Brasil de Pelotas 2016: vindo de dois acessos consecutivos, Xavante é a força gaúcha na Série B

Brasil de Pelotas 2016: vindo de dois acessos consecutivos, Xavante é a força gaúcha na Série B
Foto: Jonathan Silva/ G.E. Brasil

O experiente plantel rubro-negro tem um grande pró e um grande contra. A base vem sendo mantida há várias temporadas e os atletas já se conhecem. Desta maneira, o técnico Rogério Zimmermann não enfrenta problema para implantar a filosofia que deseja. Por outro lado, o baixo número de jogadores complica o Xavante quando existem suspensões ou lesões. Frequentemente, o comandante precisa escalar peças em funções distintas das que costumam cumprir.

Na defesa, a média de idade é elevada. O guardião da meta é o rodado Eduardo Martini, 37 anos. O reserva é Luiz Muller, 34. Também aos 37 anos, Wender é o titular da lateral-direita há mais de dois anos. No Gauchão, porém, Weldinho, ex-Corinthians e Palmeiras, teve várias oportunidades devido a lesão do companheiro. Do outro lado da defesa, o contestado Xaro, que já tinha concorrência de Brock, agora passa a disputar posição com Marlon, integrante do elenco vascaíno no acesso à elite em 2014.

Titulares xavantes no jogo contra o Fortaleza, que marcou o acesso à Série B (Foto: Carlos Insaurriaga/G.E. Brasil)

Quase todos os zagueiros do Brasil somam três décadas de vida ou mais. A dupla costuma ser formada por Cirilo, folclórico nome do futebol pelotense, e Leandro Camilo. Mesmo assim, os outros atletas do setor atuam bastante. São eles Teco, Fernando Cardozo e Evaldo. O menos utilizado - e que já foi testado como lateral e volante - é o garoto Ricardo Bierhals.

A dupla de volantes é a mesma desde 2012 (!). O capitão e ídolo Leandro Leite divide a proteção à área com Washington há quatro temporadas. O organizador da equipe é Diogo Oliveira, 34 anos. Nas pontas do 4-2-3-1, Felipe Garcia e Ramon são titulares mas têm a sombra de Nathan e do recém-contratado Siloé. O Xavante passou a atuar, ainda nesta temporada, com um falso nove. Meia de origem, Marcos Paraná dá mais mobilidade ao ataque. Com isso, o artilheiro Nena virou reserva.

Contratações

Foram poucas. Desde o fim do Gauchão, apenas três reforços se juntaram ao enxuto elenco de Rogério Zimmermann. O lateral-esquerdo Marlon, com passagens destacadas por Criciúma e Vasco, e o volante Marcão, outro ex-Tigre catarinense, passaram a integrar o grupo rubro-negro uma semana antes do começo da Série B. Já na reta final de preparação, o veloz atacante Siloé também desembarcou em Pelotas, vindo do Ceará. Mais contratações são esperadas.

Marlon na chegada ao Bento Freitas (Foto: Carlos Insaurriaga/G.E. Brasil)

Momento

O Brasil está há um mês sem disputar um jogo oficial. A campanha na fase inicial do Gauchão foi fraca e a classificação às quartas só chegou na última rodada, devido a resultados paralelos. Diante do Grêmio na Arena, o Xavante acabou superado logo na primeira etapa eliminatória do estadual. A saída da Copa do Brasil se deu uma semana depois, com derrota para o Atlético-PR.

Foto: Carlos Insaurriaga/G.E. Brasil

A pausa no calendário de partidas pode ser benéfica para o clube do estádio Bento Freitas. O primeiro semestre da temporada foi conturbado dentro e fora de campo. Por divergências internas, todo o Departamento Médico pediu demissão em março. Já em maio, o supervisor de futebol foi despedido pela direção. A expectativa dos rubro-negros, agora, é de crescimento dentro e fora de campo.

Títulos

Campeão gaúcho (1919), campeão do interior (1919, 53, 54, 55, 63, 68, 83, 84, 2014 e 2015), campeão da Copa Governador do Estado (1972), campeão da Copa RS (1993), campeão da segunda divisão gaúcha (1961, 2004 e 2013), campeão citadino em Pelotas (28 vezes).

História

Foi em um mesmo 7 de setembro, dia em que o Brasil comemora o aniversário da independência, que surgiu outro Brasil. Mas em Pelotas. À época, Grêmio Sportivo Brasil, sem o E. A nível municipal, o clube da Baixada logo deu mostras do que se tornaria: venceu os citadinos em 1917 e 18. O tri veio em 19, mas ofuscado por um feito brilhante: o título estadual, no primeiro campeonato organizado no Rio Grande do Sul.

Ao lado das décadas, o Xavante virou um clube de massa. Em 1950, convidado para medir forças com a seleção uruguaia em amistoso antes da Copa do Mundo, a equipe venceu Ghiggia e companhia, no Centenário, por 2 a 1. O recebimento festivo em Pelotas demonstrava que algo realmente incrível havia ocorrido. Quatro meses depois, os derrotados pelo Brasil batiam a Seleção no Maracanã e escreviam o eterno Maracanazo.

A nível competitivo, no entanto, o principal ano da centenária trajetória rubro-negra se deu em 1985. Depois de deixar para trás times como Ceará, Bahia e Ponte Preta, o Flamengo de Zico, Andrade, Fillol e Nunes apareceu no caminho dos pelotenses. Azar do Galinho. No Bento Freitas abarrotado, um 2 a 0 eliminou os cariocas do Brasileirão daquele ano. Diante do Bangu, o Xavante acabou derrotado, mas com um histórico terceiro lugar na competição nacional.

Confira os gols do duelo:

Vez ou outra, o Brasil incomodava a dupla Gre-Nal em Gauchões, como em 1998, quando o Grêmio foi vítima nas quartas de final do estadual. Nesta época, porém, a questão financeira já pesava, mas nunca tirou a paixão dos xavantes. Depois de participações na Série C do Brasileiro na década de 2000, uma tragédia marcou para sempre os corações vermelho e preto. Em 15 de janeiro de 2009, o famoso acidente na BR-392 vitimou três integrantes da delegação, entre eles o ídolo Claudio Millar.

Se reerguer foi complicado. Anos de amargura na segunda divisão gaúcha, lutando contra a falta de dinheiro, os baixos públicos em jogos pouco atrativos, as viagens pelo interior do RS, os estádios com condições lamentáveis e outros problemas. Mas, em 2013, a história começou a mudar e, sob comando de Rogério Zimmermann, o Brasil voltou com tudo no cenário do futebol nacional.

Estádio

Um lugar sagrado. Assim o Bento Mendes de Freitas, ou somente Bento Freitas, pode ser definido para os xavantes. O templo rubro-negro, inaugurado em 1943 e palco de grandes batalhas, está no começo de uma grande reformulação. A casa do Brasil, desde o último mês, vive o início das reformas que a deixarão moderna e funcional. O projeto não deve inviabilizar a equipe de atuar em frente ao torcedor. Através deste site, é possível acompanhar em tempo real a obra.

Foto acima: Divulgação/G.E. Brasil - Foto abaixo: Olla/estúdio de arquitetura responsável pela reforma do estádio