Relembrando: Em 2001, América ressurge no Estadual e conquista o título frente ao Atlético

Com um time formado por jovens, América derrotou o Atlético, tecnicamente melhor e mais experiente

Relembrando: Em 2001, América ressurge no Estadual e conquista o título frente ao Atlético
Foto: Reprodução/Acervo do Coelho
Atlético
3 1
América
Atlético: Velloso; Cicinho (Paulo Baier), Paulão (Rinaldo), Luis Carlos e Ronildo; Gilberto Silva, Alexandre e Lincoln; Kim (Romeu), Guilherme e Marques. Técnico: José Maria Pena.
América: Fabiano; Edson, Wellington Paulo, Thiago e Michael (Telmo); Ricardo, Ruy, Rogério (Adriano França) e Carlos Alberto (Alessandro); Rodrigo e Fabrício. Técnico: Lula Pereira.
Placar: 1-0, min. 12, Guilherme, 2-0, min. 55, Gilberto Silva, 3-0, min. 62, Lincoln e 3-1, min. 78, Alessandro.
ÁRBITRO: Paulo César de Oliveira - SP
INCIDENCIAS: Segunda partida da final do Campeonato Mineiro de 2001. Público pagante: 46.934. Renda: R$ 103.592,50.

Em 2001, o América mostrou que poderia ser muito mais que um mero participante do Campeonato Mineiro. Com um ressurgimento que surpreendeu até ao mais fanático americano, o Coelho conquistou o título mineiro da temporada de forma especial ao bater o Atlético na decisão. 

O regulamento daquele Estadual era diferente do que foi disputando nos dois anos anteriores. A primeira fase era disputada com 12 equipes se enfrentando em turno único. Os oito primeiros passariam à segunda fase. Os dois últimos seriam rebaixados, no caso, Democrata-GV e Guarani. 

A segunda fase era composta pelas oito equipes classificadas divida em dois grupos com quatro times, que se enfrentariam em turno e returno. O primeiro colocado de cada chave garantiria vaga na decisão em dois jogos. 

Como eram os dois finalistas do Campeonato Mineiro de 2001?

O América começou 2001 de forma desastrosa. Foi eliminado na primeira fase da Copa Sul Minas, trazendo sua péssima campanha para o Campeonato Mineiro, onde o Coelho chegou a ser ameaçado de rebaixamento, já que nos primeiros sete jogos no Estadual, o Coelho havia comemorado apenas um vitória.

Mas a situação passou a melhor com a chegada do técnico Lula Pereira, muito conhecido nas regiões Norte e Nordeste do Brasil. Em parceria com o experiente treinador Procópio Cardoso, os dois arrumaram a casa americana, dando início a uma reação maravilhosa. A partir da sétima rodada, o América conquistou 12 dos 15 pontos que ainda lhe restavam para brigar pela classificação. 

Na segunda fase, o Coelho manteve a boa escrita e fez uma boa campanha, com quatro vitórias nos seis jogos que disputou. Os 12 pontos conquistados consagrou o América como a melhor equipe da etapa em que se escolheriam os dois finalistas.

Tamanha reação se deve uma receita americana que nunca falhou: a prata da casa. O elenco era majoritariamente formado por atleticanos formados no clube. Na equipe titular, apenas o goleiro Fabiano não havia nascido nas categorias de base do América. 

Já o Atlético reformulou boa parte do elenco que encerrou o ano 2000, mas sem se desfazer de seus principais jogadores: Velloso, Gilberto Silva, Marques e Guilherme. Na Copa Sul Minas, o Galo fez boa campanha, mas parou na semifinal frente ao Cruzeiro. No Campeonato Mineiro, o Atlético fez uma excelente campanha, terminando líder da primeira fase, e da mesma forma, terminou em primeiro lugar na sua chave.

América quase deixa o título escapar, mas faz gol salvador

No primeiro jogo, as apostas eram maiores no Atlético, que detinha melhor ataque da competição e o artilheiro, Guilherme, com nove gols. Já o América contava com os jovens jogadores formados na base, sem experiência, mas cheios de brio para vencer. 

O Coelho começou surpreendendo com gol de Wellington Paulo, aos quatro minutos. Aos 17, Tucho, em desatenção da zaga atleticana ampliou, e Rodrigo fez o terceiro, aos 28. Após o líquido derramado, o Galo saiu para o jogo e chegou a diminuir com Gilberto Silva. 

Na etapa final, uma pressão desorganizada fez com que o Atlético cedesse campo para o América explorar os contra-ataques. Após nova falha, desta vez de Luis Carlos, Rodrigo saiu em velocidade e bateu na saída de Velloso para dar fim ao placar da primeira partida.

Para o segundo jogo, o Atlético precisava fazer três gols de diferença para levar a disputa para os pênaltis. O América poderia perder por uma margem de dois gols, que ficaria com o título. No entanto, diferentemente do primeiro embate, o Galo entrou em campo com mais vontade e disposto a reverter à vantagem do Coelho.

No primeiro tempo, Guilherme cobrando pênalti cometido por Edson, abriu o placar. O América teve duas excelentes oportunidades, mas o volume de jogo era maior por parte do Atlético, que entrou em campo três atacantes e uma postura mais ofensiva.

Na etapa final, o gol de Gilberto Silva no começo deu um fôlego maior alvinegro. Antes da metade do segundo tempo, Lincoln fez o terceiro e igualou as condições. Até então, a finalíssima estava indo para as penalidades, quando Alessandro, que saiu do banco de reservas, recebeu de Rodrigo e bateu forte, sem dar chances a Velloso. O gol único do América foi o suficiente para a taça voltar as mãos do Coelho.  

Números e curiosidades

O Atlético fez a melhor campanha durante todo o Campeonato Mineiro e teve o artilheiro. Guilherme anotou 10 gols. 

O América ficou conhecido como "campeão do apagão". Tal apelido deu-se graças ao período de racionamento de energia que o Brasil convivia. Um fato que explicaria isso é que os refletores do Mineirão não foram acesos durante a partida, mesmo com a partida no final.