#Maracanã70anos: gritos de olé e "povo unido jamais será vencido" em dia de goleada por 10 a 0
Foto: Reprodução / Felipe Pires

Campeã do mundo em 2010, a geração espanhola que encantou os fãs de futebol comandada por Iniesta brilhou no Maracanã em 20 de junho de 2013. O autor do gol do título na África do Sul passou em branco contra o Taiti, mas participou do jogo histórico que terminou com 10 a 0 no placar. Fernando Torres (4), David Villa (3), David Silva (2) e Juan Mata balançaram as redes.

Na arquibancada atrás do gol do Maracanã estava a jornalista que vos fala — na ocasião, era a torcedora que ganhou de um amigo o ingresso para ver de perto alguns dos campeões mundiais pela Espanha. O adversário era uma seleção formada por amadores que conquistou a maioria dos torcedores, mas a ascendência ibérica que rendeu o sobrenome Garcia e o look escolhido para o jogo comprado durante um intercâmbio em Barcelona falaram mais alto.

O presente veio das mãos de um jovem que comprou o ingresso mas teve um imprevisto de última hora. Então um dos nomes na lista de contatos dele tinha uma amiga jornalista e apaixonada por futebol que não tinha conseguido comprar ingresso para a Copa das Confederações, evento organizado pela Fifa.

Não havia muito tempo até a bola rolar no Maracanã, então a solução foi ir até o centro da cidade procurar adereços para acompanhar a partida a caráter. A bandeira da Espanha estava fora do orçamento e surpreendemente não havia muitos itens com as cores do país disponíveis — apenas um chapéu em uma loja de fantasias adquirido prontamente.

A caminho do Maracanã, uma série de bandeiras verdes e amarelas devido à mobilização que tinha como foco principal o aumento das tarifas no transporte público.

Chegando ao estádio com uma certa antecedência dava para perceber que tratava-se de uma competição internacional, com ações de patrocinadores pelos corredores. Um deles oferecia maquiagem e um cachecol nas cores vermelha e branca (Taiti) ou vermelha e amarela (Espanha). A torcida para a seleção da Polinésia Francesa era maior e, portanto, mas como a intenção era prestigiar os europeus então o tempo da fila era curto.

O primeiro gol aconteceu aos quatro minutos de jogo e a voz que vinha das arquibancadas cantava "vamos virar". O estilo marcante dos espanhóis com a valorização de posse de bola ficou em segundo plano porque aquele momento era de orgulho para o Taiti, seleção ovacionada pela torcida a cada toque na bola. A euforia aumentou quando Fernando Torres bateu pênalti no travessão e o goleiro Mickaël Roche ouviu aplausos.

Ao contrário dos demais jogos da seleção brasileira, quando o grito era de "sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor" desta vez o coro uníssono dizia "o povo unido jamais será vencido", em alusão aos protestos que movimentavam o país. Emoção antes, durante e depois do apito final.

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