigues/VAVEL)

Retrospectiva VAVEL: Um ano para o Sport (nunca) esquecer

Fracasso no estadual, vexame na Copa do Brasil, ausência na Copa do Nordeste e rebaixamento no Brasileirão marcaram o ano do Rubro-negro pernambucano

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Miguel Inácio

A temporada passada, de 2017, já marcou um ano turbulento para o Sport. O time passou por dificuldades em campo e só conseguiu garantir a permanência na primeira divisão vencendo o Corinthians, já campeão, na última rodada, e ainda contando com os tropeços de Coritiba e Vitória. É fato que 2018 parece bem mais generoso ao Leão do que o ano anterior. Mas apenas pareceu.

O próprio clube também não colaborou. Atrasos salariais marcaram  a administração do presidente Arnaldo Barros, que se viu forçado a vender peças importantes do time-base dos anos anteriores, como Diego Souza, Rithely e André. A recusa em participar da Copa do Nordeste afundou ainda mais o clube financeiramente. E o reflexo não tardou em aparecer nos gramados em que desfilou a camisa Rubro-negra pernambucana.

A dois passos do paraíso

A situação crítica pela qual o Sport passou no Brasileirão de 2017 era um grande sinal de alerta para a nova temporada. Porém, em âmbito estadual, o Leão era o grande favorito para conquistar mais um caneco do Campeonato Pernambucano, já que os maiores rivais, Náutico e Santa Cruz, tinham acabado de sofrer um rebaixamento para a Série C.

Mesmo assim, o Leão não conseguiu ir bem sob o comando de Nelsinho Baptista, caindo nas semifinais do estadual para o Central, e ficando apenas com o terceiro lugar na competição, conquistada pelo rival Alvirrubro. Fora da Copa do Nordeste por opção, os Rubro-negros também acabaram sendo derrotados pelo Ferroviário-CE na Copa do Brasil. O Sport estava à frente no placar, vencendo por 3 a 0 até os minutos finais, quando acabou sofrendo três gols relâmpagos do Ferrão e perdendo a vaga nos pênaltis, em casa.

Para completar, foi goleado logo na primeira rodada do Brasileirão, por 3 a 0 contra o América-MG. Nelsinho chegou a convocar uma coletiva de imprensa para mostrar descontentamento com dirigentes do clube, que ameaçaram demiti-lo se perdesse para o Botafogo, na Ilha do Retiro, em jogo que acabou 1 a 1. Logo depois, anunciou demissão, o que só fez instigar ainda mais o sentimento de que o rebaixamento era uma possibilidade real, em meio à crise financeira e política que rondava o clube. Mas a realidade não tardou a ser mascarada.

O Sport anunciou a contratação de Claudinei Oliveira, e o novo treinador conseguiu melhorar o desempenho do time rapidamente. Nas oito primeiras partidas no comando do novo técnico, os leoninos perderam uma, empataram duas, e venceram cinco vezes. O novo aproveitamento acabou alavancando os Rubro-negros à segunda colocação na 10ª rodada, certamente o melhor momento do time no ano. Ao final da 12ª partida, quando veio a parada para a Copa do Mundo, o Leão era o 7º colocado. Bem distante do sufoco que se imaginava que ia sofrer no campeonato.

Da glória ao caos

O bom momento parou por aí. Juntando a derrota para o Vasco e o empate contra o Grêmio, antes do Mundial na Rússia, os Rubro-negros passaram 11 partidas sem vencer. Dos nove jogos disputados depois da volta do Brasileirão, oito foram derrotas e um foi empate. O Sport só encerrou seu pior momento na temporada na 22ª rodada, já sob o comando de outro técnico, Eduardo Baptista, em partida polêmica contra o Paraná, na Ilha do Retiro. O Leão pernambucano venceu por 1 a 0, mas a equipe já estava na zona de rebaixamento desde a rodada anterior e a vitória não foi o suficiente para mudar esse cenário.

