Retrospectiva VAVEL: Estável, Bahia viveu ano de consolidação em 2018
(Arte: Rodrigo Rodrigues/VAVEL)

Retrospectiva VAVEL: Estável, Bahia viveu ano de consolidação em 2018

Tricolor foi campeão apenas do Campeonato Estadual mas deu passos promissores para o futuro

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Wesley Silvali

Mais do que o título estadual ganho em cima do grande rival Vitória, o ano do Bahia teve seu apogeu no equilíbrio e estabilidade do clube durante toda a temporada. O sonho de um grande título ficou no quase, com eliminações nas quartas de finais para Palmeiras e Atlético Paranaense em Copa do Brasil e Sul-Americana, respectivamente. Ainda assim, quem olhar de perto percebe claramente o tricolor cada vez mais forte e aparentando ter um futuro promissor para conquistas de taças bem mais importantes do que as estaduais.

Diferente de todos os outros clubes do Nordeste dentro da elite do futebol nacional, o Bahia fez um Brasileirão sem sofrer grandes sustos, terminando em 11º e sem momento algum flertar de forma real com um temível rebaixamento. Oposto a isso, muitas vezes foi superior em jogos frente à maioria de seus adversários. A falta de uma efetividade maior, porém, impediu uma  briga mais frequente pela vaga no sonhado g-6. Se dentro de campo mostrava organização, fora dele ainda mais. Em uma administração limpa e elogiável, o tricolor de aço também despontou como grande força aquisitiva e organizacional de sua região, desbancando com sobras o "ex-modelo Sport", que desandou em 2018.

Primeiro e único título do ano

O primeiro objetivo do ano tricolor seria concluído com sucesso dentro de um Campeonato Baiano daqueles. Com muitas polêmicas e provocações entre os dois grandes rivais de Salvador, o Estadual se desenhou com os mesmos rabiscos de quase sempre. Com a dupla Ba-vi chegando em mais uma final recheada de rivalidade.

Apesar de melhor pontuação e liderança na fase preliminar, o Vitória não conseguiu ser páreo ao Esquadrão. Apresentando grande superioridade, o Bahia venceu as duas partidas da decisão e comemorou o seu 46º Campeonato Estadual. Destaque para o meia-atacante Vinícius, com seis gols na campanha e vice artilheiro da competição.

Vencida pelo Bahia, edição do Campeonato Baiano ficou marcada pelo
Vencida pelo Bahia, edição do Campeonato Baiano ficou marcada pelo "jogo da expulsões". Foto: Felipe Oliveira/EC Bahia

Vice no Nordestão

Campeão estadual, vice regional. Grande favorito a conquistar o bicampeonato do Nordestão, o Bahia parecia mesmo estar com as mãos no título depois de ser líder em seu grupo e passar pelo Botafogo da Paraíba nas quartas de finais. Nas semis, duelo contra o Ceará, no que para muitos era um tipo de “final antecipada”. Com vitória dentro do Castelão e empate segurado em casa, o Bahia estava pela segunda vez seguida na final do maior campeonato regional do país.

Grande contraponto a isso foi quando o Sampaio Corrêa, clube que fazia péssima Serie B, pois água fria na euforia baiana e conseguiu surpreender. Primeiro em sua casa, no Maranhão, quando ganhou por 1 a 0. Depois dentro da Arena Fonte Nova, sendo valente e segurando a pressão do tricolor até o final. Quando o juiz enfim apitou o final do duelo, torcedores do Bahia que encheram a Arena ainda pareciam incrédulos com a perda inesperada do título.

Derrota no jogo de ida foi decisiva para o Tricolor ser surpreendido pela
Derrota no jogo de ida foi decisiva para o Tricolor ser surpreendido pela "zebra" Sampaio. Divulgação de foto: Sampaio Corrêa

Fim da era Guto Ferreira

De volta ao clube depois de ter trocado a Serie A pela B para treinar o Internacional, Guto Ferreira já não contava mais com a quase unanimidade entre os torcedores. Campeão da Copa do Nordeste e treinador do clube no acesso de 2016, nem mesmo o título baiano em cima do maior rival convenceu a massa tricolor.

