Herói do acesso do Voltaço, Dija rebate críticas da torcida do Flu de Feira: "Tem que me respeitar"

Nascido em Feira de Santana, atacante marca três gols nos dois jogos das quartas e relembra situações do passado em sua terra natal

Herói do acesso do Voltaço, Dija rebate críticas da torcida do Flu de Feira: "Tem que me respeitar"
Afastado pós-Carioca, Dija retornou para o Volta Redonda e garantiu acesso à Série C | Foto: André Moreira/Saída de Bola

Quis o destino que o atacante Dija Baiano, nascido em Feira de Santana (BA) fosse o responsável pelo fim do sonho de acesso à Série C do Brasileirão do time de sua terra natal. Neste sábado (3), o jogador marcou duas vezes para o Volta Redonda (RJ) e garantiu o clube carioca na terceira divisão nacional. A partida foi realizada no Raulino de Oliveira.

Personagem também do jogo de ida - quando marcou o terceiro gol tricolor fora de casa, Dija sofreu com provocações da torcida no Estádio Joia da Princesa"Muita felicidade subir em cima do Flu de Feira. É minha terra natal, mas falaram que não sou humilde, que fui rejeitado lá sendo que nunca joguei no clube. Amo a equipe, amo minha terra, mas sou Voltaço de coração", afirmou o jogador.

Na comemoração de seu primeiro gol no Raulino, Dija provocou os jogadores no banco do Flu de Feira - fazendo o mesmo gesto de Rafael Silva na derrota do Figueirense para o Flamengo, pela Copa Sul-Americana. A arbitragem reconheceu a provocação e deu cartão amarelo para o atacante baiano.

"Queria tomar amarelo mesmo [risos]. Já estava com dois e tomei para perder o primeiro jogo da semifinal. Mas eles [jogadores e torcedores do Flu de Feira] têm que me respeitar também. Além de ser jogador profissional, também sou homem de caráter. A torcida estava me xingando, mas é assim mesmo, acabamos agindo com emoção na hora do gol. No alojamento falei para os meus companheiros que 'cortaria a cabeça deles' no meu primeiro gol", explicou Dija.

Afastado por problemas disciplinares pós-Carioca, Dija retorna para fazer história

Presente na excelente campanha do Volta Redonda no último Campeonato Carioca - primeiro clube atrás dos grandes, Dija acabou afastado do clube do Sul Fluminense por problemas extra-campo. Porém, o treinador Felipe Surian pediu o retorno do jogador ao clube, a diretoria atendeu e o atacante vem se mostrando mais maduro em relação à passagem anterior.

"Surian é um grande amigo. Chegou aqui e me apoiou dia após doa, me abraçou, me quis de volta e pediu minha contratação. Me ajudou muito e tenho que agradecer a ele pelo meu retorno ao Voltaço", destacou. "Voltei para fazer história. E eu fiz. Minha saída foi parte de empresário para eu poder ir para o Japão, situações assim. É um lado que jogador não pode falar. Mas nunca quis sair do Volta Redonda, sempre identifiquei e sempre tive apoio por aqui. Deixei o extra-campo de lado, fiquei três meses sem sair, focado no acesso. Para mim é complicado ficar sem sair, mas cumpri meu objetivo. Assessores e diretoria sempre pedem para eu não entrar em polêmica. Mas agora é comemorar, sair. Agora pode", complementou Dija em tom bem humorado.

Jogador exalta disciplina tática e auxílio dos companheiros

Satisfeito com a disciplina e responsabilidade de todos no acesso à Série C, o atacante enfatizou a importância do padrão tático de Surian. "Trabalhamos desde a pré-temporada em Muriaé-MG. Mesmo com elenco diferente, Surian manteve a mesma tática. Nossa equipe se porta bem e é aguerrida. Tenho que agradecer a todo elenco que me ajuda a cada dia e me apoiaram no meu retorno", exemplificou.

Dija ainda aproveitou para argumentar sobre a disposição de todos os atletas. "Nosso diferencial é cada um correndo pelo outro. Nosso time é bem postado, são 11 atrás da linha da bola, mas nosso ataque é forte. Surian trabalha bem isso e colocamos nos jogos. Estamos cientes que primeiro precisamos marcar para depois jogar e atacar como time grande", complementou o atleta.