Chapecoense disputa último jogo como mandante em duelo de
rebaixados contra CSA
Foto: Francisco Cedrim/RCortez/CSA

As histórias de Chapecoense e CSA com respeito à ascensão das últimas divisões do futebol nacional até à elite são semelhantes de certa forma. A Chape estava na Série D de 2009 e disputa a Série A desde 2014. O Azulão do Mutange foi ainda mais meteórico e foi o primeiro clube da história do Brasil a ter acessos consecutivos da Série D à Série A. Depois de 32 anos, o time voltou a colocar o estado de Alagoas na primeira divisão do país. Porém, nada do que foi planejado aconteceu e restou apenas o rebaixamento. Na noite desta quarta-feira (4), as duas equipes se enfrentam na Arena Condá, em Chapecó/SC, em partida válida pela 37ª e penúltima rodada do Campeonato Brasileiro da Série A 2019.

A Chapecoense foi rebaixada há uma semana, quando perdeu para o Botafogo em casa. Após seis anos seguidos, o time vai voltar à Série B em 2020. Na última rodada, derrota para o Santos por 2 a 0. Com a pior campanha na década, o time soma apenas 28 pontos e ocupa a 19ª e penúltima posição.

A situação do CSA não é diferente. O time ainda tem irrisórias chances de permanecer. Para isso, precisa vencer seus dois jogos restantes na temporada, torcer para Ceará e Cruzeiro perderem nas duas rodadas e ainda tirar um saldo de 26 gols em relação ao Alvinegro de Porangabuçu. Porém, isso tudo cai por terra com um empate do Ceará contra o Corinthians. Como jogam mais cedo, existe a possibilidade do time azulino entrar em campo já ciente de que o rebaixamento foi matematicamente confirmado. A equipe está uma posição acima do oponente desta noite, com 32 pontos.

Será apenas o segundo confronto entre os dois clubes. O primeiro ocorreu na 18ª rodada, no início do mês de setembro, no Estádio Rei Pelé, em Maceió/AL. Com gols marcados por Alecsandro e Jonatan Gómez, os alagoanos venceram por 2 a 0.

Despedida do torcedor com honra

O ano de 2019 foi muito ruim para a Chapecoense. Poderia ser considerado o pior da década, mas nada supera a tragédia que resultou na morte de 72 pessoas na véspera da decisão da Copa Sul-Americana de 2016. As memórias permanecem intensas, a angústia ainda é grande e, desta vez, isso não foi suficiente para a temporada ser proveitosa.

Assim como ocorre desde 2017, o momento é de planejar a temporada de 2020 para se reerguer, reconstruir uma história de sucesso que foi acompanhada de perto por milhões de pessoas, próximas ou distantes de Santa Catarina. No último jogo de 2019 em casa, a Chape quer se despedir do torcedor de maneira honrosa, com a promessa de que logo voltará a disputar a principal divisão do país.

O técnico Marquinhos Santos tem muitos problemas para definir qual time escalar nesta noite. O zagueiro Hiago, o lateral-direito Renato, o lateral-esquerdo Bruno Pacheco e os atacantes Everaldo e Henrique Almeida estão lesionados e não jogam mais neste ano. Zagueiro e capitão da equipe, Douglas recebeu o terceiro cartão amarelo no último fim de semana e também está fora.

O lateral-esquerdo Roberto é dúvida por estar com limitado condicionamento físico e ter jogado no sacrifício diante do Santos. A preocupação é grande porque não há mais opções para a posição, uma vez que Bruno Pacheco está lesionado.

Com o desfalque da dupla de zaga, Maurício Ramos será escalado na defesa ao lado do volante Amaral, improvisado. Na lateral-esquerda, outro jogador também pode atuar na posição de maneira improvisada se Roberto não tiver condições. No meio de campo, com o recuo de Amaral, ele pode manter a formação com três volantes por escalar Tharlis ou jogar com dois volantes e dois meias, com Gustavo Campanharo ao lado de Camilo. No ataque, Dalberto pode ser o escolhido para formar dupla de ataque com Arthur Gomes.

Manter intensidade sem considerar outros jogos

A derrota para o Bahia no fim de semana passado sepultou qualquer animação e esperança do torcedor em permanecer na elite. O elenco também embarcou nessa ideia e cumpre tabela nas duas últimas partidas para jogar com honra e ver o que pode acontecer em questão de resultado. Embora o clima seja semelhante ao fim de expediente, o grupo promete dedicação até o fim do Brasileirão, programado para o próximo domingo (8).

Para o jogo, o técnico Jacozinho não conta com três jogadores que receberam o terceiro cartão amarelo e cumprem suspensão automática: o zagueiro Alan Costa, o lateral-esquerdo/meia Euller e o lateral-direito/meia Apodi. Além da suspensão, Apodi teve lesão na coxa diagnosticada e não joga mais neste ano. De maneira forçada, o comandante marujo será obrigado a fazer modificações. A única dúvida é o substituto de Alan Costa. Lucas Dias e Ronaldo Alves brigam por uma vaga, com a tendência que Lucas seja escalado e faça o primeiro jogo na temporada, ainda que contratado no último mês de abril.

No meio de campo, a trinca de volantes será mantida e o meia Jonatan Gómez volta após cumprir suspensão. Será o último jogo do meia argentino com a camisa do CSA, uma vez que o atleta é emprestado pelo São Paulo e tem cláusulas contratuais. Como o Azulão encerra a temporada diante do Tricolor Paulista, pode ser a despedida do jogador. No ataque, Héctor Bustamante volta a ser escalado de primeira após longo tempo. Com isso, o Azulão do Mutange deve entrar em campo no tradicional 4-4-2.


Chapecoense – João Ricardo; Eduardo, Amaral, Maurício Ramos e Roberto; Tharlis, Márcio Araújo, Elicarlos e Camilo; Arthur Gomes e Dalberto. Técnico: Marquinhos Santos.

CSA – Jordi; Dawhan, Lucas Dias (Ronaldo Alves), Luciano Castán e Rafinha; João Vitor, Nilton, Jean Cléber e Jonatan Gómez; Ricardo Bueno e Héctor Bustamante. Técnico: Jacozinho.

Arbitragem de campo – Alexandre Vargas Tavares de Jesus (CBF/RJ), auxiliado por Luiz Cláudio Regazone (CBF/RJ) e por Michael Correia (CBF/RJ), com Evandro Tiago Bender (CBF/SC) como quarto árbitro

Arbitragem de vídeo (VAR) – Rodrigo Nunes de Sá (CBF/RJ), auxiliado por João Batista de Arruda (CBF/RJ) e por Carlos Henrique Cardoso de Souza (CBF/RJ)

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