No que foi um dos momentos mais delicados do Bahia no ano, o técnico paulista encerraria seu ciclo no clube depois de início bastante irregular no Brasileirão. Ao todo, foram 33 jogos na segunda passagem de Guto no Fazendão. 18 vitórias, seis empates e nove derrotas. Sendo a última, uma que levou o time a zona de rebaixamento. Algo que não era condizente ao investimento feito a temporada e inclusive se mostrava uma realidade distante no andamento do campeonato.

Segunda passagem de
Segunda passagem de "Gordiola" não durou até o final outra vez. Divulgação de foto: EC Bahia

Chegada de Enderson Moreira

A saída de Guto Ferreira gerou uma grande onda de especulações. Diversos treinadores foram falados, inclusive estrangeiros. Mas enquanto imprensa e torcida enchiam o caldeirão de noticias (infundadas ou não), a diretoria do Bahia segurava a onda e deixava o time sob o comando do interino Cláudio Prates. De princípio, parecia que a cúpula de futebol tricolor estava batendo cabeça quanto a achar e fechar com “o” nome perfeito para treinar o clube. Mas o tempo provou que não passava de estratégia. Bastou o Brasileirão parar para parada da Copa do Mundo, que Enderson Moreira foi anunciado.

Fazendo um comprovado bom trabalho no América Mineiro, onde contava com um orçamento bem menor, Enderson chegou como esperança de um Bahia mais efetivo, equilibrado e sonhando com coisas grandes. Nem tudo foi alcançado, mas o técnico de 47 anos trouxe paz ao ambiente e conseguiu, de certa forma, pôr o time nos eixos. Sem mais nenhum flerte com a zona da degola e bons papéis nas copas que restavam: a do Brasil e a Sul-americana.

Enderson Moreira seguirá sendo o técnico do Bahia em 2019. Divulgação de foto: EC Bahia
Enderson Moreira seguirá sendo o técnico do Bahia em 2019. Divulgação de foto: EC Bahia

Ficou no quase

Enquanto o Brasileirão ia decorrendo, mais certeza de um final de competição tranquilo o elenco e a comissão técnica do Bahia conseguiam ter. Faltando cerca de dois/três meses para o final da temporada, jogadores e técnico começavam a discursar que o ano poderia trazer grandes surpresas e alegrias. O foco no discurso era claro: falavam da Copa do Brasil e da Copa Sul-Americana, onde conseguiam fazer boas campanhas. Entretanto, a eliminação acabaria chegando em ambas as vias por motivos diferentes.

Infeliz no sorteio, o tricolor teve que enfrentar o potente e empolgado Palmeiras, que começava naquela altura a viver o estrondoso e positivo “efeito Felipão”. A superioridade dos paulistas no papel, ainda assim, nem foi tão clara. Lutador, o Bahia se manteve vivo durante a maioria dos 180 minutos dos jogos de ida e volta. Acabaria sofrendo o gol da eliminação já na parte final do segundo tempo da partida jogada em São Paulo, em um Pacaembu lotado de palmeirenses.

Doloroso, mas aceitável, até por reconhecer a dificuldade da tarefa. A sensação de “afago” que teve na Copa do Brasil passou longe de existir na Sul-Americana. Sonhando muito com um título internacional, os duelos contra o Atlético Paranaense tiram e tirarão o sono dos tricolores por muito tempo. Começando pelo primeiro jogo, onde o tricolor acabaria com dois gols anulados pelo VAR. Sendo um deles para lá de polêmico e incerto até depois de vários replays e debates em todos os programas de mesa redonda.

Na volta, em plena Arena da Baixada, o Bahia mostrou camisa e superou a desvantagem. Fez os paranaenses perderem em casa depois de muito tempo e levaram para os pênaltis. Na decisão da marca da cal, porém, uma nova decepção: muito mal nas cobranças, as penalidades terminariam em goleada para o Atlético, que fez quatro gols contra apenas um convertidos pelos jogadores tricolores.

