ANÁLISE: Nem a altitude para Flamengo na Libertadores
Gabigol comandou o Flamengo em mais uma vitória na Libertadores (Foto: Alexandre Vidal / Flamengo)

O time comandado por Rogério Ceni conquista mais uma vitória, dessa vez em condições bem inóspitas. O Flamengo venceu a LDU jogando na altitude, aproximadamente 2850 metros acima do mar, nesta terça-feira (4), por 3 a 2. A equipe rubro-negra já soma seis partidas de invencibilidade.

Sob esse viés, um aspecto que corrobora o atual momento do Flamengo é a formatação tática que a equipe adota com a bola. Geralmente, o time rubro-negro atua num 3-2-5.

Nessa formação, a equipe atua com três defensores, que por sua vez dão início à saída de bola. Sendo um destes o lateral Filipe Luís. O camisa 16 não raramente abre pelo lado esquerdo e com isso acaba tendo a função de ser mais um construtor no time. 

Acima dessa linha de 3 defensores, o Flamengo atuou com uma linha formada por 2 jogadores. Tratam-se de Diego e João Gomes. Essa segunda linha tem um papel importantíssimo sob o aspecto da aproximação da equipe. Um déficit nessa segunda linha tende a deixar a equipe extremamente alargada em campo, o que por sua vez dificultaria a construção ofensiva harmônica entre defesa, meio e ataque. 

Por fim, a linha de 5 que o Flamengo detém no setor mais ofensivo do campo é onde toda a mágica acontece. Bruno Henrique, Gabriel Barbosa, Everton Ribeiro e Giorgian de Arrascaeta possuem uma ampla liberdade ambulatorial em campo, consequentemente alternam bastante suas respectivas posições iniciais.

Essa rotatividade e dinamicidade no terço final do campo foi o fator determinante na partida, principalmente na primeira etapa. Além da confusão que isso gerou no sistema defensivo do time equatoriano, com cinco jogadores na frente o Flamengo não raramente impôs uma igualdade ou superioridade numérica no setor mais avançado do campo ofensivo.

Completando o quinteto, Isla é o jogador que concede amplitude e profundidade para o Flamengo pelo lado direito. Inclusive, é bem válido ressaltar a diferença de funções entre os dois laterais do Flamengo.

Note como o futebol é sistêmico, os mecanismos de construção ofensiva precisam estar bem alinhados entre todos os setores da equipe, uma vez que estes são interdependentes. 

Na segunda etapa, o déficit físico foi gritante, a LDU conseguiu equilibrar a partida. O Flamengo sofreu pelos lados do campo, muito pela falta de alargamento da sua última linha defensiva. Com isso a LDU conseguiu criar bastante pelos lados e construiu suas principais jogadas dessa maneira.

No entanto... o individual se sobressaiu, Arrascaeta atacou muito bem o espaço e após um ótimo passe de Filipe Luís (lateral construtor) sofreu um pênalti importantíssimo para Gabigol marcar o seu 5° gol na libertadores. Note como no lance em questão a igualdade numérica no terço final do campo é explícita.

Destaque para a sinergia do quinteto de frente do Flamengo, principalmente ao que tange aos quatro homens mais avançados.

Assista a análise tática da vitória do Flamengo sobre a LDU

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