O Leão ainda voltaria para a briga, sob o comando de Milton Mendes, quando chegou a ficar cinco partidas sem perder. Mas a reação acabou perdendo fôlego justamente nas rodadas finais, e a derrota para a Chapecoense, por 2 a 1, na Arena Condá, acabou colaborando para o rebaixamento Rubro-negro. Mesmo vencendo o Santos na última rodada, o empate do Vasco e a vitória da mesma Chape acabaram decretando o fim desta participação do Sport na Série A.

Surpresas da temporada

Durante a temporada, a dupla de zaga leonina mudou bastante devido ao desempenho abaixo do esperado dos atletas. Enquanto os consagrados Ronaldo Alves e Durval sofriam com uma crise técnica, o Sport acabou dando espaço para Adryelson, formado na base. E o garoto foi bem. Logo na primeira partida em que entrou, marcou o gol de empate contra o Internacional. O Leão acabaria vencendo os Colorados por 2 a 1, e Adryelson permaneceu aparecendo nas escalações do time de Milton Mendes.

Magrão costuma estar entre os grandes jogadores da equipe titular do Sport há algum tempo, e o goleiro ídolo máximo do clube também fez defesas importantes na temporada. Mas uma fratura no braço acabou afastando Magrão dos gramados no final desta Série A. Mailson, também vindo da base, substituiu o veterano e se mostrou seguro. Acabou sendo importante na sequência de cinco partidas sem derrotas que recolocou os Rubro-negros na briga, e sai com grandes possibilidades de ser de fato o substituto de Magrão, que já tem 41 anos e pode encerrar a carreira no final de 2019.

Ainda no melhor momento do ano, o Sport tinha Anselmo como volante. O jogador, emprestado pelo Internacional, foi bem no início da Série A mas acabou sendo negociado para o exterior. O meio-campo Rubro-negro só voltou a se estabilizar com a chegada de Jair, que disputava a Série B pelo Juventude. O Alviverde gaúcho acabou rebaixado à Série C, mas o volante já mostrava bom desempenho, principalmente nos desarmes, e repetiu as boas atuações pelos leoninos, fechando o ano como o pilar da equipe. 

As decepções

Rogério ajudou o Sport a permanecer na Série A em 2017. Em 2018, não conseguiu atuações regulares. Além disso, a própria equipe passou por uma grande crise técnica no meio da temporada. O Leão teve dificuldades tanto para defender, quanto para atacar. O meio-campo também foi instável durante o ano, com dificuldades para armar jogadas, o que acabou deixando o ataque isolado e dependente de bolas aéreas que não surtiram efeito em nenhum momento.

Marlone foi outro que já viveu um bom momento com a camisa Rubro-negra, mas decepcionou em 2018. No Brasileirão de 2015,  junto com Diego Souza, André, Rithely, Maikon Leite e cia, o jogador ajudou o Sport a terminar na 6ª colocação. Em 2018, foi mal em campo e acabou perdendo espaço na equipe titular para Gabriel e Michel Bastos.

Outro que chegou para resolver e acabou decepcionando foi Hernane Brocador. Com a saída de André, no primeiro semestre, junto com Diego Souza, o Sport ficou sem um bom centroavante no elenco. Carlos Henrique, vindo do Londrina por empréstimo, não resolveu o problema no ataque e o Rubro-negro acabou trazendo Hernane, que estava jogando o Brasileirão de Aspirantes pelo Grêmio. Mas o atacante marcou apenas duas vezes no Brasileirão. Uma na derrota para o Corinthians, na Arena Itaquera, e outra na vitória contra o Santos, já na última rodada do campeonato.

Troca-troca na área técnica

Mudanças demais no comando técnico de uma equipe nunca é um bom sinal, e o rodízio de treinadores do Sport em 2018 apenas ressalta isso. Quatro técnicos comandaram o Leão nesta temporada.

