Oswaldo minimiza atitude de Ganso ao ser substituído:
“Sua obrigação é em campo”
FOTO: LUCAS MERÇON/ FLUMINENSE F.C.

Oswaldo minimiza atitude de Ganso ao ser substituído: “Sua obrigação é em campo”

Camisa 10 saiu para a entrada de Caio, que cometeu o pênalti e originou o gol da vitória do Avaí

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Jéssica Albuquerque

O técnico Oswaldo de Oliveira concedeu entrevista após a derrota do Fluminense para o Avaí, nesta segunda-feira (02), no Maracanã. O comandante comparou revés ao sofrido diante do CSA, também em casa, e definiu o ambiente atual como nefasto.

É uma situação muito ruim. É a segunda partida que o Fluminense passa por essa situação semelhante. O jogo contra o CSA foi muito parecido com o que aconteceu hoje. A equipe perdeu o controle e a concentração até acabar levando o gol. Pela situação que o time já está, cria um ambiente nefasto. E acaba atraindo essa atmosfera muito desfavorável”.

O gol que deu a vitória ao Avaí veio de pênalti. Caio cometeu falta em Iury na área e João Paulo converteu. O treinador explicou a entrada do volante no segundo tempo. Segundo ele, a equipe estava dando muitos espaços para o adversário.

A minha opção com o Caio foi para dar suporte, porque a gente estava dando muito espaço e os zagueiros estavam ficando no mano a mano. O nosso time estava sendo atraído para essa situação. O Paulo Henrique cansou, estava errando alguns passes. Por isso coloquei um jogador mais vigoroso para nos dar mais agressividade. A bola não entrou hoje, mas vamos trabalhar para o time ser mais competitivo”.

O volante, inclusive, entrou no lugar de Ganso, que saiu sob vaias da torcida e sem cumprimentar o treinador. Oswaldo de Oliveira minimizou a atitude do camisa 10 do Fluminense. E frisou que sua obrigação é apenas em campo.

Cada jogador tem uma característica, um comportamento. O Ganso é um jogador tímido, arredio. Compreendo, não tem nenhum problema. Já aconteceu no último jogo. Ele não tem obrigação de me cumprimentar. Ele tem que cumprir com as obrigações dele como atleta, e isso ele tem feito. No momento que achei que precisa tirá-lo do jogo eu tirei. Não tenho o menor problema quanto a isso”.

O técnico revelou a conversa que teve com os jogadores após a partida. O comandante afirmou que a única opção no momento é sair da incômoda situação que o clube se encontra. E fez questão de exaltar a qualidade do elenco.

Acabei de dizer para os jogadores no vestiário: só temos uma opção nessa situação, sair dela. O time tem qualidade, tem criação. Mostrou isso no jogo. A bola passou na frente do gol, mas não tivemos tranquilidade para guardar essa bola no gol”.

Além de Ganso, o treinador e toda a equipe foram alvos de vaias dos torcedores presentes no Maracanã. E assumiu a responsabilidade pela derrota, além de afirmar que entende os protestos da torcida.

Não exijo nada. Sei bem como é. O momento de dificuldade tem esse movimento contrário da torcida. Precisamos reverter esse quadro. O resultado muda tudo. A equipe jogou uma partida muito boa, criou chances, mas a vitória não veio. Prefiro até que a revolta venha contra mim e não contra os jogadores. Vou continuar trabalhando com calma”.

A falta de gols durante a partida não foi por falta de oportunidades. O Tricolor finalizou 24 vezes, sendo 14 chances claras. Oswaldo de Oliveira voltou a exaltar a qualidade do elenco e afirmou que o caminho para mudar a situação é o treinamento.

O técnico tem que fazer o que estou fazendo. Trabalhar, treinar, criar oportunidades. A partir do momento que as oportunidades claras não acontecem, há um desequilíbrio dos jogadores que temos que trabalhar. Eles são profissionais, são adultos e sabem conviver com essa situação. Qualidade eles têm”.

Sobre a dupla Ganso e Nenê, que mais uma vez foram titulares sob o seu comando, Oswaldo se mostrou satisfeito quanto à parcerias dos meias. E elogiou a forma física do camisa 77 do Fluminense.

O Ganso e o Nenê tem 32 e 38 anos, mas ninguém no campo tem a qualidade que eles têm. Já falei para eles que enquanto eles me mostrarem que eles têm condições e nenhum mais novo me mostrar essa qualidade, eles vão jogar. O Nenê tem uma condição física impressionante. Não tem nenhuma restrição física com ele. Pode ser que aconteça na sequência de jogos, mas temos condições de avaliar isso”.

Já em relação à lateral direita, a disputa é entre Igor Julião, titular nas últimas partidas, e Gilberto, que vem convivendo com lesões desde o ano passado. O técnico revelou que em breve o reserva começará jogando novamente.

Sobre Gilberto e Igor Julião, perguntei para o Gilberto e falei: 'Como você está?'. Ele disse que estava bem, mas senti que poderia esperar mais. Disse que no próximo jogo ele inicia. O Gilberto vêm de uma contusão, vem se recuperando. Conheço o Gilberto, eu que lancei no futebol profissional. Ele tem que aguardar um pouquinho e se recuperar melhor”.

As outras duas substituições na equipe foram as saídas de João Pedro e Wellington Nem para as entradas de Lucão e Marcos Paulo. Oswaldo explicou o motivo das alterações e elogiou o atacante Lucão, recém-chegado ao Fluminense.

Estou conhecendo o Lucão agora. Fez um treinamento excelente na semana passada. Minha previsão no final do jogo era de usa-lo se fosse necessário fazer o gol. O Nem está voltando, ainda precisa de sequência. No último jogo, ele não aguentaria todo e optamos por segurar. Nesse, ele também sentiu e precisou sair. Por isso entrou o Marcos Paulo, que vi jogando e joga muito bem. O João Pedro, assim como o Nem, também cansou e precisou sair”.

Sobre a defesa, o comandante afirmou que não tiveram más atuações nesta e nas partidas contra o Corinthians, pela Copa Sul-Americana. Para ele, a criatividade da equipe em criar chances foi maior que os erros do setor defensivo.

Nos três jogos que eu dirigi a defesa não foi mal. O Avaí criou, mas o Fluminense criou muito mais. Futebol é cobertor curto. Meu risco de jogar com Yony, João Pedro, Ganso, Nenê e Nem era grande, mas foi calculado nesse sentido. O Fluminense atacou e criou muito mais. Não acho que a defesa seja tão ruim. Tivemos duas partidas contra o Corinthians em que a defesa foi muito bem. Hoje, aconteceu essa fatalidade, mas a criatividade da equipe superou isso”.

Quando questionado se o atual momento lembra 2009, quando o Tricolor chegou a ter 99% de risco de rebaixamento, o treinador minimizou ao afirmar que há dez anos era mais grave. E pediu o apoio da torcida para a reação da equipe.

Eu estava no Japão, mas me lembro da arrancada do Fluminense. O momento não é tão grave. Temos 22 jogos para jogar, 66 pontos para disputar. Concordo com as palavras sobre a atitude da torcida, que precisa nos ajudar” finalizou.

O Fluminense volta a campo no próximo sábado (07), em jogo válido pela 18ª rodada do Campeonato Brasileiro. O duelo será contra o Fortaleza, no Castelão, às 17h (de Brasília).

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