Sensação de ter sido prejudicado na ida e dor de perder nos pênaltis na volta; o Sonho de conquistar a América ficou no quase para o tricolor. Divulgação de foto: EC Bahia
Sensação de ter sido prejudicado na ida e dor de perder nos pênaltis na volta; Sonho de conquistar a América ficou no quase para o tricolor. Foto: EC Bahia

Consolidação de Zé Rafael

O destaque de Zé Rafael no Bahia já não é surpresa para ninguém desde o ano passado. Depois de chegar ao clube de forma tímida, o meia havia acabado o ano anterior como um dos bons destaques e revelações do futebol brasileiro. Isso se manteve na temporada atual, com o jogador mostrando "gosto" em ser a grande referência do elenco e assumindo a responsabilidade de ser o cara do Bahia nas várias competições que o time atuou no ano. Por final, os números comprovaram a importância do paranaense de Ponta Grossa: presente em 68 dos 75 jogos oficiais do ano, Zé Rafael fez 13 gols e deu seis assistências.

Chegada de Gilberto

Jogar bem e deixar de vencer por não conseguir colocar a bola para dentro. A frase batida foi quase um mantra do Bahia durante vários períodos de 2018. Até por isso, desde janeiro havia uma campanha de imprensa e torcida para a contratação de um grande camisa 9. Depois de muitas especulações, Gilberto chegou ao clube na primeira semana de junho. Ex-São Paulo, Internacional, Vasco e Sport, o atacante desembarcou em Salvador após rápida passagem no futebol turco. Em um início meteórico, o "G9" atendeu as expectativas e fez quatro gols nos primeiros quatro jogos pelo Bahia. No entanto, na reta final do ano acabou sendo atrapalhado por uma lesão. Ainda assim continua a ser alvo de muita confiança para 2019.

Gringo decepcionando

Protagonizando uma grande novela para a sua renovação, o  meia argentino Augustín Allione viu os torcedores do Bahia tratarem com euforia o seu complicado retorno. Mas diferente do destaque que teve em 2017, o argentino não foi nem sombras do jogador envolvente e decisivo da primeira temporada de esquadrão ao peito. Mais reserva do que titular e esquecido por Enderson Moreira, Allione acabou o ano com apenas um gol marcado em 27 partidas, dentre as quais, na maioria das vezes entrou já nas partes finais dos jogos.

Nascer de uma joia: Ramires reascende fé no futuro

17 anos de idade e muito futebol. O talento do hoje já evidenciado Ramires foi percebido muito rápido por Enderson Moreira, que nem titubeou em dar chance ao garoto no time de cima. Estreando como profissional no maior clássico do futebol nordestino, em duelo contra o Sport, o meio-campista encantou de cara, demostrando muito talento e maturidade acima do normal para a sua idade. Em meio a tanta pressão, parecia ainda estar jogando no Campeonato de Aspirantes e foi crescendo mais ainda ao passar das partidas.

Os primeiros gols no time de cima surgiram contra Botafogo, em uma Oitavas de Finais de campeonato internacional, e contra o Vitória, no derradeiro clássico Ba-vi. Hoje Ramires já é uma certeza, apesar da pouca idade. A previsão de seu futuro oferece muitas condicionais ao Bahia. Seja dentro de campo, com o tricolor se promovendo através do grande futebol do jovem atleta, seja fora dele, em uma venda que promete ser a maior que o futebol nordestino já viu.

Joia da base do Bahia, Ramires já é falado por vários clubes da Europa. Foto: EC Bahia
Joia da base do Bahia, Ramires já é falado por vários clubes da Europa. Foto: EC Bahia

Futuro prometido de sucessos

Mesmo tendo perdido peças importantes, como Zé Rafael para o Palmeiras e Léo Pelé para o São Paulo, o futuro do Bahia aparentemente continuará a ser de equilíbrio e fortes tentativas para chegar a conquistas importantes. A venda do meia oferece dinheiro suficiente para bom filtro em uma reposição de qualidade, e dará ainda mais sustentabilidade a uma das melhores e organizadas gestões de clubes no país.

Continuando o trabalho no futebol profissional convergente a base e se estruturando fisicamente ainda mais, a expectativa de sucesso não é só uma considerável realidade para o próximo ano, como também para os próximos além dele.

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