Nelsinho Baptista começou o ano como técnico Rubro-negro. O treinador já tinha história com o clube pernambucano, onde foi campeão da Copa do Brasil em 2008 e esteve à frente da equipe que chegou às oitavas de final da Libertadores de 2009. Na atual temporada, comandou os Rubro-negros no primeiro semestre, sendo eliminado na semifinal do Campeonato Pernambucano pelo Central. Na Copa do Brasil, acabou caindo diante do Ferroviário-CE, em casa. Acabou pedindo demissão depois da pressão da diretoria, que queria demitir Nelsinho caso não vencesse o Botafogo. Antes de sair, expôs a crise financeira do clube, a pressão dos dirigentes e os salários atrasados à imprensa. Das 17 partidas que disputou com o Leão, venceu 7. Saiu com 54,9% de aproveitamento.

Claudinei Oliveira conseguiu arrumar a casa, e lançou o Sport ao seu melhor momento no ano, chegando a ser vice-líder do Brasileirão. Ironicamente, também foi responsável pelo pior momento da equipe do ano, mergulhando os Rubro-negros num jejum de vitórias que durou 11 partidas. Saiu, porém, quando o jejum ainda era de 8 partidas sem vencer. Terminou com cinco vitórias, quatro empates e sete derrotas.

Filho de Nelsinho, Eduardo Baptista assumiu depois da derrocada leonina sob o comando de Claudinei. Em sequência dura, até organizou o setor defensivo, mas não conseguiu evitar os resultados negativos, que insistiram em acontecer. Ficou por apenas 40 dias, durante os quais só venceu uma vez com o Leão. Acabou com um aproveitamento de apenas 16,6%.

Já no fim da temporada, entrou Milton Mendes. Mesmo com as esperanças cada vez mais baixas, Mendes conseguiu recolocar os Rubro-negros na briga pela permanência na Série A, vencendo jogos importantes contra Internacional, Vasco, Grêmio e Ceará. Entretanto, deixou escapar pontos fundamentais contra o Vitória e acabou derrotado contra a Chapecoense, logo na retal final. Chegou na última rodada ainda com chances, mas os resultados necessários não aconteceram, e a vitória contra o Santos na Ilha do Retiro, na última rodada, acabou não sendo o suficiente para evitar o rebaixamento. Das 12 partidas em que comandou o Leão, venceu cinco, empatou três e perdeu quatro.

Futuro complicado

O Sport passará por eleições neste fim de ano para definir o presidente do clube para o próximo biênio 2019/2020. Dentre os desafios para a próxima temporada, o novo dirigente terá que acertar as contas no Leão. Os salários atrasados e o rombo financeiro serão as grandes pedras no sapato da nova diretoria.

Pior ainda, as novas cotas do Brasileirão começam a valer na próxima temporada. Ou seja, o contrato privilegiado que os clubes pertencentes ao antigo Clube dos 13 possuíam com a Globo, vão deixar de valer. Com isso, a cláusula no contrato de transmissão televisiva que garantia boa parte ou a totalidade da cota que um clube com esta modalidade de contrato receberia nos primeiros anos após rebaixamento para Série B, acaba. É justamente o caso do Sport.

Só para disputar a primeira divisão nacional, os Rubro-negros receberam 42 milhões de reais em 2018. Na disputa da Série B, a quantia integral, ou até 75% dela, seria um grande diferencial na briga contra as demais equipes, que recebem entre 6 e 7 milhões de reais de cota televisiva para disputar a Segundona. Comparando com o Ceará, por exemplo, rival nordestino que também disputou a Série A de 2018, o Leão ganhou quase 15 milhões a mais dos cerca de 28 milhões captados pelo Alvinegro.

Após cinco anos seguidos disputando a primeira divisão, o cenário para uma volta do Rubro-negro pernambucano já em 2020 fica difícil. Ignorando as chances do acaso e dos cenários improváveis, o Sport deve demorar um pouco para se reconstruir financeiramente e voltar à fama de "bom pagador" que adquiriu nos últimos anos antes de voltar a disputar outra Série A. As incertezas quanto aos cargos de dirigentes que serão apontados pelo novo presidente, à permanência do técnico Milton Mendes e de jogadores com salários mais altos também ajudam a colocar mais dúvidas no futuro leonino.

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