Retrospectiva VAVEL: Brasil de Pelotas tem ano de mudanças e dificuldades, mas termina sorrindo

Xavante pelotense escapou do rebaixamento no estadual, passou por turbulências na Série B, mas terminou em 8º lugar na competição

Retrospectiva VAVEL: Brasil de Pelotas tem ano de mudanças e dificuldades, mas termina sorrindo
Foto: Carlos Insaurriaga / G.E. Brasil

O Brasil de Pelotas passou por uma temporada atípica em 2017. O clube mais ao sul da Série B teve uma grande reformulação de seu elenco e sentiu a turbulência durante o ano. Perder uma base sólida, a chamada espinha dorsal do time, trouxe dificuldades em encontrar substitutos à altura, seja pela qualidade técnica dos que deixaram o grupo, seja pelo reentrosamento, necessário nessas situações para o time andar.

Alguns dos principais atletas do Brasil deixaram o clube ao final de 2016. O artilheiro do time na Série B, Felipe Garcia foi ao Japão. O companheiro de meio campo Diogo Oliveira não renovou e acabou no Paysandu. O volante Washington, então companheiro de Leandro Leite, também saiu. O atacante Ramon foi jogar no Juventude depois. Elias saiu e voltou. Do meio para frente: só modificações. Do meio para trás: manutenção da base, mas reconhecendo a idade avançada dos componentes do time.

Na casamata, Rogério Zimmermann seguia para sua sexta temporada no clube. Na ocasião, era o segundo técnico mais longevo no cargo no país. Atrás somente de Claudio Tencati, demitido do Londrina em 2017. Zimmermann havia chegado para tirar o clube da segunda divisão gaúcha e, mais do que isso, levou o Brasil ao título do interior em estaduais e conseguiu os importantes acessos para Série C e, posteriormente, Série B. Após voltarem à condição de segunda divisão nacional, o Brasil esperava a manutenção desta condição. Não foi fácil ao longo da turbulenta temporada.

No Gauchão, o início ruim, com a desculpa da troca enorme no elenco. Jogadores como Lenilson, Aloisio e Renan Oliveira eram testados, mas não davam resultado. Na lateral direita, Eder Sciola estava em péssima fase. Uma fase negativa que não passava e o jogador estava cada vez mais marcado, censurado pelo torcedor e pela imprensa. Outro ponto era a condição física. O Brasil de Pelotas foi o clube do interior que mais tarde encerrou 2016. Férias e o período de pré-temporada ocuparam um tempo precioso, que complicou o Xavante na preparação. Mesmo nos amistos anteriores ao Campeonato Gaúcho, era evidente que o Rubro-Negro passaria por problemas.

No estadual, nenhuma vitória fora. Em casa, bateu o Ypiranga de Erechim e o São Paulo de Rio Grande, o segundo em conhecido clássico regional. Fora, somente tropeços. Em casa, outros tropeços, em uma empatite que não passava. Empatou com o forte Grêmio, mas também não conseguiu vencer o Caxias e o poderoso Novo Hamburgo, que levaria a taça ao final da edição. Na última rodada, portanto, havia chances de rebaixamento. O Brasil não fez sua parte, perdeu para o Passo Fundo, mas os resultados paralelos decretaram que os rebaixados seriam o próprio algoz da última rodada e o Ypiranga, duas equipes do norte gaúcho.

Time pressionado na Série B

Se o Campeonato Gaúcho havia terminado de maneira dramática, a Série B era temível. A escapada do rebaixamento no estadual veio na última rodada, o que prever para a competição nacional, nivelada e difícil, com um time tão distinto e necessitado? Rogério Zimmermann segurou a bronca nas primeiras rodadas. O Brasil não encantava, tropeçava em casa mais vezes do que na segura temporada anterior.

A defesa do time passou por mais problemas. Foram sucessivas derrotas pesadas. Para o apoio ofensivo, o meia Wagner veio após bom Gauchão disputado pelo Caxias. Polêmico e pouco comprometido, perdeu espaço. O goleiro Eduardo Martini não mostrava-se mais o milagreiro de temporadas passadas, exímio defensor de pênaltis e de atuações com segurança e reflexos. Sofrendo gols defensáveis, perdeu espaço para Marcelo Pitol.

