Mário promete resgatar times vencedores do Fluminense: "Futebol vive de resultados"
Foto: Divulgação Facebook

Mário Bittencourt tentará pela segunda vez ser presidente do Fluminense. O ex-advogado, ex-vice de futebol e candidato derrotado em 2016 concorrerá ao pleito de 8 de junho. 

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Em entrevista a VAVEL Brasil, o candidato afirmou que seu objetivo é trazer de volta o Fluminense vencedor da última década.

"O Fluminense é um time gigante que precisa vencer. Então a nossa ideia para o departamento de futebol é fazer com que o Fluminense volte a pensar grande trazendo grandes ídolos e grandes jogadores".

Confira a entrevista completa:

Se apresente ao torcedor.

Mário Bittencourt, 40 anos, começou a trabalhar como estagiário no departamento jurídico do Fluminense no final de 1998. Advogou para o clube por quase 20 anos. 

Em 2013, lutou com garra na tribuna do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) para evitar rebaixamento do clube no Brasileirão. Antes, em 2009, como gerente de Futebol, ajudou na arrancada histórica que livrou o time do rebaixamento. Arrancada que deu origem ao “Time de Guerreiros”.

Em 2014, assumiu a Vice-Presidência de Futebol, após a saída do patrocinador.Em 2016, insatisfeito com os rumos que o clube tomava, desligou-se da diretoria e logo em seguida lançou sua candidatura à Presidência. Agora, concorre ao lado de Celso Barros.

ESPORTES OLÍMPICOS

Pensa em viabilizar uma reforma para o ginásio poliesportivo do Fluminense?

"O Fluminense tem hoje um ginásio que não atende às necessidades das competições, em razão de não ter o tamanho oficial, e é uma ideia nossa, sim, fazer uma reforma no ginásio ou fazer um novo ginásio poliesportivo numa outra localidade do clube, que a gente já tem mais ou menos um projeto na cabeça. Mas, no mínimo, revitalizar ou fazer um ginásio novo".

Como foram as negociações para receber apoio dos conselheiros dos Esportes Olímpicos. Algum pedido foi feito por parte deles?

"Primeiramente, não houve negociação e sim apresentação do nosso projeto, assim como os outros candidatos também apresentaram seus projetos. Os diretores dos Esportes Olímpicos entenderam que o nosso era o melhor projeto para o Fluminense. Nada foi pedido nem negociado nesse sentido. Ou seja, nós fazemos uma candidatura de propostas e as nossas propostas foram aceitas. Por isso, eles estão nos apoiando". 

O projeto do vôlei feminino será mantido? Pensa em expandir para o basquete masculino?

"O projeto do vôlei feminino já é um projeto incentivado, apesar de o Fluminense não ter os CNDs, o clube conseguiu com uma entidade proponente desenvolver esse projeto e, obviamente que a gente tem vontade, sim de obter novos projetos incentivados, para que possamos ter times de outros esportes, outras modalidades. Mas como eu venho falando na campanha: sempre com a possibilidade de os projetos de lei de incentivos aprovados em Brasília e também nos projetos estaduais, ou seja, nos projetos de lei federal e estadual, para que tenhamos financiamento para essas equipes". 

FINANÇAS

É sabido que o clube mudou seu jeito de encarar as dívidas na gestão Peter Siemens. Pretende manter o modelo de pagamento destas? Como sua gestão lidará com isso?

"Na primeira gestão do Peter houve parcelamento das dívidas trabalhistas, mas a segunda gestão deixou muito a desejar com relação ao pagamento dessas dívidas, deixando um rombo financeiro enorme. Na verdade eu não pretendo manter o modelo e, sim, criar um modelo nosso de pagamento de dívidas, da nossa gestão, especialmente parcelando os débitos trabalhistas e os débitos fiscais. E gerando novas receitas. O Fluminense precisa pensar grande e buscar novas fontes de receita".

Muitos analistas dizem que o clube está próximo da falência. Como fazer para enfrentar esse desafio?

"O clube passa por dificuldades financeiras enormes. Na verdade, não pode falir porque não é uma empresa. O que poderia acontecer era chegar num estado de insolvência, mas com os ativos que o Fluminense tem e se a gente buscar novas receitas a gente consegue enfrentar esse desafio. E o principal desafio do Fluminense é voltar a pensar grande, e a nossa candidatura, minha e do Celso, pensa grande, e vamos sem dúvida alguma tirar o clube dessa situação de quase insolvência em que se encontra hoje". 

