Cuca pede calma: "Não
tem como, em um mês, eu agradar a João e a Paulo ao mesmo tempo"
Cuca em entrevista na sala de imprensa (Foto: Reprodução/TV Galo)

“Não tem como, em um mês, eu agradar a João e a Paulo ao mesmo tempo”. Com essas e outras frases, Cuca desabafou em entrevista concedida à TV Galo e divulgada nesta segunda-feira (19), nas redes sociais do clube. O treinador vem sendo alvo de críticas da torcida na internet, não pelos últimos resultados da equipe – quatro vitórias e duas derrotas – mas, sim, pelo desempenho tático dos jogadores dentro de campo.

Tudo isso gira em torno do alto investimento feito no elenco: cerca de R$ 400 milhões. Na atual temporada, tendo somente jogos pelo Campeonato Mineiro, o Atlético-MG tem oito vitórias em 10 partidas disputadas. Nas quatro primeiras rodadas, o time foi comandado pelo auxiliar Lucas Gonçalves usando um grupo alternativo, que teve um aproveitamento de 100% e alguns atletas se destacando, como Zaracho, Marrony e Dodô.

Paralelo a isso, o restante do elenco, que atuou por mais jogos na temporada passada, se reapresentou posteriormente, assim como Cuca, que acompanhou por várias semanas a mãe internada na UTI, em decorrência de complicações causadas pela Covid-19. Após um tempo de trabalho, e o grupo considerado titular ter ganhado condicionamento físico, atletas como Zaracho, Marrony e Dodô passaram a receber poucas oportunidades e, ao mesmo tempo, a equipe também caiu de produção. Todos esses fatores pesaram questionamentos acima de Cuca nas entrevistas coletivas pós jogo.

Hoje, eu perguntaria ao torcedor do Galo: você acha que temos um time ajustado para ganhar a Libertadores? Quando tempo vai demorar? É necessário vir jogadores? Os resultados de jogos vão nos dizer. Tenho respondido a cada jogo (coletiva de imprensa), perguntas precipitadas, exageradas. O torcedor está com uma certa ira em relação a tudo. Nos ajude, nos compreenda e confie na gente”, desabafou.

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O técnico reconheceu que teve uma parte de rejeição da torcida durante as negociações e na chegada, e afirmou que precisa de tempo para formar o que ele diz “família” dentro do clube.

Sei que eu não era o treinador preferido por parte de alguns torcedores, principalmente os virtuais. Mas, hoje, torcedor tem que entender que sou eu que estou aqui. E sou eu quem vai dar tudo de mim, para tirar tudo desse grupo em benefício de nós. Só entendo que vamos poder vencer, ter uma boa chance na Libertadores, é se a gente criar uma família aqui no Galo. Definir um time é uma situação difícil. Criar uma família no futebol é muito mais complicado, e requer muito mais tempo. Então, quando a gente se auto pressiona, como estamos fazendo agora: quando o time irá jogar, quando terá resposta, essas coisas não têm uma data, um número para eu dizer a vocês. O Galo, hoje, com 10 jogos, ganhou oito, é o melhor rendimento do Brasil, e estamos nos auto pressionando demais”, salientou.

O treinador, campeão da Libertadores de 2013 com o Galo, prometeu o mesmo sucesso conquistado nos últimos times, também na Cidade do Galo, e ainda afirmou que está no clube por méritos obtidos na carreira.

A minha vinda para o Atlético-MG foi em cima do que eu conquistei? Em partes, sim. Ano passado, fui eleito o melhor treinador da América do Sul. Então, estou vindo do trabalho que fiz no Santos, Palmeiras, São Paulo, e que vou repetir aqui no Galo. Pode ter certeza. Só que, não tem como, em um mês, eu agradar ao João e ao Paulo, ao mesmo tempo. Temos que entender que se a gente está aqui todo dia, temos um conhecimento mais amplo do time para poder impor nos jogadores”, disse.

Confira outras falas de Cuca durante a entrevista

- Elenco e estilo de jogo:

Ao longo do ano, esses 70 jogadores que nós temos, vamos usá-los e, de repente, até alguns a mais que possam vir dentro de um entendimento de carência. O Galo era um time posicional. O meu estilo não é esse. Eu deixo o jogador rodar um pouco mais, ele tem uma liberdade maior para flutuar nos espaços do campo. Cada um tem o jeito de trabalhar. O estilo que coloquei no Santos vingou, e aqui, se Deus quiser, vai dar certo. Marrony, Keno, Hulk, Vargas, Nacho, Tchê Tchê, Savarino, Zaracho, Alan Franco, Dodô, Savinho. São todos jogadores que estão entendendo, hoje, o que é o Atlético-MG. Em 2011/12 também foi assim, com Pierre, Donizete, Ronaldinho e Jô. Eles foram entender o que é o Galo no decorrer da estada deles aqui. Então, tem que dar tempo ao tempo. Os trabalhos vão exigir que os jogadores tenham essa dinâmica, diferente de como eles eram com outros treinadores. Eu gosto de marcar, roubar a bola no ataque. Gosto do jogador sanguíneo. E isso requer um tempo de o jogador entender, além das palavras, a atitude dos treinamentos e jogos. Por isso, peço ao torcedor que tenha paciência. O Cuca que está aqui hoje, é o mesmo que tinha vontade de ganhar em 2012/13. E, se Deus quiser, vamos ganhar em 2021, mas com calma e paciência”, atestou.

Dívida e futuro do Atlético-MG:

Nossa responsabilidade é muito grande em cima do ano. Esse investimento que foi feito, e está sendo feito no Galo não é para este ano. Torcedor tem que entender isso. Não precisamos colocar a corda no pescoço. Está sendo feito uma Arena (MRV) maravilhosa que será para sempre. As coisas vão dar bem para o Atlético-MG. Tem uma dívida enorme que está sendo estudada para ser sanada pouco a pouco, como deve ser. As coisas estão encaminhadas”, finalizou.

O Atlético-MG estreia na Libertadores às 19h (de Brasília) desta quarta-feira (21), contra o Deportivo La Guaira, na Venezuela. O jogo será válido pela fase de grupos.

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