A queda do Corinthians
Foto: Reprodução/Conmebol

Muito se esperava do Sport Club Corinthians Paulista nesta Libertadores. Mesmo com um time em formação, sob comando do treinador Tiago Nunes, a equipe do Parque São Jorge parecia ser um predador certo do fantasma Club Guaraní, do Paraguai. Mas isso não aconteceu. O revés de 1 a 0 na ida, em Assunção, deixou as chances de classificação totalmente acessíveis aos brasileiros. Tudo mudou com o triunfo enxuto de 2 a 1, que, com o gol paraguaio fora, despachou o SCCP da competição continental. E a história do jogo poderia ser totalmente diferente.

Piiii... Cartão amarelo! Logo aos dois minutos, Pedrinho recebeu amarelo por falta, devido a escorregão, no jogador adversário. Ali, já percebia a rédea curta que o árbitro argentino Nestor Pitana conduziria a partida.

Precisando da vitória, o Corinthians foi para cima, de forma soberana em sua moderna arena. O paredão Cássio estava protegido pela linha de defesa formada por Fagner, Pedro Henrique, Gil e Sidcley. Na volância, Camacho e Cantillo têm características de passes centrais, sem muita visão de jogo. Pedrinho e Luan mais à frente também não são amantes dos ataques pelas pontas. Menos ainda a dupla da área ofensiva, com Vagner Love e Mauro Boselli. E foi assim, com um time sem vista para os lados, que os primeiros 30 minutos corinthianos foram fatais.

Luan fazendo a alegria da nação corinthiana (Foto: Reprodução/Conmebol)
Luan fazendo a alegria da nação corinthiana (Foto: Reprodução/Conmebol)

Luan, aos nove minutos, rascunhou que a noite seria feliz. A desconfiança dessa tal felicidade se deu à luz com o segundo amarelo a Pedrinho, que tentou virar bicicleta e acertou o jogador paraguaio. Justa expulsão aos 28 minutos. Toda a intensidade que o time de Tiago Nunes conseguiu colocar até esse ponto do primeiro tempo estava alegrando a torcida. Cantillo estava bem com os passes nos buracos deixados pela defesa preta e amarela. O ex-Grêmio conseguia flutuar de um lado para o outro, puxando a marcação para abrir campo a Fagner e Sidcley, que ainda parece um pouco fora de forma.

E aos 32', com um a menos, Boselli ainda aproveitou de Love e ampliou para 2 a 0 numa queda pela esquerda.

O enredo tinha temperos de sucesso, ao menos até o segundo gol. Depois dali, o Guaraní se viu um tão aliviado com a perca de criação das jogadas do lado alvinegro, que simplesmente tirou o pé. Tiago Nunes não repôs a saída de um homem de frente, e seguiu sem um parceiro para Luan. Porém, o técnico Gustavo Costas já sacou Rolando García e subiu Nicolas Mana. Ali, via-se a falta de covardia dos paraguaios. No intervalo, Bobadilla entrou no lugar de Florentín.

Com um defensor trocado por um homem de frente, o Guaraní voltou para o segundo tempo totalmente diferente, com a boca sedenta por um gol salvador. E ele veio, logo aos oito minutos, com uma falta bem batida por Fernando Fernándes.

Dura marcação paraguaia (Foto: Reprodução/Conmebol)
Dura marcação paraguaia (Foto: Reprodução/Conmebol)
Um volante como Paulinho faria diferença. Ele estava no camarote assistindo ao jogo ((Foto: Reprodução/SCCP)
Um volante como Paulinho faria diferença. Ele estava no camarote assistindo ao jogo ((Foto: Reprodução/SCCP)

Não se fez presente nenhuma tática alternativa de ataque do lado corinthiano. O time se perdia na falta de jogadas, não conseguia assustar o goleiro Servio. Romaña e Báez não tiveram bem menos trabalho na defesa. Mas Ángel Benítez e Guillermo Benitez apareciam mais com a bola nos pés. Redes também se aproveitou de precisar voltar tanto na marcação.

Sem forças, o Corinthians deixava sua torcida agoniada, que empurrava o time a todo custo. Boselli chegou a mandar bola na trave, mas logo depois o impedimento foi flagrado. O filme de uma nova eliminação na pré-Libertadores já estava sendo produzido na cabeça de alguns torcedores. Uma produção digna de Óscar, com requintes de torturas à moda da CIA (Central de Inteligência Americana).

Um minuto a menos... outro minuto a menos... mais um minuto a menos... outro a menos... agonia a mais!

A fé (Foto: Reprodução/Conmebol)
A fé (Foto: Reprodução/Conmebol)

A expulsão de Wilson Leiva aos 85' não influiu em nada no jogos, já que os paraguaios estavam todos na defesa há um tempo. E foi assim, que o Club Guaraní passou para a próxima fase da pré-Libertadores , eliminando o tradicional time da zona leste paulista, como o Tolima fez em 2011.

Os 58% da posse de bola não foi suficiente para vencer por dois gols de diferença. 42% da posse paraguaia foi no campo de ataque, mas só 36% do domínio de bola brasileiro foi nas ofensivas. 23 chutes do SCCP contra 14 do Guaraní. 7 a gol do SCCP contra 3 do Guaraní. Passou o Guaraní.

Sem desculpas

"Quero parabenizar os torcedores e jogadores. Os jogadores se doaram muito e criamos chances o suficiente para eliminar o adversário. Enfrentamos uma arbitragem terrível. Um cara experiente, que sabe levar a partida. Mas foi fundamental para a eliminação. Precisamos lembrar que vencemos a partida. Fomos superior nas duas partidas", disse o técnico Tiago Nunes na coletiva pós-jogo.

Arbitragem influenciou? Talvez! Mas houve enorme falta de leitura de jogo, por parte do Corinthians, e opções consolidadas. Sabendo que teria  a pré-Libertadores no calendário, o comandante corinthiano deixou de assumir o time já nas últimas rodadas do Brasileirão 2019, preferindo chegar somente em 2020. Ou seja, deixou de andar algumas casinhas no tabuleiro do futebol alvinegro de 2020.

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