O clube não consegue um patrocinador master já tem alguma temporadas. Como acabar com isso e conseguir captar recursos nessa parte tão importante do orçamento?

"O que falta ao Fluminense hoje é credibilidade. Se os patrocinadores master não encostam no clube para fazer algum aporte financeiro é justamente porque o clube peca na falta de credibilidade, e acho que a nossa candidatura, a nossa dupla, eu e o Celso Barros, faz com que a credibilidade retorne. É assim que a gente pensa em captar recursos para o futebol do Fluminense e para o clube como um todo. Temos uma ideia de trabalhar o futebol alavancado, ou seja, trazendo grandes ídolos, trazendo jogadores, para que os patrocinadores se interessem em estampar a marca na camisa do Fluminense". 

XERÉM

Xerém é uma das melhores bases do Brasil e vem se destacando nos últimos anos vencendo campeonatos e revelando grandes atletas. Pretende manter o investimento, aumentar ou diminuir? 

"Xerém é a nossa joia, então a gente pretende aumentar os investimentos lá. E há, inclusive, na nossa plataforma de gestão, a possibilidade de encaminhar percentual das receitas das vendas dos atletas formados em Xerém para o próprio departamento. Ou seja, a cada jogador formado em Xerém que o Fluminense venda a gente pretende destinar um percentual justamente para o aumento desse investimento".

Marcelo Teixeira continuará como comandante do trabalho em Xerém?

(Resposta prejudicada. Ele já saiu)

Como sua gestão irá trabalhar com a venda de jogadores revelados em Xerém?

"Vamos tentar trabalhar a venda de jogadores da melhor forma possível, evitando que eles sejam vendidos por preços muito baixos, que é o que acontece hoje. Para isso a gente precisa organizar as finanças do clube e trazer investidores, pois um dos motivos de vender jogadores com os preços que eles valem é a situação financeira que o clube se encontra. Então temos que recuperar a situação financeira para poder vender melhor. É essa a nossa ideia com relação à venda desses jogadores".

Pretende continuar com o projeto Flu-Samorim?

(Resposta prejudicada. O projeto já acabou, segundo o candidato).

FUTEBOL PROFISSIONAL

 

Diferente de outros processos eleitorais, desta vez o presidente assumirá o clube com a temporada em andamento. Qual sua proposta para mudança do departamento de futebol?

"Primeiramente gostaria de dizer que eles poderiam convocar a eleição para bem antes do que agora. Trata-se de uma situação complicada, de assumir o clube com mais de vinte por cento dos jogos do Campeonato Brasileiro disputados. A nossa proposta, na verdade, é de fazer um departamento de futebol forte, o que não significa necessariamente que vamos fazer mudanças logo na chegada. Mas é importante deixar claro que futebol vive de resultados, e o Fluminense é um time gigante que precisa vencer. Então a nossa ideia para o departamento de futebol é fazer com que o Fluminense volte a pensar grande trazendo grandes ídolos e grandes jogadores".

Manterá os integrantes do departamento de futebol e a comissão técnica?

"Como eu disse, o futebol depende de resultados. Hoje, o Fluminense vem jogando um futebol bastante vistoso e, dentro da medida do possível, dentro das dificuldades financeiras que possui, com salários atrasados, dificuldade de contratação, vem tendo resultado até surpreendente em relação a tudo aquilo que vem se falando do clube. A princípio, sim, eu e Celso Barros vamos manter os integrantes do departamento de futebol e a comissão técnica, mas sempre avaliando de acordo com os resultados apresentados". 

Já tem conversas com empresários para contratação de jogadores?

"Não, nenhuma conversa com ninguém, única e simplesmente porque a gente tem que estar focado na eleição, vencer a eleição. Nós não estamos ainda na gestão do clube, não vencemos a eleição ainda, e após 8 de junho, dia da eleição, a gente pensa nisso".

Como irá trabalhar para conseguir concluir as obras no Centro de Treinamento.

"Primeiro a gente tem que chegar lá e fazer um diagnóstico do que falta e concluir as obras. Obviamente, teremos que trazer investimento para isso. É muito importante que a gente consiga buscar investidores para concluir as obras do CT". 

Irá manter o nome escolhido pelo presidente Peter para o CT?