João Afonso e Nem perderam espaço no time. O experiente e contínuo volante goiano Leandro Leite foi acusado pela idade, mas ainda retornaria a reforçar o setor. Rogério Zimmermann não resistiu e acabou demitido no final do primeiro turno. Clemer assumiu na 16ª rodada. O novo técnico, multicampeão com Internacional quando era jogador, e de passagem marcante pelo Confiança do Sergipe enquanto técnico, mudou posturas.

O resgate com Clemer

Clemer ajeitou o time
(Foto: Carlos Insaurriaga / G.E. Brasil)

O longíncuo RZ, que estava no clube desde 2012, fechava os treinos. Clemer abriu portões. Mais do que isso, abriu o time, fez a bola rolar, fez o meio de campo ser mais acionado. Foi aí que Wagner perdeu definitivamente o espaço no grupo. À esta altura, os jovens Marcinho e Juninho, com a qualidade técnica de Rafinha, comandavam o meio de campo. Tímido no grupo, Cassiano ainda estava por vir e ajudar na reta final.

Clemer conseguiu reestabelecer a paz, que estava perdida no estádio Bento Freitas. A cada tropeço em casa ou fora, os bastidores ardiam, RZ era ríspido nas entrevistas; o clima era ruim na Baixada em Pelotas. Com sua saída e uma melhora na execução das atuações, os ânimos se acalmaram. Porém, o estádio ainda convivia com pequenos públicos. O preço do ingresso foi apontado como culpado. Houve protestos da torcida com faixas e reclamações, mas a diretoria ainda não cedia e mantinha os preços altos. Públicos inferiores a três mil torcedores existiram.

Outro aporte do meio campo foi o canhoto Itaqui. Ele tomou conta da bola parada e fazia lançamentos e passes precisos. Nas laterais, o negativo Eder Sciola do primeiro semestre virou outro jogador. Não só passou a não comprometer, mas resgatou confiança e futebol para ser o melhor em campo em muitos jogos. Alguns cronistas apontaram como uma das melhores recuperações já vistas em um atleta, em tão pouco tempo. Na lateral-esquerda, o ano de Marlon, tão bem na Série B 2016, foi ruim. Ainda se lesionou e o jovem Breno assumiu seu lugar. Ele havia passado por grave lesão no joelho, que o tirou da temporada anterior. Breno não convenceu ao torcedor, mas foi esforçado.

Quando o futebol do Brasil atravancou, o clima mais hostil voltou à tona. Eram rodadas sem vencer faltando poucos jogos. A distante zona do rebaixamento novamente se aproximou na reta final. A pressão era grande, mas a diretoria, enfim, resolveu baixar o preço de ingresso. O resultado foram duas vitórias fundamentais: 2 a 0 sobre o Paraná Clube e 3 a 0 sobre o ABC de Natal, para garantir a permanência. Entre elas, épicos 3 a 2 sobre o Paysandu em Belém do Pará. Esta sequência marcou o futebol de Cassiano no Xavante.

Time que venceu o Criciúma na última rodada (Divulgação / G.E. Brasil)

Para encerrar o ano de reformulações, o último jogo foi incrível. O Brasil conviveu com os problemas defensivos novamente, saiu perdendo por 2 a 0, mas virou para 3 a 2 contra o Criciúma. Marcinho e o atacante Lincom, dois destaques da campanha, se serviram de passes de Itaqui. Juninho fechou o placar. A festa foi completa com a conquista da 8ª colocação, primeira página da tabela. Na saída do campo, duas despedidas: o atacante Gustavo Papa, que atuou em 130 jogos com o clube, e o zagueiro Cirilo, conhecido zagueiro no estado, deram adeus ao futebol.

E o Brasil segue na Série B. Deu até logo para a competição e promete voltar com moral renovada. Após um ano difícil, pressionado, trocas no grupo e com a saída de Zimmermann, o técnico Clemer acertou permanência para o estadual de 2018. Basta saber se a diretoria consegue acertar o time de forma mais depressa na pré-temporada, para melhores desempenhos no ano.

Campanha na Série B

Jogos Pontos Vitórias Empates Derrotas Gols Marcados Gols Sofridos Saldo
38 51 15 6 17 43 50 -7

O destaque: Marcinho
A reviravolta: Eder Sciola
Problemas: defesa muito mais vazada que em 2016