Na primeira coletiva, Landim explica longo silêncio: "Tivemos uma preocupação muito grande"
(Foto: Marcelo Cortes / Flamengo)

Na primeira coletiva, Landim explica longo silêncio: "Tivemos uma preocupação muito grande"

Diretoria do Flamengo respondeu pela primeira vez as perguntas feitas pela imprensa, e se defendeu das acusações da Prefeitura e de algumas famílias dos jovens mortos na tragédia do Ninho

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Rafael Lisboa

Após duas semanas da tragédia que vitimou 10 jovens jogadores do Flamengo, no Ninho do Urubu, o presidente do clube, Rodolfo Landim concedeu a primeira entrevista coletiva para falar sobre o assunto e sobre as negociações com os familiares pelas indenizações financeiras.  E explicou a demora para falar com os jornalistas:

"Tivemos uma preocupação muito grande com a qualidade de informações que passaríamos. Estávamos há 30 dias na gestão. Uma série de perguntas que não poderíamos responder. O foco principal era as famílias. Nossa maior concentração de atenção foi nelas. Procuramos cuidar desde o dia da tragédia, a maior dos 123 anos de Flamengo. Me reuni com as famílias no dia seguinte à tragédia em um hotel. Um trabalho carinhoso e cuidadoso, com todos os psicólogos do clube consolando as famílias dentro das nossas possibilidades".

Ao falar sobre as indenizações, no primeiro momento, o mandatário detalhou o tratamento que deu aos familiares desde o momento em que soube da tragédia e destacou o cuidado que o clube está tendo com eles:

"Desde ocorrida a tragédia, a maior em 123 anos, eu cheguei a ter contato com as famílias no primeiro dia e nos dias seguintes. Quando o Reinaldo fez um pronunciamento, eu estava reunido com as famílias. Foi um trabalho cuidadoso e carinhoso, com a participação de psicólogos e médicos e todos os profissionais que tinham relação direta com os familiares. E com enorme respeito e consideração por elas. É uma mensagem que eu passo de uma instituição de 123 anos e vocês podem ter certeza de que o Flamengo está cuidando e muito bem das famílias das vítimas. Conversamos com a defensoria pública, porque nós entendemos que eles deveriam assistir as famílias exatamente para evitar certas situações que se passaram. Mesmo que não tenhamos chegado a um acordo naquele primeiro momento, afirmo que o Flamengo sempre trabalhou com o interesse de cuidar de cada família. Nunca entendemos em fazer uma indenização para todos, mas entendemos que tem que ter uma conversa com cada família. Cada situação é uma situação distinta".

Durante a semana, o Ministério Público divulgou os valores oferecidos pelo Rubro-Negro: R$ 300 a 400 mil e um salário mínimo para cada família, distante do pedido pelo MP (R$ 2 milhões e R$ 10 mil por mês para cada). Depois, na reunião no TJ-RJ, segundo o "O Globo", o clube aumentou a proposta para R$ 700 mil e três salários mínimos por mês. O presidente destacou que os valores são protegidos por segredo de justiça:

"Existe um aspecto importante. O processo corre em segredo e, independentemente disso, é importante que a gente não ficasse falando em valores, até pelo impacto que isso pode ter na segurança das famílias. São altos valores e pelos lugares onde elas vivem. O que posso dizer é que da forma que foram vazados, a resposta é não. Não são aqueles valores. E não vamos poder nos aprofundar muito. Sobre o Ministério Público, eles precisam se manifestar", e continuou, explicando as negociações com os familiares: "A gente soube que duas famílias já vieram representadas por advogadas. As informações que tivemos é que durante essa reunião, e depois da saída do desembargador, houve orientação dessas advogadas falando de falta de respeito do clube. A gente entende que é um momento difícil, mas percebemos que essas duas advogadas conseguiram criar um clima dentro daquele grupo para que fosse deliberado um valor muito alto. O que a gente tem sentido de positivo é: acabado aquele momento, a gente começou a ser procurado por algumas famílias, que buscaram conversar conosco sobre o processo de mediação com o Tribunal de Justiça. Isso já está ocorrendo, já ocorreu na sexta-feira. Essas famílias já tiveram longa conversa conosco, o que nos deixa muito felizes. Não posso garantir que todas vão seguir esse caminho. Essa seria a nossa vontade, mas não posso garantir. Dou minha palavra de honra que houve uma nova reunião com uma família na sexta. Não posso expor a família. E temos outras reunião marcadas".

Desde a tragédia, a Prefeitura do Rio divulgou que o Rubro-Negro havia sido multado mais de 30 vezes por manter o Ninho do Urubu aberto mesmo sem alvará. Landim destacou que, para o clube, apenas 23 multas foram enviadas, sendo 12 após o incêndio no CT Rubro-Negro:

"Nós não tínhamos conhecimento disso. A última multa feita pela prefeitura foi no dia 12 de dezembro do ano passado. Nenhuma multa chegou ao nosso conhecimento. Ao longo do tempo, foram faladas de 31 multas, e a gente teve que procurar. A gente conseguiu identificar 23 multas. Dessas 23, 12 delas foram aplicadas e recebidas pelo clube após o acidente. São multas retroativas, mas foram aplicadas depois do acidente, em 11 de fevereiro".

Ainda sobre a questão do alvará, o mandatário rubro-negro detalhou a estrutura do Ninho e destacou que todos os contêineres foram licenciados pela Prefeitura, e que a demora pela licença se deve pelas novas instalações do CT:

"O Flamengo teve, no passado, alvará para utilização do Ninho do Urubu com módulos iguais àqueles que estavam ali. Foi aprovado em 2012 pela prefeitura módulos habitacionais como aqueles, que já existiam desde 2010. As licenças foram para as novas instalações do centro de treinamento. Quando o Flamengo foi fazer as melhorias nas instalações, pediu a autorização ao Corpo de Bombeiros. Verificamos que isso foi feito em meados de 2017. Quando foi levado para os bombeiros, eles pediram que fosse feito o licenciamento do primeiro centro de treinamentos, o CT 1, que existia naquele momento. Não existia o CT 2, que começou a ser construído em 2017. Todas aquelas autuações foram em referência ao CT 1. A gente tem registro de diversas idas do Corpo de Bombeiros no CT 1, fazendo uma série de exigências que foram atendidas. Até que, na última vez que os Bombeiros foram lá, viram que já existia o CT 2. O licenciamento se estendeu por tanto tempo, que quando chegou a licença do CT 1 já existia o CT 2. Corremos depois do acidente para sanar todas as pendências e já protocolamos o pedido de licença para o CT 1 e CT 2, o projeto total de instalações", e completou sobre os alojamentos da base: "Eles (contêineres) não tinham alarmes de incêndio e isso não era necessário pela legislação. Ao contrário do que saiu na imprensa, os circuitos de ar-condicionado eram totalmente independentes e tinham disjuntores".

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