Odair Hellmann analisa desempenho do Fluminense em empate: “Jogo
disputado e de poucas chances”
Foto: Lucas Merçon / Fluminense F. C.

Odair Hellmann, técnico do Fluminense, concedeu entrevista coletiva nesta quarta-feira (12), após o empate em 1 a 1 com o Palmeiras, no Maracanã, pela terceira rodada do Campeonato Brasileiro. O comandante iniciou falando sobre a presença de Fred no time titular. Aliás, o centroavante ficou apenas 30 minutos em campo. Sentiu dores na coxa e foi substituído por Marcos Paulo.

O Fred está retornando de uma lesão, já vinha treinando um bom período com a gente e fez essa volta gradativa. Entrando no segundo tempo, hoje iniciou um jogo. O ideal era levar o máximo possível para que a gente elevasse o ritmo. É um grande jogador, vai nos ajudar muito. Quando não iniciar a partida, vai nos ajudar porque é um líder, experiente. Mas a ideia é, quando ele estiver recuperado, o mais breve possível, que possa nos ajudar dentro de campo” disse Odair.

Em seguida, o treinador falou sobrea importância do grupo em geral e afirmou que todos do elenco terão oportunidades, por sequência física ou por opção. Já que o Campeonato Brasileiro é muito difícil e que exige um limite.

Nessas duas partidas do Brasileiro, a gente teve algumas modificações em relação aos jogadores que não vinham jogando e atuaram. Isso é uma resposta de grupo e vamos precisar de todos indo bem. Para que em determinado momento a gente possa usar da importância de grupo em momentos pela sequência física e em outros por opção realmente, variação de características, como a gente tem feito. Então é em relação a todos, todos vão participar. Em algum momento, uns vão ter uma sequência um pouco maior. Depois vai ter que dar uma segurada. É um campeonato difícil, que exige um limite. E temos que estar com esse grupo, como estou tendo nestas duas partidas à disposição para que consigamos fazer os jogos na alta intensidade que é exigida, na qualidade que propomos, para que busquemos as vitórias e uma boa pontuação”.

Para Odair, foi um jogo de poucas chances, tanto para o Fluminense, quanto para o Palmeiras que, nas palavras do treinador, fez o gol sem criar oportunidade. Inclusive, criticou o alto número de faltas durante a partida.

Foi um jogo de poucas chances, não foi o Fluminense que criou poucas chances. O Palmeiras não criou nenhuma no primeiro tempo. Fez o gol sem criar oportunidade, foi numa saída de bola nossa. Fizemos nosso gol, criamos situação de finalização. O volume de jogadas de construção no último terça está boa, o que precisamos progredir – e estamos variando situações táticas – é aumentar a efetividade na parte final. Foi um jogo de poucas chances, muito disputado, com muitas faltas. O Marcos Rocha deve ter feito umas 43 faltas. Foi um jogo muito competido. Mas ao passarmos uma dificuldade inicial - não por pressão do Palmeiras, mas de dificuldade de construção para chegar na fase final – entramos no jogo e melhoramos na partida, até fazer um segundo tempo melhor que o Palmeiras. Mas não conseguimos traduzir isso em situações claras de gol. Porque o jogo também não permitiu. Mas estamos em busca de melhorar esses aspectos”.

Artilheiro da equipe no início da temporada, o meia Nenê não marcou nenhum gol desde o retorno do futebol. Quando questionado sobre o rendimento do atleta de 39 anos, Odair Hellmann reforçou que ele seguirá na equipe titular.

O Nenê continua e continuará iniciando. Pelo menos iniciará a próxima partida, já te aviso de antemão. Como aqui dentro tem bastante fonte, de passar as informações para fora, já estou sendo a fonte para você. E aí, se na próxima partida eu tiver que tomar decisão, ou por avaliação técnica ou de característica ou de composição, certamente farei com Nenê, Fred, Evanílson, com qualquer jogador. Pois os vejo com a mesma importância e dou a mesma importância para todo jogador. Independe se ele inicia o jogo ou não. Trabalho com o grupo e a resposta do grupo foi boa. Tanto dos jogadores que iniciaram, como Luccas Claro, por exemplo, e outros que entraram também”.

Em relação aos protocolos de segurança adotados nos jogos para evitar a contaminação pelo novo coronavírus, o treinador afirmou que sente uma preocupação. Além disso, lembrou que a pandemia continua e ressaltou que os jogadores e a comissão técnica dos clubes são privilegiados por poder realizar vários testes.

