Equilíbrio e confiança: Mascherano e Renato Augusto se tornam peças-chave em Brasil e Argentina

Experiência, versatilidade e visão de jogo: mesmo em posições diferentes, os meias são chaves em suas respectivas seleções

Equilíbrio e confiança: Mascherano e Renato Augusto se tornam peças-chave em Brasil e Argentina
Mascherano e Renato Augusto: os nomes do meio de campo para o clássico

A seleção brasileira recebe a Argentina no Mineirão, em Belo Horizonte, no dia 10, quinta-feira, pelas eliminatórias da Copa do Mundo 2018. Ainda não se sabe a escalação para o clássico mas uma coisa é certeza: os craques Javier Mascherano e Renato Augusto estarão em campo. Mesmo não sendo capitães, ambos são cruciais para suas seleções e vamos te contar o porquê.

O argentino Javier Mascherano tem uma história inusitada em sua seleção. Antes mesmo de estrear na equipe principal do River Plate, em 2003, ele entrou em campo com a Argentina em um amistoso contra o Uruguai e foi surpreendente. Desde então, sua importância na equipe apenas cresceu e em 2010 teve a chance de ser capitão do time. Maradona, o técnico da albiceleste na época, descreveu Mascherano como “o argentino mais próximo da ideia que tenho sobre vestir a camisa da seleção, de se sacrificar, ser profissional e próximo dos colegas”.

(Foto: Getty Images)

 O título de exemplo de jogador é frisado pelos argentinos. Na Copa de 2014 no Brasil, o jogador do Barcelona chegou a marca de 100 jogos pela albiceleste e recebeu uma placa com os dizeres “nascido para jogar pela seleção”. O camisa 14 tem o que os argentinos esperam: raça e técnica, além do lugar de capitão mesmo sem a braçadeira - Javier assume o papel de aproximar, incentivar e orientar a equipe dentro de campo.

Tecnicamente, Mascherano é a peça chave do meio-campo argentino. O volante tem bons cortes e sempre passa a bola para os companheiros. Além disso, é o motor da equipe, com grande capacidade de recuperação e dedicação em campo.

Com 32 anos, Javier é o segundo jogador com mais partidas pela seleção Argentina – são 133 jogos – é bicampeão olímpico, já participou de quatro Copas América e três Copas do Mundo, sendo vice-campeão da última, em 2014, no Brasil.

Por outro lado, o brasileiro Renato Augusto só estreou na seleção principal em 2011. Mas, mesmo com apenas pouco tempo de equipe, são 22 jogos com a camisa verde e amarela, o carioca já conquistou seu lugar no time.

Renato começou sua carreira no Flamengo, mas foi no Corinthians que o jogador teve sua ascensão. Mesmo lidando com um grande histórico de lesões, em 2015 o brasileiro foi o principal passador e driblador do time paulista. Conquistando o título do Brasileirão na temporada com a equipe, Renato também ganhou o prêmio de Craque do Brasileirão – melhor meia e jogador do campeonato.

(Foto: Getty Images)

O diferencial do carioca está na versatilidade. No início de sua carreira, atuava como o clássico camisa 10, mas quando foi para o alemão Bayer Leverkusen começou a jogar mais aberto. Já no Corinthians de Tite, Renato atuava como segundo volante e a polivalência do jogador era admirada pelo técnico. "O Renato é versátil em termos técnicos e táticos", declarou Tite. "Se está mais avançado, tem um poder de retenção e finalização muito grandes. Mais recuado, tem um poder de organização perto do volante. No Bayer (Leverkusen) ele jogou por vezes de segundo volante porque tem essa qualidade do passe. São diversas características importantes e versatilidade", afirmou o atual comandante da seleção brasileira.

A boa relação com Tite não ficou apenas no Corinthians. Desde época do título de campeão brasileiro, Renato declarava como o técnico o dava liberdade para discutir questões táticas. “Foi com ele que alcancei meu melhor nível tático, físico e técnico", declarou o meia. Agora, atuando no clube chinês Beijing Guoan, o jogador tem Tite como comandante na seleção e conquistou, junto à ele, o título inédito de campeão olímpico, em 2016.

Na seleção, Renato é polivalente. Na final dos Jogos Olímpicos, jogou na defesa e no meio-campo, demonstrando grande disposição e técnica. Mas atuou também na lateral, cobrindo Marcelo, quando foi necessário. “Ainda gosto de fazer a função de meia ofensivo. Mas depende do jogo. Em alguns você pode avançar, em outros tem que segurar.”, comentou o brasileiro.

Mesmo com grandes diferenças, o argentino Mascherano e o Renato Augusto têm algumas coisas em comum. Além de serem peças chaves em suas respectivas seleções, os jogadores chamam atenção por terem uma característica única, a de saber ler o jogo. O “capitão moral” da Argentina foi elogiado por seu ex companheiro de Liverpool, Xabi Alonso que disse que “Masche era o mais inteligente em enxergar o jogo em campo”. Já a característica do brasileiro foi comentada pelo técnico Tite. “O Renato tem uma capacidade de análise tática muito desenvolvida. Não porque jogou no exterior, mas porque capta bem, tem essa facilidade”, declarou o comandante.

Com tanta qualidade no meio de campo, o grande clássico Brasil e Argentina tem tudo pra ser um excelente jogo.