Exclusivo: atacante do Confiança, Reis detalha carreira e acredita em ‘grande ano’ do Dragão
Foto: Reprodução / Arquivo Pessoal

Natural de Capitão Poço, no Pará, e atualmente com 27 anos, Isnairo Reis Silva Morais, o Reis, destaca-se por sua habilidade. Iniciou a carreira na base do Remo, em 2012, e passou por Atlético-GO, Internacional, América-RN, Caxias, Boa Esporte, Vila Nova, Criciúma e agora está no Confiança, o "Dragão do Bairro Industrial".

Em entrevista descontraída e exclusiva para a VAVEL Brasil, Reis falou um pouco sobre o início de sua carreira, momento atual e planos para o futuro. O atacante do time proletário revelou que desde pequeno sempre teve ligação com o futebol, mas que por morar em uma região onde não existem muitas oportunidades na área também passou dificuldades.

"Para mim, quando comecei, como muitos dizem no futebol né, impossível. Por ser de uma família pobre e morar no interior as pessoas sempre diziam que não ia dar certo. Eu estudava a 18 km da cidade onde morava e lá tinha um professor chamado Edgar, que me perguntou se eu gostaria de fazer um teste no Remo. Falei que queria, claro, era o time que eu torcia e minha família também. 

No começo foi difícil pois minha mãe não queria deixar, tinha apenas 15 anos, mas ela acabou aceitando uma semana depois. Então fomos eu e mais dois meninos, todos passaram no teste. Só que os meninos eram da cidade e eu do interior, no meio do caminho surgiram alguns percalços que tiraram o objetivo deles. Eu continuei focado e fui acreditando, mesmo sem perspectiva das pessoas, só com apoio da minha família e do meu professor. Deus coloca as pessoas certas no caminho, sou eternamente grato a ele por ter tirado da família dele para dar para a minha quando precisei", conta Reis.

Entre os 16 e 17 anos, o habilidoso atacante atuava pela equipe sub-17 do Remo, onde foi artilheiro e campeão, e aos 18 já estava no sub-20, onde jogou a Copa São Paulo. Na competição fez bons jogos e foi sondado por outros clubes, mas o time paraense, detentor de seus direitos, não quis liberá-lo.

Com os mesmos 18 anos chegou ao time principal do clube. Era a época do "boom" Neymar no Brasil. Para um garoto jovem e com as mesmas características de jogo não foi diferente, o estilo marrento e o moicano eram notórios logo de cara. 

Na mesma época, logo após subir para o profissional, Reis ganhou a posição de titular após se destacar nos treinos, tendo a oportunidade de fazer dois gols em um jogo na Copa do Brasil. Na fase seguinte o Remo enfrentou o Bahia, e na partida o atacante foi um dos destaques, fazendo com que três clubes: Bahia, Cruzeiro e Atletico-GO, demonstrassem interesse em sua contratação. Sendo que o clube goiano fez prontamente uma oferta de compra.

Reis aceitou a oferta do Atlético, onde disputaria a série A do brasileirão e a copa sul-americana. Porém, uma lesão no quinto metatarso frustrou os planos iniciais na equipe. Após um mês em casa iniciou o processo de recuperação da lesão até estrear contra o Corinthians. Mas por não estar bem fisicamente não teve o desempenho esperado, fazendo com que saísse do clube ao fim da temporada.

Passagem pelo Internacional

Em 2013 retornou ao Remo mas ficou por pouco tempo, quando transferiu-se para o Internacional de Porto Alegre. Por lá ficou dois anos e meio, treinando com a equipe principal e atuando na equipe sub-20. Estreou no clube pela Copa do Brasil sub-20 contra o Santos na Vila Belmiro, onde deu assistência para gol na vitória do clube gaúcho. 

Após bom desempenho pelo Inter na categoria sub-23, onde foi vice-campeão da Recopa Gaúcha e campeão do estadual, passou a treinar com frequência com o time principal. Dividindo vestiário com jogadores como: Forlán, D'alessandro, Jorge Henrique, Kleber, Rafael Moura e Dida.

 

Vale lembrar que o Internacional utiliza a equipe sub-23 nos primeiros jogos do estadual, e na época, os jogadores conseguiram um feito histórico ao vencer todos os jogos disputados, mesmo atuando contra equipes profissionais. O feito chamou a atenção de Abel Braga, técnico do time na época, onde teria que escolher cinco jogadores para promover ao time principal.

Apesar do sucesso no time B, acabou não permanecendo no clube gaúcho.