Nós todos, que estamos indo para nossos trabalhos estão, de alguma maneira. Não só nós, do futebol, mas todas as pessoas, de alguma maneira. Por exemplo, desde o início da pandemia, os profissionais de saúde eram os que estavam mais expostos, porque estavam no front, para que não houvesse um colapso maior no sistema de saúde do Brasil. Passamos por esse momento, mas a pandemia continua, a doença não acabou. Nós ainda temos o privilégio de sermos muito bem assistidos. Pelo Fluminense e pela CBF, com testes. Eu sou testado de três em três dias, ou de dois em dois, coisas que outras pessoas em outras profissões têm essa dificuldade. Mas, claro que essas coisas vão acontecer. O que não pode é ter decisões diferentes para situações iguais. A CBF precisa ter essa sensibilidade de quando acontecerem os casos, tomar decisões para que não haja diferenças técnicas. Porque já há muitas outras diferenças técnicas no campeonato, financeira, estrutural, grupos maiores de jogadores para um ano normal, imagina em um campeonato atípico. Então isso prejudica ainda mais as equipes que têm dificuldade. Esse é o cuidado que eu peço. Bom senso e avaliação”.

O atacante Marcos Paulo vinha sendo titular. Porém, começou essa partida no banco. Odair Hellmann explicou sua escolha por deixar o jogador que vinha recendo da torcida e da imprensa no banco de reservas.

A divergência faz parte e tem o respeito da minha parte. Foi a opção pela manutenção de um goleador, de força e velocidade, que é o Evanilson, em uma função que ele faz, com um movimento um pouquinho diferente, mas com liberdade para ser esse segundo atacante, infiltrando. E a manutenção de um meia armador (Nenê) e um meio com um meia-atacante polivalente, como o Michel Araújo, que pode fazer função de lado e de meia. O Yago é um jogador um pouco diferente do Michel, mais de composição. E o Dodi, por trás de todos os jogadores de características ofensivas. É buscar esse equilíbrio entre as características, para que possamos fazer um time forte”.

Já o meia Michel Araújo teve a primeira oportunidade no time titular e recebeu elogios do treinador, que explicou em quais funções o jogador pode atuar: “Ele está evoluindo parte técnica, física e pode jogar tanto do lado, quando por dentro avançado, como pode fazer como fiz hoje, lateralizando ele e Dodi. Está demonstrando essa capacidade de força, intensidade”.

Completou falando sobre o esquema tático adotado na equipe.

O meia armador está em campo, é o Nenê. O Michel Araújo é mais um meia de força e velocidade, polivalente. A profundidade podemos dar com um cara de beirada (problema no som da coletiva). A amplitude tem. O Palmeiras hoje jogou com linha baixa, em contra-ataque. Você sempre terá mais dificuldade de construção nesse caso. Mas tivemos maior número de posse, de passe. É diferente construção e perder a jogada de construção e finalizar a jogada. Precisamos aumentar esse poder. Tínhamos aumentado contra o Grêmio. O Grêmio, que tem quatro anos de continuidade de trabalho, finalizou só quatro vezes. O Palmeiras, hoje, finalizou duas. Estamos chegando próximo do gol. O acabamento é que precisamos encontrar os melhores movimentos, encontrar melhor entrosamento, para aumentar o poder de finalizações perigosas, para fazer mais gols”.

Odair Hellmann frisou que a equipe tem uma base, mas não apenas uma maneira de jogar. Ainda segundo ele, o elenco tem uma consistência, bom número de trocas de passes, de finalizações. E que é preciso encontrar um equilíbrio.

Nós temos uma base. Mais jogadores estão repetindo jogos. Hoje não tivemos Digão, Matheus Ferraz, Hudson, Yuri. Gilberto saiu. Cinco jogadores que não estavam à disposição e três da linha defensiva. Isso muda também a estrutura não só defensiva, como de meio de campo. Mas ganhamos outras opções. O Michel, por exemplo, está conseguindo se adaptar bem, dar resposta. Hoje oportunizamos o Luiz Henrique, mais um menino com boa capacidade. Por isso falo do grupo. Não contamos com esses jogadores por problemas, mas acabaremos tendo na sequência por lesão, suspensão, opção tática, de característica” encerrou.

O próximo compromisso do Fluminense é contra o Internacional. A partida será no domingo (16), às 18h (horário de Brasília). O confronto é válido pela terceira rodada do Brasileirão. Com apenas um ponto conquistado, o Tricolor ocupa a 13ª posição na tabela e ainda não venceu na competição.

VAVEL Logo