Opinião: por que o Maracanã estava vazio em um clássico?

Pouco mais de 8 mil pessoas assistiram o clássico entre Fluminense e Botafogo

Opinião: por que o Maracanã estava vazio em um clássico?
Foto: Marcello Neves/VAVEL Brasil

Sábado, 20 de janeiro de 2018. Feriado regional. Sol, calor e... clássico no Maracanã! Não só um clássico, mas o mais antigo do estado: clássico vovô. Fluminense e Botafogo. Clima perfeito para o maior estádio do mundo lotado. Correto? Não. O que se viu no último sábado (20) foi um Maracanã vazio, calado e frio mesmo com o sol carioca chegando aos 40 graus. Apenas pouco mais de 8 mil pessoas prestigiaram uma partida que refletiu o que se viu nas arquibancadas: pacata e fria. Poucas oportunidades de gols e um 0 a 0 ruim para ambas as equipes. Mas, por que o Maracanã estava vazio em um clássico? 

Tanto Fluminense quanto Botafogo vieram de resultados ruins na primeira rodada do Campeonato Carioca. O Tricolor perdeu para o Boavista por 3 a 1. O Alvinegro, apenas empatou com a Portuguesa em pleno Nilton Santos. Será que os resultados influenciaram no que se viu nas arquibancadas ontem? Talvez. Mas, ao relembrarmos as festas feitas pela torcida alvinegra em 2017 na Libertadores da América, me parece contraditório.

Voltando à pré temporada. O Tricolor Carioca vive momento conturbado nos bastidores. Com jogadores dispensados e cobrando salários na justiça e a presidência de Pedro Abad questionada, sofre forte pressão da torcida. O Botafogo, entretanto, pouco se movimentou na pré temporada, mas perdeu Jair Ventura, técnico que levou o alvinegro à Libertadores em 2017. Pergunto novamente: será que isso influenciou? Não deveria ao pensar que o Campeonato Carioca é a primeira impressão do que será a temporada dos clubes. 

Campeonato Carioca. Aí pode estar o porquê das arquibancadas vazias. Não é de hoje que o torcedor ignora, e por vezes, despreza a competição. Por muitas vezes, escuto após resultados ruins: "Ah, mas é só o Carioca", "Carioca não vale como parâmetro". Mas, ora, é o primeiro campeonato do ano. 

Assim, vale analisar as médias de públicos nos demais principais campeonatos regionais do sudeste. Na primeira rodada do Paulistão, a torcida do Palmeiras lotou seu estádio com pouco mais de 30 mil pessoas presentes, os corintianos, quase 20 mil. O Campeonato Paulista teve quase quatro vezes mais público que o Carioca. Em Minas Gerais, ademais, cruzeirenses lotaram o Mineirão com mais de 40 mil pessoas para prestigiar Cruzeiro x Tupi. Nos três exemplos descritos, não havia clássicos regionais em questão. Apenas o Maracanã vazio. Contraditório, novamente, não? 

Maracanã. O maior estádio do mundo. Palco de Copa do Mundo. Abriremos um parênteses e falaremos agora dele. Em 2016, com os holofotes voltados para ele ao presenciarmos o primeiro título olímpico de futebol da seleção brasileira. Em 2017, a atenção voltada a ele foi para os capítulos do imbróglio entre a administradora do estádio e o Governo do Estado, além das tristes cenas de barbárie na final da Copa Sul-Americana, que tornou o estádio centro das atenções -infelizmente, de forma negativa-, em todo o mundo. Naquele sábado, além de frio, o Maracanã parecia abandonado. Cadeiras sujas e quebradas além das marcas de vandalismo por todos os lados. Daí, cabe o questionamento: entoamos o cântico há décadas que "O Maraca é nosso", mas afinal o Maraca é de quem? Ao que parece, o carioca não tem mais prazer de frequentar o estádio e, contrariando a música de Neguinho da Beija-Flor, domingo não vai mais ao Maracanã. 

Foto: Reprodução

Há dois anos, clubes de todo o país, em atitude comandada pela diretoria de Flamengo e Fluminense iniciaram uma união em prol de uma nova competição de início de temporada longe das federações estaduais: a Primeira Liga. Mas, o campeonato também não vingou e os estaduais seguiram sendo a principal competição do início do ano. Entretanto, apenas o carioca, conforme as médias de público, não arrastam milhares de torcedores aos estádios. Ao que parece, o Campeonato Carioca se encontra alguns (ou muitos) passos atrás dos demais estaduais. 

Perde o torcedor, o espetáculo e, principalmente, o futebol. Arquibancadas vazias, jogos com baixo nível técnico e o maior estádio do mundo, o Maracanã, pacato e frio mesmo sob o sol do Rio de Janeiro. Assim iniciou o Campeonato Carioca 2018. Assim vive o futebol da Cidade Maravilhosa.