Dia do Brasil de Pelotas, um rubro-negro de presença nacional

Clube do extremo Sul do país completa 106 anos e vive grande fase histórica ao disputar a Série B nacional

Dia do Brasil de Pelotas, um rubro-negro de presença nacional
Foto: Carlos Insaurriaga / G.E. Brasil

No Dia da Independência do país, o Brasil de Pelotas também marca presença. É o aniversário do Rubro-Negro mais conhecido ao Sul. O clube pelotense completa 106 anos neste 2017 e tem razões para comemorar sua boa fase a nível nacional. Presente na Série B do Campeonato Brasileiro desde 2016, a atual temporada visa buscar a permanência nesse padrão, estimado entre os 40 clubes do país.

O Brasil de Pelotas foi fundado em 7 de setembro de 1911. Motivos não faltam para apontar as excentricidades e conquistas do chamado índio Xavante. Possuidor de um dos estádios mais antigos do país, o Bento Freitas, a Baixada é conhecida como um forte caldeirão, um fator casa invejável para alguns grandes clubes. Dentro de seus domínios, ao longo da história, o Brasil disputou clássicos, dificultou a vida do Grêmio, venceu o Flamengo de Zico e foi grande destaque estadual.

Logo em 1919, tornou-se o primeiro clube campeão gaúcho no Estadual. Está na história como primeiro vencedor da primeira divisão. Bateu o Grêmio na final da oportunidade. Não conseguiu repetir mais o feito, sendo vencedor somente em subidas da segunda divisão, como ocorreu nos anos de 1961, 2004 e 2013, ou do chamado título do interior na primeira. Mas costuma ser presença de peso no Campeonato Gaúcho.

A nível nacional, disputou quatro vezes o Campeonato Brasileiro principal entre os anos de 1978 e 1985. Foi uma época reluzente ao clube do extremo Sul. A campanha mais marcante ocorreu em 1985, com o terceiro lugar no certame, em um torneio recheado de surpresas. Após passar por grandes forças do futebol do país, como Bahia, Cruzeiro e o Flamengo de Zico, o Brasil foi eliminado na semifinal para o Bangu, ao disputar seu mando de campo no estádio Olímpico em Porto Alegre, pois o Bento Freitas não atendia à capacidade exigida pela Confederação. O Coritiba acabou campeão na ocasião.

Em 2009, uma tragédia com o ônibus da delegação que voltava de um amistoso no Rio Grande do Sul trouxe o momento mais difícil da história centenária. Foram três mortos. Entre eles, os jogadores considerados ídolos, o atacante uruguaio Claudio Milar, com mais de 100 gols pelo clube, e o zagueiro Régis, além do preparador de goleiros, Giovanni Guimarães. Os três possuem homenagens no estádio Bento Freitas. Além deles, diversos feridos impossibilitaram haver um elenco apto a disputar as competições da temporada. Mesmo assim, o clube atuou forçadamente no estadual e acabou rebaixado, retornando à primeira divisão com o técnico Rogério Zimmermann em 2012. O treinador RZ foi um dos grandes responsáveis pelo resgate do Rubro-Negro nos anos seguintes.

Após um bom tempo ausente dos principais torneios do país, o Xavante teve boas chegadas na Série C do Campeonato Brasileiro no presente século, mas somente em uma ascensão histórica, do vice da Série D em 2014 a ser semifinalista da C em 2015, o Brasil voltou a uma segunda divisão nacional. Procura manter esse padrão enquanto renova e moderniza seu estádio Bento Freitas.

Foto: Divulgação / G.E. Brasil

Um dos grandes desafios xavantes na atualidade é ter o torcedor ao seu lado, seu maior patrimônio. Por muitas vezes, o Brasil é apontado como a maior torcida do interior gaúcho, à frente de rivais como o Juventude e em vantagem no extremo Sul. A era de modernização do futebol ameaça que o clube não seja mais tão popular, como sempre foi ao longo da história. A necessidade financeira para Série B tem feito a diretoria impor ingressos mais caros e os torcedores protestam e se desdobram para seguir apoiando ao clube do coração. Diferente do panorama gaúcho em geral, os rubro-negros gostam de torcer somente pelo Brasil. É uma característica da cidade de Pelotas, que conta com o rival Áureo Cerúleo do Rubro-Negro.

Apresentados os principais pontos e momentos da história xavante, cujo apelido de índio evoca exatamente a capacidade da torcida produzir festas e clamor popular, basta desejar uma ótima campanha pela frente ao Brasil. Entre vitórias e derrotas, às vezes mais derrotas do que vitórias, a certeza de que seu torcedor é fiel e gosta mesmo é de estar junto com o Xavante. Torcer por melhores momentos financeiros e para o futebol moderno não encobrir essa verdadeira massa de torcedores que sobem arquibancadas e devoram concreto para exaltar as cores vermelho e preto. Parabéns, Brasil! Não és das cores da bandeira nacional, mas és o rubro-negro no sangue e na raça.