"Eu acho que o Fluminense tem coisas muito mais importantes a se preocupar. Se o presidente anterior deu o nome do Pedro Antônio, não tenho que pensar nisso agora. Tenho que pensar em resolver os problemas do Fluminense, que são muito mais graves do que o nome do Centro de Treinamento".

A torcida reclama muito do posicionamento institucional em alguns episódios que sujam o nome do clube. Pretende manter o setor de comunicação do clube ou uma nova equipe comandará a pasta?

"Em relação à defesa institucional, eu sempre um defensor do Fluminense para o lado de fora, ou seja, sempre defendia instituição, e acho que o setor de comunicação do Fluminense tem que melhorar bastante. Vencendo as eleições, vamos avaliar, sim, e é possível que façamos algumas modificações, não necessariamente em pessoas, mas sim na forma de o Fluminense trabalhar". 

ESTÁDIO

Qual projeto a chapa tem preferência? Manutenção do acordo com o Maracanã, Laranjeiras ou um estádio próprio?

"O Fluminense já tem um contrato com o Maracanã em vigor, uma relação com o Maracanã. Na situação em que se encontra, o Fluminense tem que estar muito mais preocupado no que é urgente do que é importante. Agora, o urgente é que o clube organize suas finanças. No momento atual, o Fluminense precisa, sim, manter sua relação com o Maracanã. Há um projeto de revitalização das Laranjeiras. Se possível, vamos revitalizar Laranjeiras para jogos de menor porte. Com relação ao estádio próprio, já me manifestei várias vezes e repito: um clube que não paga salário, não paga imposto, não tem um time condizente com suas tradições, não pode pensar nesse momento num novo equipamento. Ou seja, além de ter Xerém, Centro de Treinamento, Maracanã, Laranjeiras abandonada, ainda pensar num outro estádio. No futuro, se houver oportunidade, pode ter certeza de que nós vamos encampar essa ideia, desde que seja um estádio que tenha a capacidade para se disputar grandes competições. Então, a gente nem acha que há inviabilidade de Laranjeiras e um estádio próprio no futuro. Revitalizar Laranjeiras no momento não impede que no futuro tenhamos um estádio. Mas nesse momento nesse momento a nossa ideia é o Maracanã e, se possível, a revitalização das Laranjeiras".

O plano de sócio torcedor não é foi atualizado nos últimos anos. Pretende manter o vigente ou teremos um novo plano de sócio futebol?

"O projeto sócio futebol do Fluminense hoje é muito ruim e nós pretendemos, sim, implantar um novo sistema, um novo modelo que já está exposto no nosso plano de gestão, especialmente com um plano que preveja a pontuação, um acúmulo de pontos para que o sócio possa trocar por experiências. Também queremos implementar projetos novos, como por exemplo, a Casa Fluminense, que vai abraçar os torcedores fora do Rio de Janeiro. A proposta é atrair o torcedor durante todo o ano em um lugar que disponha de exposições de peças históricas, áreas de convivência, sala de games e venda de produtos e camisas autografadas, entre outras atrações. Vai funcionar no estilo das Casas do Benfica e pode ser adaptado em bares e outros espaços exclusivamente em dias de jogos".

Alguns dirigentes do Flamengo já se manifestaram a favor da retirada de cadeiras do setor Norte do Maracanã para aumentar a capacidade e poder criar um setor popular. Concorda com a medida? Pensa em estender para o setor sul caso seja vencedor da eleição?

"Concordo totalmente com a medida e penso em estender, sim, para o setor Sul caso a gente vença as eleições. É importante que a torcida do Fluminense tenha o seu ambiente para empurrar o time. Isso não poderia ser diferente, na minha opinião, porque eu sou um torcedor oriundo da arquibancada e sinto muita falta de que a torcida tenha essa possibilidade de ter o um espaço popular para ir junto com o time". 

Por fim, o que o torcedor Tricolor pode esperar de Mário Bittencourt como presidente do Fluminense?

"Pode esperar um tricolor apaixonado e um presidente que tem uma história grande no clube, que conhece o clube como poucos, e que está totalmente preparado e maduro para assumir esse cargo, que é de extrema relevância. Um presidente especialmente com arrojo. Acho que o Fluminense precisa hoje de arrojo e coragem. E pode ter certeza de que coragem não vai faltar"

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