Brasil vira sobre Venezuela com atuação apática nas Eliminatórias
Foto: Lucas Figueiredo/CBF

Coloque suas cartas do baralho na mesa. Em cada lado do campo, níveis distintos, fariam você leitor imaginar o grande favoritismo do Brasil. Doce engano. A Venezuela atuou de forma melhor, teve gol cedo,  em Caracas, no estádio Olímpico da UCV, mas a Seleção Brasileira conseguiu a vitória graças ao número de 17 do time de Tite: Raphinha. Através de seu comando, o time verde e amarelo venceu por 3 a 1, evitando a primeira derrota para os venezuelanos. 

Apesar de nunca ter vencido a camisa canarinho, a Vinotinto tinha uma carta de número 10 para desorientar a defesa brasileira: Soteldo. Com toda sua habilidade e visão de jogo, o meia era bastante procurado por sua equipe. Tal cartada surtiu o efeito esperado. O baixinho recebeu enfiada nas costas de Arana, passou bem pela outra marcação e cruzou, de forma açucarada, para Eric Ramírez, que contou com o duplo escorregão de Marquinhos e Fabinho. O jogador nem precisou tirar o pé do chão.

O golpe não perdurou. A seleção começou a ter o controle do jogo, enquanto os mandantes aumentavam a linha de marcação. Isso não impediu de criar duas oportunidades de arrancar aquele suspiro de “uuhh” do torcedor. Após chute travado de Paquetá, a bola sobrou limpa para Gabriel Jesus na pequena área. Ele bate cruzado, tirando tinta da trave. Logo em seguida, foi a vez de Everton Ribeiro. Paquetá deixou o atleta cara a cara com o goleiro Graterol. O camisa 11 tentou trabalhar com Gabigol. A redonda desviou no meio do caminho e carimbou a trave. O ritmo de passes do time canarinho era lento, sem agressividade. O domínio passou a ser ineficaz. 

Com o passar do tempo, era mais nítido a falta de criatividade. A Venezuela aproveitava o momento a seu favor, chegando a colocar o adversário na roda. Talvez inimaginável de se pensar, mas gritos de “olé” eram ecoados nas arquibancadas.

O intervalo foi muito bem-vindo para apagar a péssima atuação. O gás veio através da alteração de Everton Ribeiro para Raphinha, do Leeds United, da Inglaterra. Proposta interessante, mas sem grande ousadia, já que teve outro atletas mais apagado, como Gerson. Por pouco, a bola parada não salvou. Gol anulado devido a posição irregular de Thiago Silva.

Mais mexidas, com Emerson e Vini Jr. Novamente, dessa vez legal, a bola parada foi benéfica e deu aquela moral. Aos 25, Raphinha cobrou escanteio. Marquinhos veio de trás, subiu sozinho e cabeceou no chão. Raphinha não se intimidou na sua estreia com a camisa canarinho. Em pouco tempo, partia pra cima e buscava as jogadas. Conseguia se destacar numa equipe apática. Não seria loucura dizer, que a carta de número 17 da seleção, sobressaiu-se da Vinotinto e foi responsável pela vitória. Responsável por puxar o contra-ataque, ele tabelou com Vini Jr. O atacante tocou para Gabigol, que finalizou em cima do goleiro, mas foi calçado dentro da área. Pênalti. O próprio converteu no meio da baliza, marcando o seu segundo gol pela seleção. Contudo, sua apresentação acabou sendo encerrada nos acréscimos, com mais uma assistência. O meia cruzou da linha de fundo após receber de Emerson. Antony teve apenas o trabalho de ampliar. 

Com atuação de gala, Raphinha, protagonista da noite, com 91% de passes certos, camufla as falhas, falta de criatividade e limitações do Brasil contra uma frágil Venezuela. A seleção mantém 100% nas Eliminatórias da Copa do Mundo.

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