Guerrero, Neymar e espionagem; a coletiva de Tite antes de jogo contra peruanos
Foto: Lucas Figueiredo / CBF

Às vésperas do terceiro e último jogo da fase de grupos, diante do Peru, a Seleção Brasileira treinou na Arena Corinthians no final da tarde e início de noite fechando a preparação. Com mudanças, o treinador Tite abriu a coletiva de imprensa falando sobre a ausência de Fernandinho e escondendo o time titular

"Fernandinho está fora. Não tem condição clínica. Ele está fora. Não está à disposição. A outra (pergunta sobre o time titular), vou segurar. Temos bastante atletas com diferentes características. Eu tenho dito que uma característica pode emprestar para um jogo. Por outro lado, não posso prever o que pode acontecer. Não vou enrolar."

O técnico gaúcho também citou as mudanças que fez durante o último treino antes de jogar contra os peruanos.

"Não tenho condições de fazer duas equipes montadas, e não dá para trazer outro jogador para treinar. Quem me conhece sabe que mesclo setores direito, esquerdo, para promover os triângulos de cada lado. É dentro da necessidade de cada jogo. Não dá para fazer 11 contra 11. Às vezes, pega um garoto, o nível técnico baixa, perde a qualidade de um lado. Teve duas montagens, com o Coutinho de curinga para dar posse de bola. Talvez vocês matem a charada."

Foto: Rafael Augusto / VAVEL Brasil
Foto: Rafael Augusto / VAVEL Brasil

Quando no Corinthians, o centroavante ídolo da seleção peruana Paolo Guerrero foi treinado por Tite. Logo, a pergunta sobre a amizade profissional entre os dois era inevitável.

"Sobre Guerrero e de todos jogadores que trabalham comigo, a gente acaba tendo laço de amizade e respeito muito grande. Todos não gostaria de enfrentá-los. O Gareca já vem trabalhando há muito tempo. Mexe em uma estrutura tática".

Em seguida, o comandante da Seleção comentou sua atual fase como treinador.

"Não sei (se é boa ou má fase). Estou focado em um trabalho. Estamos no meio da Copa América e não tem tempo para avaliar. No término da competição, a gente tem a real avaliação do trabalho executado."

"Processo criativo e efetividade tem que melhorar."

Sem criar muitas chances claras de gol contra a Venezuela, o setor de criação da Seleção foi criticado pela ausência de criatividade. Contra o Peru, um outro time que se jogará maior parte do tempo na defesa, o Brasil precisa ter melhor atuação para quebrar as linhas peruanas. Assim, Tite comentou sobre essa necessidade.

"Processo criativo e efetividade tem que melhorar. Tem que traduzir posse, qualidade, finalizações e finalizações que resultam em gol. Carlos Queiroz falou algo parecido, quando você não faz um gol logo, você acaba buscando, e não faz. Essa busca criativa e com eficiência, tem que ter [...] Finalização de média distância, que tem que ser precisa. Fizemos um trabalho ontem (quinta-feira)."

O brasileiro completou falando sobre o estilos de jogos "retranqueiros" das outras seleções.

"Tem aspectos interessantes, é de muita persistência, continuar, bater, resiliência. Há equipes que às vezes não propõem, ficam em bloco baixo, eu não vou reclamar nunca. Eu fiz isso pra caramba no Veranópolis, no Caxias, no Juventude. Isso não vem de mim. Isso faz parte do jogo. Compete a nós de ter fluência, de ter finalização. Isso traduz resultado, cria, finaliza, mais solidez, isso dá bom jogo."

E a pressão?

Sendo a primeira competição que Tite comanda o Brasil jogando em casa, o treinador não deixou de responder a pergunta sobre  a pressão de comandar o time nacional em seu próprio país.

"Quando o resultado não vem, e não cria, e não atende as expectativas, ele é frustrante sim. Claro que sentimos. É humano. São construções, a gente tem que saber lidar com essas situações, com essas exigências. É natural, respeitando o outro lado."

Outras falas de Tite

Jogo do Peru

"Peru é uma equipe mais equilibrada, que tem transição rápida e tem triangulação com Farfán, com Guerrero, com Cueva, que tem qualidade de passe."

Sobre Philippe Coutinho

Foto: Lucas Figueiredo / CBF
Foto: Lucas Figueiredo / CBF

"Em relação a ele, pode melhorar, em um processo como toda a equipe. Tem que trazer não só a ele a responsabilidade da criação. Laterais são criadores e têm liberdade. Saída de trás para encontrar na frente, é processo de criação. Firmino vir para trás, é processo de criação. Arthur ou Allan é processo de criação. Mesmo que ele (Coutinho) não tenha feito criado tanto."​

Colocar um jogador no segundo tempo

"Quando eu era atleta jovem, em alguns momentos que fazia sequência, sentia pressão mais, e às vezes sentia mais quando entrava no jogo. Depende. É um processo de maturidade que pode acontecer. Quando o Everton entrou, ele foi melhor do que quando começou. David (Neres) da mesma forma. É processo natural. São situações diferentes."

Visita de Neymar

Foto: Lucas Figueiredo / CBF
Foto: Lucas Figueiredo / CBF

"Dei um abraço no Kiko, funcionário do campo, em outros, dei parabéns pelo gramado, que está um tapete. Disse que estava melhor do que quando estava aqui. Atmosfera é inevitável, a gente sente e absorve. Sobre Neymar, estivemos juntos, dei um abraço. Ele fez exame, viu os colegas. Desejei saúde e luz."

Insinuação que uma reportagem peruana fez sobre espionagem da CBF em treino de Gareca

"Tenha a minha palavra de honra de que não houve nada. A palavra de honra. Se tiver que pagar esse preço para vencer, eu pego meu boné e vou para casa. Se tiver que bater para vencer, pego meu boné e vou para casa. Não tenho mais idade para isso. Não fiz isso no início da carreira, vou fazer agora? Fiz, não comparem, fiz com o Cleber, contra o Corinthians, em treino aberto. Treino aberto, vou lá ver. Ok, lá no início eu fiz. Agora vocês têm minha palavra, não faço mais."

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