#EntrevistaVAVEL: do futsal aos campos, Drika conta sua trajetória no Juventus
Foto: Leonardo Sguaçabia/WP Assessoria

Em entrevista exclusiva à VAVEL Brasil, a jogadora do Clube Atlético Juventus, Adriane Rodrigues de Sousa, mais conhecida pelo apelido Drika, dividiu com a gente um pouco da sua história profissional. A atleta que começou no futsal devido a seu talento,  acabou despertando elogios e sendo apoiada a tentar o futebol de campo. E assim o fez.

Atualmente, a meio-campista veste a camisa de um dos mais tradicionais times da capital paulista: o Moleque Travesso, além de ser um coringa nas mãos do técnico Welington Souza, já que tem como característica sua polivalência atuando como volante também. Lembrando que esse é o clube em que realizou seu primeiro teste e passou, mesmo diante das dificuldades de adaptação, ela superou e conquista cada vez mais o seu espaço.

"A princípio eu jogava futsal, mas as pessoas que me viam jogando falavam que eu deveria tentar algo no campo, e eu também sentia que deveria fazer isso, e na época, um amigo jogava no sub 17 do Juventus e eu perguntei pra ele como funcionava e ele conseguiu um teste pra mim, eu passei e iniciei no sub 17 do Juventus, tive dificuldade na adaptação do futsal para o campo, na noção de espaço , tático , físico, mas superei essa barreira e no ano seguinte eu subi pra categoria profissional e assim sigo até hoje."

Assim como nós, as atletas também encontram situações difíceis quando estão em busca de realizar um sonho, acontecimentos que servem como lição de vida ou que nos fazem conhecer o nosso poder interno para superar e com a Drika não foi diferente. Perguntada sobre algum fato que tenha marcado durante o caminho para se tornar jogadora de futebol, ela nos contou sobre uma séria lesão que teve e sobre sua superação também.

"Sim, o que mais me marcou foi quando lesionei o LCA (ligamento cruzado anterior) do joelho direito. Foi um balde de água fria porque eu estava prestes a jogar um campeonato e estava em uma fase muito boa, e foi muito difícil pra mim aceitar que eu não poderia jogar por alguns meses, mas fiz as sessões de fisioterapia, me cuidei direitinho e consegui dar a volta por cima, graças a Deus."

Mesmo o Brasil sendo considerado um país liberal, a gente sabe que infelizmente o preconceito ainda existe aflige nossa sociedade. Algumas atletas já relataram sofrer ataques justamente por ser jogadora de futebol. Em suma, ela afirma que o contexto do que sofreu é diferente, já que não se refere a profissão em si, mas ao ato.   

"Nunca sofri preconceito por ser jogadora de futebol, mas quando eu era mais novinha, já sofri preconceito por jogar futebol."

A Copa do Mundo Feminina de Futebol realizada no ano passado, na França, acabou abrindo os olhos de grande parte da sociedade para modalidade e com isso gerou um maior respeito, além de dar mais visibilidade para as profissionais da bola. Para Drika, isso tudo foi importante, porque acabou sendo positivo até para quem não teve a oportunidade de estar na seleção brasileira.

"Aos poucos o futebol feminino está sendo mais valorizado, as pessoas estão acompanhando um pouco mais, prestigiando mais, e isso é muito importante para a modalidade e para nós, jogadoras."

A pandemia do novo coronavírus chegou e modificou de forma drástica a rotina dos atletas. Muitos vem praticando exercícios em casa a fim de se manter em forma para quando os jogos voltar. Lembrando que até o momento, não existe uma previsão, mas alguns clubes já marcaram um retorno gradual das atividades.

"Realmente deu uma bagunçada na rotina, mas estou tendo aulas on-line da faculdade, treino todos os dias a programação que a Comissão Técnica do Clube fez para as atletas, exceto no domingo ,que é o dia do descanso. Eu estou lidando com a quarentena com muita positividade e fé que tudo vai voltar ao normal o quanto antes."

Alguns países como Portugal e Alemanha, estão retornando as competições, mesmo registrando casos da doença. No entanto, antes dessa decisão, os clubes realizaram um protocolo de segurança determinado pelas autoridades de saúde de cada país. A meio-campista afirmou que se tudo está controlado, não tem problemas a volta.

"Se a situação do corona está controlada nesses países acredito que não tem problema, muitos amantes do futebol até agradecem por poderem assistir futebol ao vivo, já que ficaram sem poder assistir por um bom tempo.Estou ansiosa pra volta dos jogos no Brasil, mas em primeiro lugar vem a saúde e segurança , portanto o melhor que podemos fazer é nos cuidar para a situação no nosso país melhorar e as coisas voltarem ao normal."

Vale ressaltar que muitas atletas temem o cancelamento do campeonatos femininos, mas até o momento a CBF não se posicionou sobre o que fará com a temporada do futebol feminino e nem a do masculino.

Agradecimentos: WP Assessoria e Almeida Sports (gestão).

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