"Nós tínhamos uma negociação avançada pela minha renovação, onde eles teriam que me comprar. Na época o clube perguntou ao Clemer quem ele queria que ficasse, e ele tinha dito que queria que me comprassem. Acabou não acontecendo por questões contratuais com meu empresário.

Fui afastado dos treinos após reunião do meu empresário com o presidente do clube, foi onde percebi que meu ciclo no Inter havia acabado. Acredito que foi um dos momentos mais difíceis da minha carreira. Tive que reagir, levantar a cabeça e continuar seguindo o meu caminho.

Mas o Inter é uma equipe que eu tenho carinho enorme, espero um dia poder voltar para jogar no time profissional."

Sequência

Após a saída do Inter jogou um ano e meio pelo América-RN, onde foi campeão estadual, e depois rumou ao Caxias para jogar o Gauchão. Ao fim do estadual foi jogar a Série B pelo Boa Esporte onde teve bom desempenho, sendo o líder de assistências da série B.

"No Boa tive um bom desempenho, fui líder de assistências, fiz gols, e ao fim da Série B tive uma proposta do Botafogo, mas a negociação acabou não se concretizando."

Na temporada seguinte fechou contrato com o Vila Nova em uma temporada que o clube quase conseguiu o acesso à Série A do brasileirão, ficando fora do G-4 por apenas três pontos. Ao fim do contrato com o Vila assinou com o Criciúma, cidade onde o atleta tem residência fixa, para disputa da Série B.

A temporada não foi das melhores para o clube que teve quatro treinadores durante a competição, e mesmo com um elenco de jogadores renomados, teve desempenho irregular, que acarretou no rebaixamento para a Série C. Reis afirmou que foi um momento difícil mas de aprendizado.

Chegada ao Confiança

Reis com a camisa do Confiança-SE (Foto: Reprodução / Arquivo Pessoal)
Reis com a camisa do Confiança-SE (Foto: Reprodução / Arquivo Pessoal)

Depois do descenso com o time catarinense, Reis e Confiança se cruzaram pelo caminho, através do técnico Daniel Paulista (atualmente no Sport). O próprio Daniel ligou para o atacante para fechar contrato com o Dragão. Na época, Náutico e Santa Cruz também tinham interesse em sua contratação.

"Tinha duas propostas também, de Náutico e Santa Cruz. Quando soube que iria para o Confiança, o Santa tentou atravessar a negociação me oferecendo um salário bem acima, mas já havia dado minha palavra, seria chato ir para o outro lado."

Ao aceitar a proposta do clube, Reis entrou em contato com Rafael Santos, goleiro do Confiança, que conheceu no tempo de Vila Nova, onde atuaram juntos.

"Liguei para o Rafa para buscar informações sobre o clube, foi aí que ele disse para vir sim, que a cidade é boa e que a torcida iria me apoiar. Foi uma coisa meio diferente. Quando assinei contrato um monte de torcedor passou a me seguir no Instagram dando boas vindas. Foi algo que não esperava já que nunca havia jogado na cidade."

Até a pausa por conta da pandemia do novo coronavírus, o Dragão do Bairro Industrial vinha fazendo excelente ano, sendo líder no estadual e também do seu grupo na Copa do Nordeste. Ao ser questionado se esse interrompimento pode afetar o desempenho da equipe, o jogador, que é um dos artilheiros do time, declarou que não.

"Eu creio que essa parada foi boa por um lado e ruim por outro, pois jogávamos duas vezes por semana entre estadual e copa do nordeste, então isso vai cansando. Mas eu creio que ao retornar, recuperando a parte física novamente, podemos manter o desempenho que tivemos até aqui."

Para a Série B do Brasileiro, o acesso já vinha batendo na trave algumas vezes com eliminações na fase de mata-mata, e o clube vem tendo investimento para jogar a competição. O atacante, que tem experiência no campeonato, falou um pouco sobre as pretensões do Confiança.

"O nosso objetivo na série B com certeza é permanecer. Por mais que a série C seja difícil, a série B é outro nível de competitividade. Já vai ser a minha terceira disputa da competição então posso te falar, são algumas das melhores equipes do Brasil. Alguns times da série B são nível A, como por exemplo o Fortaleza que subiu e conseguiu se manter. Então o nosso objetivo inicial é permanecer.

Mas eu tenho certeza que com a estrutura que o Confiança tem, com a qualidade dos jogadores e outros que podem chegar, se mantivermos os pés no chão, trabalhar passo a passo, tenho certeza que temos tudo para fazermos um grande ano e buscar coisas maiores."

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